Maradona durante ocorrência de apreensão de drogas, em janeiro: trabalho encerrado (Arquivo/Itapira News)
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Após sete anos de bons serviços prestados à área da Segurança Pública em Itapira, o cão farejador ‘Maradona’ foi aposentado de suas funções no GOC (Grupo de Operações com Cães) da GCM (Guarda Civil Municipal). O integrante do chamado ‘canil’ encerrou a carreira oficialmente na última sexta-feira, dia 2 de março.

A oficialização da aposentadoria foi sacramentada com a assinatura de uma portaria pelo prefeito José Natalino Paganini (PSDB). Dotado de chip e classificado como “patrimônio municipal”, seu desligamento das atividades exigiu o procedimento burocrático. Até mesmo uma homenagem ao farejador deverá ocorrer nos próximos dias na Câmara Municipal.

‘Maradona’, como foi carinhosamente e criativamente apelidado pela corporação, chegou ao GOC em fevereiro de 2011. Cerca de sete meses antes, havia sido adotado pelo guarda civil municipal Paulo Borges, membro do Canil. O labrador foi encontrado na região da Usina Nossa Senhora Aparecida, bastante debilitado, com ferimentos e doenças.

“Um amigo que trabalhava na Usina me avisou que havia um cão que aparecia lá há três meses, sempre faminto. Ele era alimentado com as sobras das marmitas dos trabalhadores. Em agosto de 2010, ele acabou levando o cachorro para a casa dele e no mesmo dia eu fui vê-lo. Mesmo debilitado, eu joguei uma bolinha e ele correu pegar, já querendo brincar. Naquele momento resolvi que ficaria com ele”, lembra Paulo Borges.

Ele conta que, nesta época, a idade do cão era estimada entre 10 meses e um ano – por ter sido provavelmente abandonado, não há data certa de seu nascimento. O cão foi vacinado e recebeu tratamento veterinário adequado, recuperando-se totalmente. Em fevereiro de 2011, ‘Maradona’ foi incorporado ao Canil da GCM, passando atuar, inicialmente, em eventos públicos e apresentações conhecidas como ‘dog show’ em entidades e escolas, por exemplo.

Paulo Borges e Maradona (Arquivo/Itapira News)

A partir de maio de 2011 ele começou a participar das ocorrências e logo demonstrou grande talento e capacidade de trabalho para localizar entorpecentes. Maradona ficou muito conhecido não só das crianças de escolas e entidades, como também de pessoas com condutas criminosas. Ganhou fama como um dos melhores farejadores da região. E, por seu faro apurado em favor do combate ao tráfico, chegou a receber várias ameaças de morte.

“Ele foi ameaçado muitas vezes. Chegavam informações de que os bandidos queriam dar fim nele. Não temos a quantidade exata de drogas apreendidas por sua atuação, mas realmente foi muita coisa. Em praticamente 100% das ocorrências que participou, tivemos êxito em localizar algo ilícito”, frisa o guarda civil municipal.

A fama rendeu a Maradona convites para participar também de apresentações em outras cidades, além de apoiar operações de outras corporações, tanto da Polícia Militar local, quanto de Guardas Municipais e Polícias Militares de cidades vizinhas e também do Sul de Minas. Era também reconhecido e aplaudido pela população em eventos cívicos e desfiles. E também atuou, com outros cães do GOC, em contenção de distúrbios e intimidação de suspeitos.

Desde janeiro, o farejador já vinha passando por um processo de readeaquação, sendo preparado para encerrar a carreira. Após longos anos de treinamento e atuações, é necessário que ocorra esse trabalho para que o cão compreenda que, a partir de agora, pode descansar e levar uma rotina normal como a de qualquer outro cachorro. Maradona continuará aos cuidados de Paulo Borges, que o adotou há oito anos.

A despedida do farejador de suas funções despertou reações emocionadas na GCM. Não só membros do GOC, mas de toda a corporação. “Ele já cumpriu os trabalhos dele e agora chegou o tempo do merecido descanso. Vai deixar muitas saudades, não só da minha parte, mas de toda a tropa. O Maradona executou muitos trabalhos importantes em prol da segurança da população, com um poder de faro inigualável”, comenta o comandante da GCM, César Martucci.

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Maradona e os filhotes (Divulgação)

Maradona deixa sua função no Canil da Guarda, mas deixa não só um legado de bons trabalhos, mas também uma prole de cinco filhotes – dois machos e uma fêmea – oriundos do romance do cão com a também labradora Aisha – cotada para ser sua sucessora, também com atuação de destaque nas operações.

Da ninhada nascida no dia 15 de fevereiro, a expectativa é que um ou dois cães permaneçam no GOC, também para serem treinados como farejadores. “Se demonstrarem o mesmo talento do pai e da mãe para esse tipo de trabalho, com certeza vão ficar”, destaca Martucci.

Atualmente, além de Aisha, outros três cães atuam no GOC: Valente, um pastor alemão, Tango, um rottweiler, e Adus, um pastor belga malinois. Além de Paulo Borges, a equipe do Canil também conta com os guardas Claudinei, Palandi, Martinelli e o encarregado Paulo Martins. O GOC iniciou suas atividades em 2005 e, desde então, diversos outros cães farejadores também atuaram com destaque nas atividades. Um deles foi Hanstin, que morreu em outubro de 2016, já aposentado, depois de prestar serviço durante cinco anos na corporação.

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