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Cartazes protestam contra governador Geraldo Alckmin (PSDB) em escola ocupada
Cartazes protestam contra governador Geraldo Alckmin (PSDB) em escola ocupada
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Apesar da promessa de diálogo junto aos estudantes e sociedade em geral, o governador Geraldo Alckmin (PSDB) publica nesta terça-feira (1º) o decreto que torna oficial o processo de reorganização escolar da rede em todo o Estado de São Paulo.

A informação foi veiculada durante o fim de semana por diversos órgãos de imprensa, que também noticiaram que o governo paulista adotará uma estratégia para “desmoralizar” as ocupações. A intenção é ligar os movimentos à Apeoesp (Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo), partidos políticos e movimentos sociais.

No último domingo (29), o grupo Jornalistas Livres vazou um áudio em que chefe de Gabinete da Secretaria Estadual de Educação, Fernando Padula, afirma que policiais militares foram incumbidos de fotografar placas de veículos estacionados próximos a escolas ocupadas, com o objetivo de identificar as pessoas que apoiam as manifestações e verificar se são ligadas ao sindicato, partidos ou movimentos, ou se ao menos não são integrantes da comunidade escolar abrangida pela unidade.

No áudio, Padula fala em adoção de “tática de guerrilha” e em estratégias para “manipular”. “Nessas questões de manipular, tem uma estratégia, tem método. O que vocês precisam fazer é informar. Fazer a guerra da informação [para convencer a sociedade sobre os supostos benefícios da reorganização], porque é isso o que desmobiliza o pessoal”, disse.

Ao jornal O Estado de S. Paulo, o chefe de Gabinete admitiu o encontro e criticou o vazamento do áudio que revelou parte das conversas. A publicação do decreto, segundo ele, visa criar o mecanismo legal para implantar as mudanças no ensino paulista. Padula também admitiu a revisão da alteração de ciclo em um dos colégios da capital, que transferiria crianças de 11 anos para a região da cracolândia, na região central de São Paulo.

A presidenta  da Apeoesp, Maria Izabel Azevedo Noronha, criticou duramente a postura do governo de Alckmin. “O áudio mostra claramente a insensibilidade do governador, do secretário da Educação e do próprio chefe de Gabinete para com os anseios e necessidades dos estudantes e de suas famílias. Eles querem prosseguir com a reorganização sem nenhuma alteração, ao mesmo tempo em que dão declarações públicas de que estariam dispostos ao diálogo. O chefe de Gabinete propõe utilizar o diálogo apenas para enganar a sociedade. Não há qualquer intenção de ceder um milímetro. Deixa claro na reunião que ao oferecer mudanças muito pontuais e localizadas, já prevendo que serão rejeitadas, o objetivo é demonstrar que quem está ‘radicalizando’ é o ‘lado de lá’. Querem usar conversas com grupos de pais, escolhidos a dedo, para massificar a versão da Secretaria, sem qualquer tipo de debate”, disse, em nota publicada ontem no site oficial da entidade.