Clovis Faria e Renato Barros com a neném que nasceu na viatura (Reprodução)
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Clovis Faria e Renato Barros com a neném que nasceu na viatura (Reprodução)
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Uma equipe do Samu (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência) da Baixa Mogiana vivenciou uma ocorrência inusitada no domingo (1), em Itapira.

Ao socorrer uma gestante que sentia contrações e solicitou a ambulância para ir ao Hospital Municipal, eles não imaginavam que o parto ocorreria dentro do próprio veículo.

A ocorrência começou por volta das 8h25, quando a Central Reguladora do serviço recebeu uma ligação solicitando o atendimento na Rua Espírito Santo, Vila Ilze. Lá estava a dona-de-casa Vera Lúcia Aparecida Estevão, 25, em sua 38ª semana de gestação.

Às 8h33 a viatura chegou ao local, composta pelo condutor e socorrista Renato Barros e pelo técnico em enfermagem Clóvis Faria. Mãe de outras três crianças com idades entre 2 e 6 anos, Vera Lúcia estava andando e foi sentada na ambulância, posição em que se sentia mais confortável. “Ela estava com contrações, mas não apresentava perda de líquido e nem sangramento, a pressão arterial e os sinais vitais estavam normais”, comentou Faria. “Colhemos os dados e o histórico dela, que já tinha tido três gestações, todas com partos normais”, resumiu.

Os atendimentos de praxe foram realizados por Faria durante o deslocamento. Barros lembrou que o percurso até o Hospital Municipal durou poucos minutos, com a viatura ingressando no pátio do Pronto Socorro às 8h40. Contudo, quando Faria desceu da ambulância e foi buscar uma cadeira de rodas para desembarcar a gestante, ela teve outra forte contração e entrou em trabalho de parto. “Quando voltei, percebi que o bebê já estava coroando”, disse o técnico de enfermagem, utilizando o termo conhecido para anunciar que o neném está nascendo.

A equipe de enfermagem e pediatria do Pronto Socorro foi acionada e prestou todo o apoio necessário, com o parto sendo feito dentro da própria ambulância, na porta do Pronto Socorro. “Não havia como remover a mãe da viatura, isso poderia gerar riscos a ela e ao bebê”, enfatizou Faria.

O trabalho de parto demorou poucos minutos, mas temo suficiente para chamar a atenção de populares. Assim foi o nascimento de Lorrany Eloísa, que se junta à irmãzinha Maria Alice, 2, e aos irmãos João Vitor, 4, e Luís Henrique, 6. “Muita gente ficou em volta, é uma coisa diferente e que desperta mesmo curiosidade”, reconheceu o pai das crianças e marido de Vera Lúcia, Tiago Aparecido da Silva, 25.

Após o parto, a mãe e a neném foram levados para a maternidade do Hospital Municipal. “É emocionante ver que o bebê está bem, mas na hora também há uma tensão muito grande. Precisamos manter a atenção e ser técnicos, avaliando as condições da mãe e da criança e ver se está tudo bem com os dois”, salientou Faria. “Realmente há uma tensão, mas em todas as ocorrências temos um protocolo a seguir e não podemos perder o foco daquilo que estamos fazendo. Não dá pra perder a concentração”, reforçou Barros.

Ele lembrou ainda que, caso o trabalho de parto tivesse começado durante o deslocamento, a ambulância seria estacionada e o atendimento seria feito no próprio local. “Se fosse parto normal, o protocolo preconiza que a viatura pare e o atendimento seja feito”, afirmou. “Temos todo o aparato necessário dentro da viatura. Neste caso, comunicamos a Central Reguladora e seguimos as orientações médicas”, completou Faria.

Com tudo normalizado, os agentes do Samu fizeram questão de tirar uma foto junto com Lorrany e foram parabenizados pelo atendimento à ocorrência inusitada.

Vera Lúcia recebeu alta já no dia seguinte e foi pra casa com a nova integrante da família. “Ela não quis esperar eu entrar no Hospital. Se tivesse esperado um pouco mais pra chamar o Samu ela tinha nascido aqui em casa”, brincou a mãe ao atender a reportagem do Itapira News. “Quero dar os parabéns ao pessoal do Samu que me atendeu e também do Hospital, agradecer por ter dado tudo certo. Que deus abençoe a todos”, finalizou.

OUTROS

Não é a primeira vez que um caso inusitado de parto marca a atuação de agentes do Samu na cidade. Ao menos outras duas ocorrências do tipo já foram registradas. Em uma delas, a ambulância foi acionada e, quando chegou ao local solicitado, a gestante já estava em trabalho de parto e o bebê nasceu na própria casa. Em outra, o parto começou durante o deslocamento, e aí foi adotado o protocolo citado por Barros.

Ainda assim, o coordenador regional do Samu, Wagner Tadeu Cezaroni, informou que as ocorrências dessa natureza não são muito comuns. “Geralmente, as mulheres em final de gestação já procuram atendimento com alguma antecedência, mas inúmeros fatores podem levar a acontecer esses fatos. Um deles é que cada mulher responde de maneira diferente às contrações, o que pode fazer com que espere mais para pedir a ambulância”, frisou o coordenador, que também parabenizou os agentes e demonstrou satisfação pelo atendimento prestado.