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Ativistas em frente ao Cristália, foto foi divulgada em portal sobre veganismo (Reprodução/Facebook)
Ativistas em frente ao Cristália, foto foi divulgada em portal sobre veganismo (Reprodução/Facebook)
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A direção do Cristália Produtos Químicos e Farmacêuticos informou que irá se reunir, na segunda-feira (02), com representantes de ativistas que fizeram uma ‘vigília’ defronte à matriz da empresa, na Rodovia SP-147 (Itapira-Lindóia). O ato ocorreu no dia 17 de maio e foi divulgado em um site de notícias voltado ao veganismo (filosofia de vida que tem por base os direitos animais e, por consequência, contrária à exploração animal).

O encontro agendado para 14h00, na sede do Sindusfarma (Sindicato da Indústria de Produtos Farmacêuticos no Estado de São Paulo), na capital paulista, atende ao pedido feito pelos ativistas em nota endereçada ao presidente da empresa, Ogari de Castro Pacheco, e entregue durante a manifestação pacífica.

Na ocasião, segundo a matéria veiculada pelo portal ‘Vista-se’, diversas pessoas permaneceram em frente ao complexo industrial empunhando cartazes que pedem o fim dos testes de produtos em animais.

Os rostos dos participantes aparecem desfocados na imagem que acompanham o texto. “O objetivo dos manifestantes é chamar a atenção da mídia sobre testes em animais”, destacou o texto veiculado pelo site ativista. O manifesto pacífico também citou o fato da empresa possuir parcerias junto ao Governo Federal. “Por determinação da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), todo medicamento comercializado no Brasil tem como obrigatoriedade uma fase de testes em animais antes de chegar às prateleiras. Assim, o governo brasileiro financia diretamente pesquisas com animais através do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) e do Finep (Financiadora de Estudos e Projetos)”, frisa o texto divulgado no site.

Carta endereçada ao Cristália pede alternativas aos testes com animais (Reprodução/Site Vista-se)
Carta endereçada ao Cristália pede alternativas aos testes com animais (Reprodução/Site Vista-se)

Na nota endereçada a Pacheco (ao lado), a ‘Frente Antivivisseccionista do Brasil’ justifica a vigília como sendo “em nome de todas as vidas de animais não humanos que aqui foram sacrificados, multados e torturados”.

Aos representantes da imprensa durante visita ao complexo industrial, na última quarta-feira, 28, o presidente do Cristália rebateu as acusações de que o complexo abriga os procedimentos citados e destacou a necessidade dos testes de alguns tipos de substâncias para que ofereçam a devida segurança aos humanos. “Não fazemos os testes aqui. Nós encomendamos esses testes que são necessários e que a Anvisa nos obriga a fazer. E isso é colocado como pecha de que maltratamos animais, como se fizéssemos experimentos com os bichinhos, o que é um absurdo total. Não tem nada disso aqui (na sede da empresa e demais unidades). Só temos o canil dos cães de guarda que dão suporte para a segurança patrimonial. O resto é fantasia”, rebateu Pacheco. De acordo com ele, “o Cristália desenvolve uma série de moléculas que precisam ser testadas”, o que acaba atraindo o protesto dos ativistas pró-animais.

Para o diretor de Relações Institucionais do Cristália, Odilon José da Costa Filho, “de início é importante frisar que esse não é um problema do Cristália, e sim da indústria farmacêutica”. “Não podemos assumir essa culpa e responder pelo experimento mundial. A primeira providência que tomamos  foi a de levar o tema para o Sindusfarma, pois o grupo que esteve aqui pediu uma reunião com a presidência da empresa. Eu sensibilizei o pessoal do Sindusfarma e estaremos reunidos com os representantes desses ativistas”, comentou.

Ele criticou também o fato de algumas publicações na internet terem grifado um trecho do discurso da presidente Dilma Rousseff (PT) durante inauguração da planta de Biotecnologia do Cristália, em agosto de 2013, quando ela afirmou que “em vez de quimicamente, os produtos são feitos com células de plantas ou animais”. “Isso demonstra total desconhecimento do que é célula animal. A primeira cepa que deu essa linhagem data de 1976, a partir de um rato, sendo então duplicada por meio de criogenia e multiplicada. Grifaram isso deduzindo que quando passa um animal a gente pega a célula. O grupo também exige que o Cristália demonstre quais são os métodos alternativos que vamos oferecer. Nós não temos autoridade de oferecer qualquer método alternativo, somos um setor regulado e somos obrigados a cumprir estritamente aquilo que a regulamentação pede, seja ela da Anvisa, do Ministério da Saúde, dos conselhos ou internacional”, enfatizou. Apesar disso, ele não considerou que os ativistas estejam “batendo em porta errada”. “Não sei qual a estratégia, pode ser para fazer pressão, mas nós não vamos para o embate. Agora, vamos à busca de soluções, também queremos métodos alternativos se houver e quanto houver”, concluiu.

Um dos setores da unidade farmacêutica do Cristália; segundo direção da empresa, testes obrigatórios são feitos por laboratórios contratados
Um dos setores da unidade farmacêutica do Cristália; segundo direção da empresa, testes obrigatórios são feitos por laboratórios contratados

Os ativistas cobram que o Cristália adote métodos alternativos – questão que, segundo representantes da empresa – esbarra no fato de que esses métodos ainda não existem em determinadas situações. Segundo a empresa, os testes em animais são realizados em laboratórios credenciados pelo governo e custam caro, sendo de interesse também da empresa que houvesse mais alternativas. “Quando existem alternativas, nós usamos, pois é muito mais interessante e muito mais barato também”, acrescentou o diretor industrial do Cristália, José Carlos Modolo.

Na nota, os ativistas afirmam que, “respaldados pela Constituição Federal, não aceitaremos, em hipótese alguma, os testes em animais, uma vez que a tecnologia para métodos alternativos e substitutivos são (sic) uma realidade na Pesquisa Nacional, instituídos, validados e em franca evolução pelo BraCVAM, adaptando à demanda nacional”. O órgão citado é o Centro Brasileiro de Validação de Métodos Alternativos, criado em 2012 a partir da reunião de pesquisadores do Instituto Nacional de Controle de Qualidade em Saúde (INCQS/Fiocruz), que buscam alternativas que dispensem o uso de animais em pesquisas laboratoriais. O trabalho, pioneiro na América Latina, ocorre em parceria com a Anvisa com o objetivo de validar e coordenar estudos de substituição, redução ou refinamento do emprego de cobaias em testes de laboratório.