Câmara recebeu cartazes com questionamentos, em movimentação na noite de quarta (Paulo Bellini/Itapira News)
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Depois de supostamente ter sido boicotada, a audiência pública convocada pelo Movimento Popular ‘Se a Cidade Fosse Nossa’ está confirmada para a noite desta quarta-feira (27) na sede da OAB (Ordem dos Advogados de Itapira).

A atividade começa às 19h30. A audiência estava marcada para quarta-feira passada, mas foi adiada após ficar sem local – a Câmara Municipal e a Escola Estadual ‘Antônio Caio’ não autorizaram a realização do ato.

Os organizadores acusaram a Prefeitura de agir para tentar impedir a realização do evento. A Câmara informou que o grupo fez a divulgação de forma antecipada, sem a deliberação da Presidência, e que o plenário passaria por reformas no mesmo dia do evento.

Já a Secretaria Estadual de Educação disse que a realização de eventos nas dependências de escolas dependem de prévia aprovação do Conselho Escolar, trâmite que não teria sido observado.

Os organizadores agendaram a audiência para debater a questão sobre a erradicação erradicação das leucenas – consideradas espécies invasoras – para substituição por árvores nativa – em diversas áreas da cidade.

A ação de reflorestamento, contudo, não vem sendo feita nas áreas afetadas como as margens do Ribeirão da Penha, do Rio do Peixe e do Córrego Santa Bárbara.

Inicialmente, a audiência seria realizada na Câmara Municipal, mas o grupo foi informado de que o espaço não poderia ser utilizado devido a supostas obras de reformas. Após ficar em local na semana passada, membros do movimento popular protestaram na porta da Câmara.

Cristiano Florence confirmou reagendamento da audiência (Paulo Bellini/Itapira News)

“Disseram que estão embasados em resoluções e leis que autorizam a supressão dessa espécie exótica, realmente isso é verdade, mas é preciso analisar o contexto. Aqui já temos uma vegetação estabilizada e as leucenas já cumprem com o papel do que seria uma mata ciliar nativa”, comentou o advogado Cristiano Florence, membro do movimento.

De acordo com ele, o que “espanta é a falta de planejamento e a velocidade com que esse processo está sendo feito”, bem como as “consequências que isso está trazendo para a cidade”.

“Um exemplo é o Conjunto São Judas, onde tiraram as leucenas e fizeram uma movimentação terra que agora está indo para o rio, provocando até mesmo coloração anormal na água que chega às torneiras. Não tem um plano, um projeto, programação, não existe licitação aberta para compra das mudas (do reflorestamento) e o pessoal da Secretaria de Agricultura e Meio Ambiente não está acompanhando o trabalho”, acrescentou.

  • RESPOSTAS

Florence afirma que a audiência pública foi a forma encontrada para obter respostas da Prefeitura sobre o projeto de erradicação e substituição das leucenas. “Você questiona a Prefeitura e ninguém sabe quem mandou fazer essa erradicação. Chamo de erradicação mesmo, pois até agora não foi plantada nenhuma outra árvore no lugar. Por que tanto empenho nessa erradicação? Sabemos que é uma espécie exótica, mas cumpria em parte o trabalho de mata ciliar”, argumenta.

Os organizadores também buscam respostas sobre os projetos de proteção e manutenção da qualidade da água do Ribeirão da Penha e do Rio do Peixe, bem como se as reclamações sobre a chegada de água com coloração anormal nas torneiras das residências possui alguma relação com a “demora para o início do reflorestamento com árvores nativas”.

O coletivo também questiona quais os motivos que levaram a administração a optar pela execução desse trabalho sem apresentar, antes, um projeto público detalhado, bem como quais projetos de construção de pontes e ruas ainda existem para as margens dos rios.

“Tais respostas, sabemos, não são simples. Por isso a necessidade da chamada audiência pública das matas ciliares. Fazendo desta uma oportunidade para todos os cidadãos compreenderem melhor os rumos que nossa Itapira está traçando”, diz o convite.