Franklin Cunha era muito querido e conhecido na cidade (Divulgação)
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Amigos e familiares se despediram, na semana passada, do ex-policial militar Luiz Hermínio Franklin da Cunha, falecido aos 59 anos em razão de problemas de saúde. Pai de três filhos, ele deixou também uma neta, além de irmãos e outros parentes.

A notícia da morte de Frank, como era carinhosamente chamado pelos amigos e familiares, pegou muita gente de surpresa e motivou diversas homenagens. Nas redes sociais, o assunto também atraiu muita atenção, dada a popularidade dele.

A maior parte das manifestações foi motivada por sua atuação na Polícia Militar, corporação na qual atuou por 11 anos. Algumas homenagens destacaram, inclusive, que ele teria atuado na ROTA (Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar), o que na verdade não ocorreu. “Muita gente achava isso, pois ele era de uma época da Polícia Militar em que os fardamentos eram parecidos”, disse ao Itapira News um de seus irmãos, o também policial militar Marcelo de Assis Franklin da Cunha.

Ainda na fase militar – foram 11 anos de serviços policiais (Divulgação)

Ainda consternado pela passagem do ente querido, Cunha, como é conhecido na corporação, contou que Frank entrou na PM em 1983 e saiu em 1994, motivado principalmente pela “desvalorização da carreira militar” e pela dificuldade de “adaptação” às mudanças provocadas pela nova democracia, depois do período da ditadura. “Muitos policiais pediram baixa nessa época, meu irmão foi um deles”, comentou Cunha, que hoje segue em serviço e já acumula quase 30 anos de farda.

Frank não atuou diretamente na ROTA, mas seus primeiro cinco anos de trabalho foram em Itapecerica da Serra, município situado na Grande São Paulo. Depois, veio para Itapira e atuou por mais seis anos, inclusive ao lado do irmão também policial. Ao deixar a carreira militar, Frank voltou a trabalhar como atacadista no ramo de cereais, o que já fazia antes do ingresso na PM.

Tempos depois, montou uma barraquinha de caldo de cana e pastéis na Vila Pereira, onde se tornou ainda mais conhecido. Na carreira policial, conquistou a admiração e o respeito dos colegas e se tornou figura indesejada dos criminosos. Chegou a ser condecorado, juntamente de parceiros, pela eficiência em serviço.

Cinco irmãos – sendo quatro homens – somente Frank e Cunha entraram na Polícia. Nos últimos anos, Frank também surpreendeu a própria família ao se envolver com movimentos motociclísticos, chegando a fundar um motoclube batizado de ‘Lobisomem’ e adquirir um triciclo. Por isso, seu velório registrou a presença de muitos amigos – entre eles, vários policiais, mas também diversos motociclistas de várias cidades e estados.

“Ficamos realmente surpresos. Eu revi companheiros de polícia, muitos aposentados ou atuando há muitos anos longe daqui, que fazia muito tempo que não via. Delegados, guardas, policiais civis e militares vieram prestar a última homenagem. Mas fiquei também muito surpreso com a presença do pessoal da motos, vários motoclubes. Isso nos emocionou muito”, disse Cunha.

Ao centro, durante patrulhamento com as antigas viaturas da Polícia Militar (Divulgação)

O policial também fez questão de registrar um momento que percebeu durante a cerimônia de despedida. “Vi um gari entrando no velório e saiu chorando muito. Não era parente, não era conhecido da família. Mas meu irmão era um cara que ajudava muita gente especialmente com relação a alimentação. Sei de algumas coisas sobre isso, sei que ele oferecia café pro pessoal do caminhão de lixo. Certamente essa pessoa foi ajudada por ele em algum momento de dificuldade. Ele estava muito emocionado”, revelou.

Para Cunha, as muitas manifestações nas redes sociais sobre a morte de seu irmão comprovam o que a família e os amigos mais próximos já sabiam. “Ele deixa um legado de amizade e alegria. Essa é a mensagem que fica. E essa reportagem do Itapira News também ajuda a demonstrar isso. É uma homenagem póstuma que serve para eternizar seu nome”, finalizou. O corpo de Frank foi sepultado no Cemitério Municipal da Saudade na tarde do dia 3 de maio. Sua missa de sétimo dia está marcada para esta quinta-feira (10), às 19h30, na Igreja Matriz de Nossa Senhora Aparecida dos Prados.