Lívia com a foto e coleirinha da cachorrinha Mel, encontrada sem vida (Paulo Bellini/ItapiraNews)
publicidade

Um caso envolvendo a morte de uma cachorrinha durante a virada do ano ganhou repercussão e gerou comoção em Itapira.

A pequena Mel, uma cadelinha sem raça definida de apenas seis anos de idade, morreu depois de escapar do imóvel onde vivia, assustada em razão dos estampidos dos fogos de artifício.

Desesperada, ela conseguiu escapar, provavelmente pulando um portão, e fugiu, entrando em outra residência na região da Vila Penha do Rio do Peixe. No local, entretanto, havia outro cachorro que atacou Mel.

A cachorrinha, infelizmente, foi encontrada já sem vida, de manhã, pelo dono da casa. Ele mesmo viu postagens feitas em redes sociais divulgando o sumiço de Mel e manteve contato com a família para dar a triste notícia.

“Ela nunca tinha ficado sozinha nessa época do ano, mas neste ano nós fomos na casa da minha avó por duas horas. Quando voltamos, ela já não estava em casa”, conta Lívia Diniz, 17.

“Nós voltamos para casa justamente para ficar com nossos cachorros e só não encontramos a Mel. Aí fiz uma postagem no Facebook com uma foto dela, pedindo ajuda, e passamos a madrugada inteira procurando nas ruas”, completa.

A triste notícia chegou logo ao amanhecer. “Meu pai recebeu uma ligação de um homem informando que na noite anterior uma cachorrinha entrou na casa dele e infelizmente seu cachorro a matou. Ele viu minha postagem no Facebook e reconheceu a Mel”, lamenta.

Família de Mel lamenta perda da chorrinha de estimação (Paulo Bellini/Itapira News)

O caso reforçou a discussão sobre os danos provocados pelos estampidos de fogos de artifício. Cada vez mais as campanhas tentam conscientizar sobre os males provocados pelos altos ruídos, tanto aos animais, que se desesperam e fogem ou se machucam em suas próprias casas ao tentar se esconder, quanto ao seres-humanos, em especial idosos e autistas, por exemplo.

Vale lembrar que há, no mercado, opções de fogos somente com efeitos visuais, sem estampidos, mas muitas pessoas ainda optam pelos fogos acompanhados de bombas com alta propagação sonora durante a explosão.

  • MAIS CASOS

O caso de Mel não foi o único na cidade. Logo na manhã do dia 1° de janeiro havia inúmeras postagens nas redes sociais com tutores procurando seus cachorros e gatos que fugiram durante o réveillon por medo dos fogos, e também de pessoas que encontraram animais perdidos.

A veterinária Juliana Medeiros, da Clínica Xodó, conta que durante o plantão da virada do ano foram atendidos diversos casos de animais feridos por situações relacionadas à soltura dos fogos com estampido – desde brigas entre cachorros, atropelamentos e atropelamento seguido de óbito.

Portão que Mel escalou na tentativa de fugir dos fogos (Paulo Bellini/ItapiraNews)

“Como eles não entendem o que está acontecendo, entram em pânico com medo do barulho, afinal a sensibilidade auditiva deles é maior do que a nossa, então eles correm para tentar fugir e acabam se acidentando”, explica a veterinária.

Além dos animais de estimação, os fogos com estampido causam efeito negativo nos animais silvestres. Em Itapira, a Lei Municipal 5.760/2019 proíbe a soltura de fogos com estampido na cidade, mas a prática ainda é comum, seja em comemorações esportivas, religiosas ou no fim do ano.

A fiscalização, entretanto, é bem deficitária – incluindo aí a dificuldade de flagrante. Em nota, a Prefeitura disse que a Divisão de Fiscalização de Posturas recebeu somente uma denúncia a respeito da soltura de fogos em um bairro, mas sem qualquer imagem (foto ou vídeo) que identificasse o infrator.

Após a publicação desta matéria, a Prefeitura manteve contato com a reportagem do Itapira News para incluir a informação de que uma denúncia foi enviada com provas, rendendo a aplicação de uma multa no valor de R$ 2.077,40 ao infrator.

“Para que o setor possa autuar e multar é necessário ter provas. Quem tiver qualquer registro que permita identificar o autor pode enviar pelo Whatsapp (19) 3863-4610”, disse a assessoria.

“Espero que as autoridades fiscalizem mais esse tipo de situação e que as denúncias sejam apuradas, que sejam aplicadas multas e a lei seja realmente cumprida”, finaliza Lívia.

Caso da cachorrinha Mel gerou comoção nas redes sociais (Divulgação)
Matéria atualizada 06/01/2022 às 17h04 para informar denúncias feitas à Fiscalização de Posturas.
Print Friendly, PDF & Email

Publicidade - Anuncie aqui