Policiais e guardas acompanharam explanações (Leo Santos)
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Major Mello Araújo apresentou detalhes do projeto (Leo Santos)
Major Mello Araújo apresentou detalhes do projeto (Leo Santos)
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O possível trabalho integrado entre a PM (Polícia Militar) e a GCM (Guarda Civil Municipal) voltou a ser debatido em Itapira.

O assunto foi detalhado na manhã do último dia 4, no auditório da Acei (Associação Comercial e Empresarial de Itapira), pelo comandante do 26º BPM/I (Batalhão de Polícia Militar do Interior), major Ricardo Augusto Nascimento de Mello Araújo.

A mesa da solenidade reuniu o presidente da Acei, José Aparecido da Silva, o prefeito José Natalino Paganini (PSDB), o presidente da Câmara Municipal Décio da Rocha Carvalho (PSB), o secretário municipal de Defesa Social e comandante da GCM, Clayton Ribeiro, o comandante da 3ª Cia de Polícia Militar, capitão Antônio Marcos Sanches de Toledo e o chefe da GCM, César Martucci.

O auditório ficou tomado por agentes de segurança lotados na PM e na GCM, bem como em órgãos como Departamento de Trânsito e Defesa Civil. O tema já havia sido debatido pelos comandantes das duas corporações junto ao prefeito no final de janeiro. A ideia é colocar em prática o projeto ‘Juntos somos mais fortes’, que visa organizar, de forma conjunta, as ações preventivas e ostensivas das duas forças de segurança pública.

No encontro, os policias e guardas foram apresentados oficialmente ao projeto e receberam propostas de como deverão atuar daqui pra frente. “Se eu disser que meus 45 policiais dão conta da segurança de Itapira, estou mentindo. Da mesma forma, se eu disser que os 80 guardas civis municipais dão conta da segurança na cidade, também não é verdade. Agora, se nos unirmos e chegarmos a quase 130 pessoas, aí podemos começar a falar em segurança”, defendeu o major Mello Araújo.

Na prática, o projeto prevê que as duas corporações se planejem de forma a traçar objetivos conjuntos, visando, especialmente, a comunicação entre as unidades em operação na cidade. “Muitas vezes passamos pela Praça Bernardino de Campos e vemos duas viaturas paradas, uma da Guarda e outra da Polícia. Isso é sobreposição, uma dessas viaturas poderia estar em outro ponto”, disse o oficial.

Mello Araújo, contudo, reconheceu que os agentes precisam “ter humildade” e “quebrar paradigmas”. “Só assim poderemos conversar e chegar a resultados positivos”.

Policiais e guardas acompanharam explanações (Leo Santos)
Policiais e guardas acompanharam explanações (Leo Santos)

Ele considerou que, hoje, a integração existente na cidade é exceção, e não regra. “Muitos guardas se dão bem com policiais e vice-e-versa. Ás vezes, um conversa com o outro e trocam informações valiosas para o combate ao crime. Mas, muitas vezes, as informações são preservadas em uma corporação para que ela faça aquela ocorrência. Hoje, a Polícia Militar e a Guarda não compartilham suas informações. Precisamos nos integrar de corpo e alma para conseguir fazer o trabalho juntos sem influenciar nos serviços de cada um e sem ferir a lei. Precisamos vencer essas barreiras”, frisou o comandante do Batalhão.

O projeto também prevê operações conjuntas, em que a GCM e a PM trabalhem unidas em bloqueios de trânsito ou cercos em bairros, por exemplo. O major também afirmou que é preciso que os agentes das corporações definam graus de prioridades das ocorrências de acordo com seu potencial ofensivo. Para isso, citou que não é interessante, como via de regra, que uma viatura permaneça cinco horas empenhada em uma ocorrência de apreensão de pequenas quantidades de entorpecentes.

Em vez disso, ao trabalhar com troca de informações, inteligência e cooperação, é possível direcionar os esforços para ações que possam oferecer resultados melhores. “Recentemente tivemos uma bela ocorrência da Guarda Civil Municipal, que apreendeu cinco quilos de crack. Antes disso, a Guarda também apreendeu quase 50 quilos de maconha. Isso incomoda o traficante. Mas, não quero dizer que não devemos mais apreender menor com cinco pedras de crack, e sim que essa não deve ser a única prioridade do patrulhamento. O crime está organizado e unido, e nós não estamos. Isso será benéfico a todos os moradores da cidade”, salientou Mello Araújo.

OTIMISMO

Paganini se mostrou otimista (Leo Santos)
Paganini se mostrou otimista (Leo Santos)

Paganini e Ribeiro também falaram durante o evento, e destacaram otimismo e esperança de que o projeto dê certo desta vez, já que medidas semelhantes já foram propostas em anos anteriores, sem sucesso.  “Tenho esperança que dê certo, as duas corporações têm qualidade, só precisamos sensibilizá-las no sentido de que precisam se unir. Não podemos ficar somente no papel, temos que ir pra prática mesmo”, comentou o prefeito.

“Sabemos de todas as dificuldades do Estado e da própria Guarda em conseguir efetivo, mas mesmo assim é necessário unir forças para combater o crime”, completou.

O secretário de Defesa adotou a mesma linha de raciocínio. “Estou otimista, até pelos laços estreitos com a Polícia Militar e, principalmente, porque não vai haver desvio de mando, ou seja, cada corporação continuará com seu comando normalmente. Só vai deixar de haver competição. Hoje, trabalha-se de forma separada, e unindo as corporações tenho certeza que já muda muita coisa”, concluiu.