Delegado seccional, Dr. José Antônio, deu posse ao novo titular de Itapira, Dr. Anderson Lima
Publicidade - Anuncie aqui também!
Dr. Anderson Lima fez desabafo sobre situação da Delegacia (Arquivo)
Dr. Anderson Lima fez desabafo sobre situação da Delegacia (Arquivo)
Publicidade - Anuncie aqui

O delegado titular da Delegacia de Polícia de Itapira resolveu expor publicamente a situação dramática pela qual passa a Polícia Civil não só no município, como em muitas outras cidades do Estado.

Ao convocar a imprensa para uma entrevista coletiva na tarde da última sexta-feira (13), a autoridade revelou o quadro reduzido de profissionais que atuam na Delegacia, fator ao qual atribui a baixa celeridade dos andamentos das investigações e processos internos.

Itapirense nato, Dr. Anderson – como é conhecido – destacou que atualmente a Delegacia local funciona graças ao respaldo constante do delegado seccional José Antônio Carlos de Souza, que está providenciando o envio de cinco escrivães para auxiliar nos trabalhos.

Ao lembrar que nos anos 1990 o município possuía dois distritos policiais ativos além da Delegacia e seis delegados em atividade, ele fez um comparativo com o quadro atual e demostrou sua própria preocupação com a Segurança Pública no município. “Hoje Itapira necessita de 40 policiais civis e está apenas com 19, sendo que sete são carcereiros e oito estão com tempo de aposentadorias. O que estou fazendo, trazendo vocês da imprensa aqui, tem o objetivo de mostrar à população que, com esse número de pessoas, não tem como dar conta de todo o serviço”, afirmou.

O delegado disse ser cobrado nas ruas sobe a atuação da Polícia Civil e que muitas vezes acaba não tendo respostas convincentes. “Sou de Itapira, tenho amigos e familiares aqui. Quero o bem desta cidade e, por isso, quero sua segurança”, disse. Além de Dr. Anderson, os outros dois delegados que atuam em Itapira – Raquel Casali e Erivan Vera Cruz – também dão plantões em outros municípios coordenados pela Delegacia Seccional, já que nessas localidades também há falta de material humano.

Além da falta de investigadores na Delegacia, Dr. Anderson lembrou ainda que muitas vezes precisa deslocar alguns dos profissionais para serviços externos, como escoltas de presos às audiências de custódias, transporte de presos e apresentações de menores ao Ministério Público, por exemplo. “Esse trabalho demanda pessoas. E se elas não estando investigando, como é que iremos elucidar crimes?”, frisou. Para o delegado, hoje a maior demanda de crimes a serem elucidados no município diz respeito ao tráfico de drogas. “A Polícia Militar e a Guarda Municipal realizam os combates de vendas das drogas. Mas cabe à Polícia Civil investigar e chegar ao ‘patrão’. E isso só se faz através de investigação. E leva tempo para isso. Mas sem investigadores, como é que conseguiremos combater o tráfico? Não tem jeito”.

OAB E MP

Dr. Anderson também informou que protocolou pedidos para que o MP (Ministério Público) e a OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) acompanhem a situação da Polícia Civil em Itapira e busquem meios de pressionar o Governo do Estado para que providências sejam tomadas visando à melhoria das condições de trabalho. Ele também disse que já manteve contato com o prefeito José Natalino Paganini (PSBD) para solicitar mais apoio. Sobre sofrer possíveis represálias por conta das declarações, o delegado que, no mínimo, poderá ser “advertido”. “Eu sei que muita gente não vai aprovar o que estou fazendo. Mas não posso ficar parado. Volto a repetir: se não fosse o apoio do delegado seccional, não sei o que estaria acontecendo nesta Delegacia”.