Dr. Anderson Lima é delegado titular em Itapira (ItapiraNews/Arquivo)

O delegado titular de Itapira, Dr. Anderson Cassimiro de Lima, se manifestou sobre as repercussões do caso envolvendo denúncia de zoofilia em Itapira.

De acordo com ele, um inquérito policial já havia sido instaurado antes mesmo da movimentação ocorrida na residência do acusado, na região do bairro dos Prados, depois que a Polícia Civil recebeu denúncia de que maus tratos e abuso que vinham sendo praticados contra cães e gatos.

A manifestação do delegado vai de encontro à polêmica que se instalou após a movimentação no dia 6 de abril, que reuniu as vereadoras Maísa Fernandes (PSD), de Itapira, e Sônia Módena (Cidadania), de Mogi Mirim, e o deputado estadual Bruno Lima (PSL), que também é delegado.

No dia da operação, policiais civis de Itapira e agentes da Patrulha Ambiental fizeram o acompanhamento dos parlamentares que são ligados à causa animal. O homem acusado, entretanto, não foi preso, e os animais – cerca de 40 entre cães e gatos – permaneceram na residência em razão da ausência de locais para abrigá-los, segundo informações divulgadas no mesmo dia.

Depois disso, contudo, o assunto ganhou contornos de embate, com questionamentos sobre os motivos pelos quais o acusado não havia sido preso. O deputado também publicou conteúdos com críticas ao titular da delegacia local.

“Diferentemente do vinculado, foi instaurado o inquérito policial para apurar os fatos; todas as diligências foram tomadas, todas as provas produzidas e acostadas a procedimento investigatório; inclusive recebemos a informação de que as estruturas de abrigo a animais de nossa cidade estão superlotados passando por grandes dificuldades”, disse Dr. Anderson em comunicado emitido nesta sexta-feira (16).

De acordo com ele, a necessidade dos esclarecimentos se fez após a repercussão do caso com “informações destoadas” que causaram “perplexidade junto à comunidade”. Segundo o delegado, diante das investigações e com as provas juntadas aos autos, o inquérito foi concluído e encaminhado ao Poder Judiciário, sendo proposto o afastamento do investigado do convívio dos animais.

“Todo procedimento de apuração foi realizado e de forma rápida e dentro da lei. Há um questionamento do motivo pelo qual não se registrou o caso como ‘zoofilia’. Eu explico: o termo é utilizado para nominar uma patologia, uma parafilia, estando na Classificação Internacional de Doença (CID -10, categoria F65.8.). As ações dessa patologia geram o cometimento do crime que foi devidamente registrado, investigado e encaminhado ao Poder Judiciário”, disse o delegado, que disse estar à disposição para atender “qualquer representante da defesa dos animais ou qualquer cidadão” para demonstrar os atos adotados no caso.

  • ANIMAIS

Na última quinta-feira (15), o deputado Bruna Lima publicou em suas redes sociais que havia oficiado o MPSP (Ministério Público de São Paulo) e que a Justiça havia decretado a busca e a apreensão dos animais abrigados na casa do homem acusado dos abusos. 

Segundo apurado pela reportagem, no dia da operação o acusado foi retirado de sua casa. Porém, por ser idoso e ter problemas de saúde – inclusive a suspeita de patologias mentais – ele novamente foi acolhido na casa onde se encontram os animais.

As informações no início do caso também eram de que os crimes atribuídos ao acusado foram denunciados pela própria família por não saber mais como lidar com a situação. Após o caso se tornar público, entretanto, familiares do homem registraram boletim de ocorrência contra os parlamentares em razão do que classificaram como “invasão domiciliar”.

Ainda conforme apuração, a Patrulha Ambiental teria acionado a Secretaria Municipal de Promoção Social para que o homem receba atendimento psiquiátrico. A reportagem solicitou a confirmação do Ministério Público sobre a informação de que um mandado de busca e apreensão dos animais foi expedido e aguarda resposta.

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