João Torrecillas Sartori comanda conferências (Divulgação)
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Conscientizar, discutir e definir estratégias capazes de combater o uso indiscriminado de medicamentos benzodiazepínicos – os populares ‘calmantes’. Esse é o objetivo central de um Ciclo de Conferências gratuitas e abertas ao público em geral que acontecerão entre agosto e outubro em Itapira.

A iniciativa já tem sua primeira parada nesta sexta-feira (9), na UBS (Unidade Básica de Saúde) ‘Pé no Chão’. O evento entre 8h00 e 9h00 será coordenado pelo médico e psicanalista João Torrecillas Sartori, com apoio da Secretaria Municipal de Saúde. As próxima datas serão 13 de setembro e 11 de outubro, no mesmo local – Rua 13 de Maio, 485, Vila Boa Esperança.

De acordo com o médico, o uso crônico desses medicamentos é bastante preocupante em todo o país. “Nos últimos anos, o número das prescrições aumentou expressivamente. Infelizmente, o município de Itapira não é uma exceção à regra”, afirma.

O médico lembra que substâncias como Clonazepam, Diazepam e Alprazolam, entre outras estão entre os cinco medicamentos controlados mais vendidos no Brasil. “A maioria das prescrições de benzodiazepínicos ocorre em serviços de atenção primária, comumente, como estratégias terapêuticas complementares em casos de depressão ou, como estratégias terapêuticas alternativas em casos de insônia e de transtornos de ansiedade”, frisa.

Sartori afirma que ainda em 2017, quando passou a atuar como médico do PSF (Programa de Saúde da Família) na UBS ‘Pé no Chão’, já se espantou com o número de casos de abuso ou de uso crônico desta classe de medicamentos. Porém, nos dois últimos anos passou a notar o desconhecimento de muitos dos usuários de benzodiazepínicos sobre as consequências mais comuns de seu uso, como déficits cognitivos, alterações motoras, sedação excessiva, tolerância e dependência.

“Alguns dos meus pacientes, em consultório, utilizavam benzodiazepínicos havia décadas e nem mesmo sabiam me dizer o momento no qual tinham iniciado o seu uso ou o motivo do início. Muitos nem mesmo consultaram um médico neste sentido, iniciando uso independente. O uso inapropriado é altamente deletério”, revela.

Para o médico, ouvir os indivíduos e compreender suas demandas e experiências é bastante importante nesse contexto. “Gostaria de entender até onde o desconhecimento deles acerca dos riscos relacionados com o abuso ou com o uso crônico teria inviabilizado o ‘desmame’, isto é, a interrupção medicamente controlada do uso destas substâncias. Neste caso, seria necessário que a comunidade, e não somente estes indivíduos, estivessem minimamente conscientes deste problema de Saúde Pública”, explica.

Foi pensado nisso que o grupo formado por Sartori, pela psiquiatra e psicanalista Adriana Rapelli e pelo psicólogo e psicanalista José Antônio Zago, idealizou algumas iniciativas, entre elas o um simpósio intitulado “Dependências Silenciosas”, concretizado em julho passado. A expectativa é que as atividades do Ciclo e Conferências que agora se inicia proporcionem informações que poderão embasar, no futuro, estratégias mais eficientes para esse ‘desmame’ dos medicamentos.

“Neste simpósio, coordenado pelo CAPSad (Centro de Atenção Psicossocial – Álcool e Drogas) e pela Secretaria Municipal de Saúde, reiteramos a importância de mantermos estas iniciativas. Exatamente neste contexto, organizei este Ciclo de Conferências. Nelas, não somente explicarei melhor sobre os aspectos relacionados com os variados usos destes medicamentos, mas tornarei mais conhecido o problema de Saúde Pública, aumentando a chance de sensibilização dos usuários, assim como dos seus amigos e familiares, à adesão a estratégias de ‘desmame’”, conclui Sartori.