Pacientes temem quem atendimento da hemodiálise sejam interrompidos (Divulgação)
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A grave crise que há muito tempo afeta a Santa Casa de Misericórdia de Mogi Mirim também está prejudicando pacientes de Itapira, em especial os que dependem da instituição para realizar tratamentos de hemodiálise no vizinho município.

Ao todo, segundo informado pela Secretaria Municipal de Saúde de Itapira, 35 pacientes itapirenses fazem hemodiálise em Mogi Mirim. Os grupos são divididos em três turnos, sendo que 20 realizam o processo às segundas, quartas e sextas, e mais 15 às terças, quintas e sábados.

Endividada e em um processo já antigo de desentendimento com a administração municipal de Mogi Mirim, a Santa Casa da cidade corre o risco de enfrentar novas paralisações de funcionários e colaboradores, incluindo médicos que atuam no Setor da Hemodiálise.

É o que preocupa pacientes que dependem do serviço, com a itapirense Gilza Aparecida Gonçalves, 53, que já fez transplante no passado e desde agosto de 2018 precisou retornar às sessões de hemodiálise.

“Os médicos dizem que não estão recebendo seus pagamentos e que vão parar. Tem enfermeiros trabalhando também sem ter recebido o 13º salário ainda. Tem paciente que fazia três horas e meia de hemodiálise e o tempo da sessão foi reduzido para duas horas”, comenta.

De acordo com ela, o temor é que o serviço seja paralisado e que os pacientes da região tenham que ir mais longe para fazer o procedimento de limpeza e filtragem do sangue em decorrência de doenças renais. “Nosso medo é ter que ir fazer a hemodiálise em São João da Boa Vista ou até mesmo ficar sem”, desabafa.

  • PAGAMENTOS

A reportagem solicitou um posicionamento da Santa Casa de Mogi Mirim, mas não houve retorno até a publicação da matéria. Em nota divulgada recentemente, a Prefeitura de Mogi disse que fez um pagamento de R$ 472 mil no dia 28 de fevereiro.

Já nesta semana, o prefeito Carlos Nelson Bueno (PSDB) apresentou uma proposta para que a Prefeitura assuma o controle do hospital. “Entendo que é possível transformar radicalmente a Santa Casa, mas é uma pena que haja resistência tão grande para que a administração assuma a direção”, disse.

A Prefeitura da cidade também alega que tem cumprido “rigorosamente seus compromissos com a Santa Casa no pagamento dos convênios” e que “a quantia paga mensalmente ao hospital é de aproximadamente R$ 2,5 milhões”.

“Ocorre que foram verificadas irregularidades na movimentação das contas da Santa Casa no valor de R$ 13 milhões em verba pública transferida em conta de terceiros, o que descumpre a Constituição Federal. Houve, ainda, pagamento irregular e movimentações estranhas ao convênio no valor de R$ 645 mil, o que impossibilita a Prefeitura de fazer novos repasses, enquanto não for devolvido ou justificada a ausência do recurso”, destaca a nota.

Segundo a Prefeitura, diante dessa situação os valores serão depositados em juízo até que a Justiça determine a forma correta para o repasse. “O município optou por priorizar a vida e o atendimento dos pacientes formalizando pontualmente o pagamento da hemodiálise à Santa Casa, mas estará atento a utilização do dinheiro público por parte da direção da instituição”, finaliza o texto.