Erradicação de espécies provocou imbróglio entre concessionária e administração (Leo Santos)
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Erradicação de espécies provocou imbróglio entre concessionária e administração (Leo Santos)
Erradicação de espécies provocou imbróglio entre concessionária e administração (Leo Santos)
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O corte radical de árvores em uma área verde às margens da Avenida Paulo Lacerda Quartim Barbosa, no Parque Santa Bárbara, gerou uma crise entre a Prefeitura de Itapira e a CPFL (Companhia Paulista de Força e Luz) – concessionária de fornecimento de energia elétrica na cidade.

A erradicação das espécies arbóreas foi feita na tarde de sexta-feira por uma equipe da empresa. No local passa um córrego que segue em direção à região da Santa Fé e do Bairro dos Pires.

O corte atingiu uma área de 900 metros quadrados e, segundo a CPFL, foi necessário para evitar riscos a linhas de transmissão de energia que passam pelo local. A Sama (Secretaria Municipal de Agricultura e Meio Ambiente), no entanto, afirma que a concessionária não tinha autorização para proceder com a supressão e informou que irá aplicar multa à empresa. Logo após o corte, servidores da pasta municipal e membros do Comdema (Conselho Municipal de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável) foram ao local para averiguar a situação.

Para a Prefeitura, a CPFL também terá que fazer a compensação ambiental, plantando novas mudas.  A área afetada é considerada APP (Área de Proteção Permanente). A CPFL, por sua vez, informou que a intervenção realizada na área “foi executada para garantir a segurança da população e a continuidade do fornecimento de energia na região do bairro Santa Bárbara”.

A empresa informou que uma avaliação técnica mostrou que a vegetação estava a um metro de distância de uma linha de transmissão de 138 mil volts, o que poderia ocasionar acidentes graves e até fatais. “Por se tratar de uma rede de alta tensão, a distância considerada segura é quatro metros”, descreveu nota encaminhada à imprensa.

A CPFL também garantiu que “dispõe de toda a autorização necessária para realizar a ação, como órgãos reguladores do setor elétrico, Cetesb (Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental)”, destacando também que a Sama “estava ciente da intervenção realizada”. “Quando realizam poda em árvores, técnicos da CPFL seguem critérios para evitar agressões desnecessárias às espécies. Engenheiros e eletricistas a serviço da empresa recebem informações teóricas e práticas para executar a poda de maneira correta. Os trabalhos são monitorados pelos especialistas em meio ambiente”, descreve a nota.

POSIÇÃO

Na segunda-feira (11), a Sama informou que ainda não havia emitido a multa à CPFL, pois aguardava um posicionamento oficial da concessionária.

Em nota, o secretário municipal de Agricultura e Meio Ambiente, José Alair de Oliveira, garantiu ser contra a ação da empresa. “A Sama não se opõe que haja intervenção em baixo de rede elétrica de alta tensão, desde que realizada com critérios técnicos, uma vez que temos que preservar o fornecimento de energia e a segurança da população, porém, a nosso ver, as árvores não deveriam ser erradicadas, principalmente as de pequeno porte. E em relação às árvores de médio e grande porte, a poda em muitos casos já é suficiente’, descreveu.

O técnico ambiental da Sama, Fábio Alexandre Giovelli, revelou que não é possível mensurar a quantidade de árvores erradicadas. “Não houve a contagem exata das árvores suprimidas, pois o local está com muitos galhos no chão. Após a retirada desses galhos é que será possível uma contagem exata”, explicou.