Após um ano dos primeiros casos de coronavírus no Brasil, a adoção do home office se popularizou e, mesmo com a volta gradual às atividades presenciais, muitas empresas adotaram o sistema híbrido, ou seja, alguns dias de trabalho de forma remota com alguns dias de idas ao escritório.

As medidas de segurança, entretanto, devem ser mantidas mesmo com número reduzido de colaboradores dentro das companhias.

Para as atividades que são essencialmente presenciais ou para as empresas que adotaram a volta parcial de seus funcionários no local de trabalho, a instituição deve optar pela ventilação natural e reduzir ao máximo o número de trabalhadores por metro quadrado.

“Deve ser disponibilizado álcool gel, realização de turnos em áreas comuns como refeitório, sala de reunião e auditórios, uso obrigatório de máscara durante toda a jornada de trabalho e a troca delas ao longo do dia”, reforça Augusto Cesar Guedes, docente da área de Segurança do Trabalho do Senac Itapira.

Já os funcionários devem cumprir todas as medidas adotadas pela empresa e colaborar com informações que possam ajudar a empresa, eliminar o risco de contaminação entre os trabalhadores e preservar as atividades operacionais.

No caso das famílias que possuem prestadores de serviço que sejam essenciais para garantir as atividades domésticas, Augusto César aponta que as máscaras devem ser fornecidas, o distanciamento social mantido e em caso de qualquer sintoma o trabalhador deverá comunicar o empregador e permanecer em casa até que não haja mais risco de transmissão.

No entanto, uma dúvida que continua é em relação aos custos gerados pelo trabalho remoto. O docente esclarece que por obrigação legal, não existe nada aplicável ao fornecimento de insumos, materiais e condições para exercer as atividades de forma remota por parte das empresas.

“O que algumas organizações fazem é custear algumas despesas para estimular esse formato de trabalho, como pagamento de auxílio energia e internet e empréstimo de equipamentos eletrônicos que possam atender a demanda do trabalho e possuam os requisitos básicos para acesso aos sistemas”.

Além das questões legais, Luis Siliano, também docente de Segurança do Trabalho, ressalta que a falta de ergonomia adequada no home office pode acarretar problemas de saúde.

“Por se tratar de um ambiente familiar, as pessoas tendem a realizar as tarefas sentadas no sofá, cadeira e até mesmo na cama. Esses hábitos serão um agravante na pós-pandemia em relação as doenças ocupacionais de postura e trabalho repetitivo (digitação), que terá um nexo causal com as atividades desenvolvidas no home office”, aponta.

Portanto, a primeira regra a ser seguida, de acordo com Luis, é procurar um local, onde possa sentar corretamente e obter conforto para desenvolver suas atividades, apoiar o braço para trabalhos em computadores e não apoiar o telefone ou celular no ombro para conversas de longa duração que não seja possível segurar o aparelho.

Neste caso, deve-se utilizar o viva voz do celular. A segunda dica é periodicamente, levantar e alongar o corpo, caminhar dentro da residência, mesmo que seja para tomar água ou ir ao banheiro, isso ajuda a modificar a rotina e evitar o adoecimento de músculos.

Por último, é importante comunicar a empresa de alterações ou dores e desconfortos que sinta ao desenvolver as atividades, para que o médico possa avaliar as informações e solicitar exames necessários e fazer indicações de exercícios. “Por ser um ambiente particular, a empresa não consegue monitorar, dessa maneira as informações passadas pelo trabalhador são fundamentais para ações preventivas e corretivas no âmbito da ergonomia”.

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