Alunos deixam escola que foi a primeira a ser ocupada em Itapira
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Alunos deixam escola que foi a primeira a ser ocupada em Itapira
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A Escola Estadual ‘Antônio Caio’ foi desocupada pelos estudantes contrários à reorganização escolar na manhã desta segunda-feira (7). A unidade estava interditada pelos manifestantes desde o dia 25 de novembro e foi a primeira de quatro escolas a ser ocupada em Itapira.

A desocupação ocorreu por voltas das 7h30 e foi acompanhada por professores e diretores da unidade. Cerca de 15 alunos que permaneciam na escola saíram empunhando cartazes e cantando um refrão da música ‘Tempo Perdido’, do grupo Legião Urbana. Antes disso, porém, eles acompanharam a vice-diretora Solange Simionatto em uma vistoria na escola, a fim de verificar as condições do prédio. De acordo com ela, a estrutura estava preservada e sem danos aparentes. As atividades na escola foram retomadas imediatamente após a desocupação.

A Escola Estadual ‘Pedro Ferreira Cintra’, na Vila Ilze, segue ocupada por estudantes desde o dia 26. A expectativa é que o protesto seja encerrado nas próximas horas. A desocupação da ‘Antônio Caio’ foi motivada pelo adiamento do processo de reorganização escolar que iria fechar 93 escolas e transferir 311 mil alunos em todo o Estado de São Paulo. A Secretaria Estadual de Educação defendia que a implantação de ciclos únicos de ensino nas unidades afetadas favoreceria a qualidade da educação, mas a intenção passou a enfrentar resistência de parte da comunidade escolar ao ignorar, conforme crítica dos estudantes, a necessidade de diálogo abrangente com a sociedade.

Vice-diretora acompanhou alunos em vistoria no prédio
Vice-diretora acompanhou alunos em vistoria no prédio

O governo paulista, contudo, rebateu afirmando que houve diálogo e que a medida seria implantada a partir de 2016, o que motivou ocupações de centenas de escolas e protestos nas ruas, inclusive com repressão da PM (Polícia Militar). Em Itapira, além da ‘Antônio Caio’ e da ‘Pedro Ferreira Cintra’, outras duas escolas foram ocupadas por alunos: a ‘Cândido de Moura’, no Jardim Raquel, e ‘Elvira Santos de Oliveira’. Na primeira, a manifestação terminou no mesmo dia da ocupação. Já na ‘Elvira’, a saída dos alunos ocorreu após três dias de permanência, mediante ameaças de grupos contrários à manifestação.

No último sábado (5), o governador Geraldo Alckmin (PSDB) cedeu à pressão e revogou o decreto que autorizava a reorganização escolar. A intenção do governo é adiar para 2017 o processo, prometendo diálogo amplo com a comunidade no próximo ano.

Solange recebe cadeado de portão das mãos de Vitória: fim da ocupação
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Uma das alunas envolvidas na ocupação da ‘Antônio Caio’, Vitória Ferreira, 22, disse que apesar da decisão de Alckmin e conseqüente desocupação, os estudantes vão continuar acompanhando o caso. “Acredito que mesmo que não tivéssemos conseguido que ele (governador) voltasse atrás já sairíamos vitoriosos. Ele sentiu na pele o que estávamos sentindo, que foram as pessoas lutando contra sua vontade, e ter conseguido essa vitória foi revigorante pra gente. Não vamos parar de lutar, pois sabemos que ele quer continuar com esse projeto e se for preciso voltamos a ocupar a escola. Vamos seguir resistindo”, comentou a estudante.

Durante a ocupação, a unidade abrigou eventos culturais, palestras, feira de livros, shows musicais e apresentação de teatro, além de diversas rodas de debates. Os alunos se organizaram em grupos responsáveis pela limpeza, segurança e alimentação e mantiveram o movimento de maneira pacífica e organizada. Agora, a direção espera concluir o ano letivo e fechar as notas até o Natal. A impossibilidade do fechamento do calendário escolar, inclusive, era a maior crítica de professores e diretores que se posicionaram contrariamente ao movimento.