Linda ave chama a atenção em bairros de Itapira (Paulo Belllini/ItapiraNews)

Uma arara-canindé, também conhecida como arara-azul-e-amarela, se tornou uma visitante constante e ilustre nas imediações dos bairros Figueiredo e Jardim Galego, em Itapira.

Há cerca de um mês ela passou a ser vista em árvores, alambrados e até muros e grades e casas e estabelecimentos comerciais na região, encantando moradores e chamando muita a atenção de quem dá a sorte de passar por ali e poder observar a bela ave.

A arara costuma até mesmo acompanhar partidas de futebol no campo anexo ao bocha da Figueiredo e aproveita com certa frequência a calmaria das árvores no entorno da área verde ao lado da Secretaria de Promoção Social e também na Praça da Justiça.

Ave já se tornou conhecida da população (Divulgação e Pedro Guezzi/Reprodução)

A ave, inclusive, já parece não se assustar com a movimentação de veículos, tampouco com as pessoas que muitas vezes aproveitam a cena inusitada para registrar fotos e vídeos. Dia desses, ela permaneceu um bom tempo até mesmo no gradil da UBS (Unidade Básica de Saúde) da Figueiredo.

Apesar da presença da arara encantar boa parte da população próxima, o biólogo Anderson Martelli, diretor da Sama (Secretaria Municipal de Agricultura e Meio Ambiente), lembra que se trata de uma ave silvestre e que não deveria estar tão acostumada ao ambiente urbano.

“Nossas equipes da Patrulha Ambiental estão monitorando a presença dessa arara. Ainda na primeira quinzena de janeiro já fomos acionados. Algumas pessoas desejam pedem para que a gente capture para levar para outro local, mas isso não é adequado. A recomendação é justamente o contrário, ela deve permanecer livre”, comenta.

Arara-canindé não deve ser alimentada por humanos (ItapiraNews)

De acordo com ele, embora ela já apresente traços de domesticação, a população também deve evitar se aproximar demais e não deve, em qualquer hipótese, alimentar a ave, já que isso pode causar sérios danos à sua saúde.

Martelli acredita que a permanência da arara na região não será permanente. “Pode ser que ela tenha encontrado por ali, nas árvores do bairro, alguma fruta que serve de alimento, e pode ser que após um tempo essa oferta natural seja reduzida por conta das estações e ela migre para outro local. O ideal é apenas contemplar, não dar comida e deixar ela solta para seguir seu destino livremente”, frisou.

  • LIBERDADE

O veterinário Rodrigo Luiz Domingues, da Clínica Veterinária e Pet Shop Xodó, acredita que essa arara pode ser a mesma que já habitou durante algum tempo a região rural do Gravi.

De acordo com ele, é possível que ela seja uma das aves soltas por uma associação de preservação de araras para promover o repovoamento dessas espécies na região. O veterinário, entretanto, também desaconselha totalmente a eventual captura da arara.

Veterinário e biólogo orientam sobre cuidados e necessidade de preservação (Paulo Belllini/ItapiraNews)

“Se ela for capturada, terá que ser destinada a uma triagem e acabará ficando em cativeiro. Se ela for solta em qualquer região próxima, a chance de retornar ao mesmo local é muito grande. A orientação é justamente para que ninguém dê qualquer alimento a ela, para que ela busque a própria comida nos frutos e castanhas que a própria natureza oferece”, enfatiza.

Domingues também recomenda que as pessoas não tentem pegar ou tocar a ave, que mesmo parecendo “mansa” pode se assustar e reagir, causando ferimentos ou mesmo se ferindo. “Uma bicada de uma arara pode arrancar um dedo. O lugar dela é mesmo livre, na natureza. Ela vai buscando seu próprio alimento e aos poucos vai indo embora. Enquanto isso, podemos apenas curtir sua presença, contemplar sua beleza”, finaliza.

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