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Membros do Saae, Sama e Cetesb estiveram em propriedades
Membros do Saae, Sama e Cetesb estiveram em propriedades
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A Cetesb (Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental) coletou diversas amostras de água no Ribeirão da Penha, bem como em lagoas de sedimentação de pelo menos duas empresas que atuam na extração de areia e argila na região rural do Cercado Grande, entre os municípios de Itapira e Serra Negra.

A operação ocorreu nesta quarta-feira (15) e foi motivada pelos problemas relacionados ao abastecimento de água em Itapira, depois que a ETA (Estação de Captação de Água) do Saae (Serviço Autônomo de Água e Esgoto) recebeu um grande volume de água carregada de sedimentos e aspecto barrento.

O problema começou na manhã do dia anterior, terça (14), quando a água começou a chegar com coloração turva em residências de vários bairros do município. No mesmo dia começou a faltar água nas torneiras, também em diversas regiões da cidade.

Ao detectar a situação, o Saae reduziu a capacidade de tratamento de água, o que gerou desabastecimento em alguns reservatórios. A suspeita principal é que a água com partículas de barro e outros resíduos tenha sido lançada, no Ribeirão da Penha, por alguma estação de extração de argila e areia instalada acima da captação. “Essa água levou uma grande quantidade de partículas de argila e outros sedimentos que, por serem extremamente leves e pequenos, passaram pelos filtros e entraram na rede”, explicou o chefe da ETA (Estação de Tratamento de Água), Paulo dos Santos.

O abastecimento começou a ser normalizado já na noite de terça-feira. Porém, ainda na noite de quarta-feira, a água turva continuava a chegar em alguns bairros. Isso ocorreu devido ao acúmulo dos sedimentos nos encanamentos, com a situação sendo regularizada gradativamente, à medida que a água límpida ia chegando aos reservatórios e passando pelas redes.

As vistorias foram feitas por dois técnicos da Cetesb, com acompanhamento de membros do Saae (Serviço Autônomo de Água e Esgoto) e da Sama (Secretaria Municipal de Agricultura e Meio Ambiente). Em pelo menos duas propriedades foram detectadas água na mesma coloração da que foi lançada no Ribeirão da Penha. Em uma delas, uma lagoa apresentava sinais recentes de descarga, sendo que o único destino é o Ribeirão da Penha. Em outra, uma vistoria prévia da Sama, ainda na terça-feira, já havia detectado a água correndo por uma valeta em direção ao rio, com a mesma tonalidade. Os proprietários, porém, negaram que tenham cometido qualquer irregularidade.

Problemas teriam sido causados por lançamento irregular
Problemas teriam sido causados por lançamento irregular

Segundo informou a Agência Ambiental da Cetesb em Mogi Guaçu, a responsabilidade dessas mineradoras no tocante ao problema gerado em Itapira só poderá ser confirmada com o resultado da análise das amostras coletadas. O prazo para que isso ocorra pode variar entre cinco e 15 dias.

Ao todo, são sete estações homologadas de extração de areia ou argila em operação às margens do rio que abastece a cidade e que ficam localizadas acima da captação de água. Todas seriam vistoriadas. Segundo apurado pela reportagem junto à Cetesb, somente após a finalização das vistorias será possível determinar alguma sanção aos responsáveis pelas empresas que, por ventura, tenham cometido irregularidades. A Sama informou que seguirá acompanhando o caso.

Segundo o presidente do Saae, José Armando Mantuan, a interrupção do faturamento diante da suspensão do fornecimento de água e os custos com produtos químicos e energia elétrica para tratar a água com problemas geraram um prejuízo na ordem de R$ 25 mil à autarquia. Entretanto, ele disse que ainda não sabe se uma ação será movida no sentido de cobrar as perdas, já que isso também depende dos resultados das vistorias da Cetesb.

O biólogo da Sama, Anderson Martelli, frisou que, ao menos teoricamente, a água lançada no Ribeirão da Penha não possui elementos químicos. Mesmo assim, existe o risco de degradação ambiental. “Com essa seca que estamos vivendo, jamais vista nos últimos 70 anos, dentro do rio precisa ter água e não sedimentos, que podem sim causar degradação ao corpo d’água”, considerou. Ele enfatizou, contudo, que tudo isso será constatado nas amostras colhidas pela Cetesb. A reportagem tentou conversar com o secretário municipal de Agricultura e Meio Ambiente, José Alair de Oliveira, mas ele não foi encontrado para comentar o caso.