Cristiano Florence confirmou reagendamento da audiência (Paulo Bellini/Itapira News)
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A audiência pública sobre as matas ciliares em Itapira foi adiada. O evento convocado pelo Movimento Popular ‘Se a Cidade Fosse Nossa’ estava agendado para a noite da última quarta-feira (20), mas acabou ficando sem local.

Os organizadores falam em “boicote” e acusam a Prefeitura de agir para impedir a realização do debate que tem como mote principal a erradicação das leucenas – consideradas espécies invasoras – para substituição por árvores nativa.

A ação de reflorestamento, contudo, não vem sendo feita nas áreas afetadas como as margens do Ribeirão da Penha, do Rio do Peixe e do Córrego Santa Bárbara.

Inicialmente, a audiência seria realizada na Câmara Municipal, mas o grupo foi informado de que o espaço não poderia ser utilizado devido a supostas obras de reformas.

Com isso, o local mudou para a Escola Estadual ‘Antônio Caio’, mas horas antes da audiência os organizadores foram informados de que a Diretoria Regional de Ensino, sediada em Mogi Mirim, teria impedido a realização do ato nas dependências da unidade.

Sem local para realizar o evento, o grupo optou pelo adiamento. A nova data será na quarta-feira, dia 27 de novembro, desta vez no auditório da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil).

Representantes do movimento, contudo, foram na porta da Câmara Municipal para deixar cartazes com mensagens ao poder público e críticas ao que classificam como “desmatamento”.

Câmara recebeu cartazes com questionamentos, em movimentação na noite de quarta (Paulo Bellini/Itapira News)
  • SEM RESPOSTAS

Os organizadores também convidaram representantes de diversas secretarias da administração municipal, mas não receberam qualquer retorno – exceto por um ofício da Sama (Secretaria Municipal de Agricultura e Meio Ambiente), que se resumiu a informar que as ações de erradicação estavam sendo conduzidas pela pasta de Obras e que o processo é devidamente legal.

“Disseram que estão embasados em resoluções e leis que autorizam a supressão dessa espécie exótica, realmente isso é verdade, mas é preciso analisar o contexto. Aqui já temos uma vegetação estabilizada e as leucenas já cumprem com o papel do que seria uma mata ciliar nativa”, comentou o advogado Cristiano Florence, membro do movimento.

De acordo com ele, o que “espanta é a falta de planejamento e a velocidade com que esse processo está sendo feito”, bem como as “consequências que isso está trazendo para a cidade”.

“Um exemplo é o Conjunto São Judas, onde tiraram as leucenas e fizeram uma movimentação terra que agora está indo para o rio, provocando até mesmo coloração anormal na água que chega às torneiras. Não tem um plano, um projeto, programação, não existe licitação aberta para compra das mudas (do reflorestamento) e o pessoal da Secretaria de Agricultura e Meio Ambiente não está acompanhando o trabalho”, acrescentou.

De acordo com o advogado, a audiência pública foi a forma encontrada para obter respostas da Prefeitura sobre o projeto de erradicação e substituição das leucenas. “Você questiona a Prefeitura e ninguém sabe quem mandou fazer essa erradicação. Chamo de erradicação mesmo, pois até agora não foi plantada nenhuma outra árvore no lugar. Por que tanto empenho nessa erradicação? Sabemos que é uma espécie exótica, mas cumpria em parte o trabalho de mata ciliar”, argumenta.

Os organizadores também buscam respostas sobre os projetos de proteção e manutenção da qualidade da água do Ribeirão da Penha e do Rio do Peixe, bem como se as reclamações sobre a chegada de água com coloração anormal nas torneiras das residências possui alguma relação com a “demora para o início do reflorestamento com árvores nativas”.

O coletivo também questiona quais os motivos que levaram a administrar a optar pela execução desse trabalho sem apresentar, antes, um projeto público detalhado, bem como quais projetos de construção de pontes e ruas ainda existem para as margens dos rios.

“Tais respostas, sabemos, não são simples. Por isso a necessidade da chamada audiência pública das matas ciliares. Fazendo desta uma oportunidade para todos os cidadãos compreenderem melhor os rumos que nossa Itapira está traçando”, diz o convite.

  • OUTRO LADO

A reportagem apurou que a Prefeitura está preparando um material para se posicionar sobre o assunto. Consultada pela reportagem, contudo, sobre as acusações de que estaria agindo para impedir a realização da audiência, a administração não se manifestou até a publicação desta matéria.

A Câmara Municipal disse, por meio de sua assessoria, que o grupo divulgou que o evento ocorreria no plenário antes de obter o deferimento do ofício protocolado na Casa, e reiterou que o local estava recebendo melhorias no piso, o que inviabilizou a utilização do espaço.

A assessoria da Secretaria de Estado da Educação de São Paulo informou que a utilização da escola dependeria de aprovação do Conselho Escolar, ao qual o pedido para que o ato fosse abrigado na unidade não foi submetido.

Matéria atualizada às 16h41 para inclusão das respostas da Câmara e da Secretaria.