Dona Mafalda: quase três décadas à frente do negócio (Divulgação/Acervo familiar)
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Após quase 30 anos de bom atendimento e muitas delícias, a Doceria Mafalda encerrou suas atividades em Itapira.

O negócio familiar, fundado em 1993 pelo casal Mafalda Franceschini Ranzatto e Laércio Ranzatto, fechou suas portas oficialmente no final de julho, finalizando um período de quase três décadas de muito trabalho e sucesso.

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O ponto final nas atividades já vinha sendo ensaiado pela família, especialmente pelo filho do casal, Laércio Aparecido Ranzatto, que seguia à frente do atendimento. De acordo com ele, nos últimos anos o volume de vendas vinha caindo em razão de diversos fatores.

Desde a grande concorrência, com o aumento dos pequenos negócios voltados ao mesmo tipo de produtos, até a presença de confeiteiros próprios nos supermercados e padarias, que durante muitos anos representaram alguns dos principais clientes da doceria instalada em um imóvel na Rua Padre Ferraz.

“A doceria começou depois que meu pai ficou desempregado. Minha mãe Mafalda já sabia fazer doces e ele pediu a ela que o ensinasse. Fizeram então um doce de abóbora e ele levou no antigo Supermercado Mixtro e deixou lá para vender em pedaços. No mesmo dia, à tarde, ligaram pedindo mais doces, pois já tinha vendido tudo”, lembra Laércio, hoje com 74 anos.

Laércio, filho do casal fundador da doceria: momento de parar (Paulo Bellini/ItapiraNews)

Era o início de uma época de ouro que estenderia por pelo menos duas décadas. A novidade representava também a superação de um período de dificuldades na família, e por isso o casal se apressou em estabelecer um rígido padrão de qualidade, seguindo todas as normas sanitárias e de higiene, além de começar a investir em equipamentos e mão-de-obra.

Mafalda já tinha seus dotes de confeiteira desde a adolescência e compartilhou os conhecimentos e técnicas com o esposo e com o filho, que também já passou a trabalhar no local. As vendas aumentaram quando a doceria passou a fornecer quitutes para grandes eventos juninos, como as festas de clubes sociais da cidade e também de fazendas. Passaram também a atender casamentos e festas de aniversário.

A grande demanda gerou contratações de funcionários, mais a família que trabalhava todo dia desde o fim da madrugada até o início da noite para dar conta dos pedidos. “Era uma verdadeira linha de produção, chegamos a produzir mil quilos de doces por dia. Tanto que depois de um tempo paramos de atender as festas grandes e concentramos nos clientes menores e no atendimento direto das pessoas que iam comprar”, conta.

O casal Mafalda e Laércio – ele, em um dos poucos momentos de informalidade na doceria, com traje de fim de semana durante visita de familiares (Divulgação/Acervo familiar)

Contudo, o falecimento do patriarca da família, há cerca de cinco anos, já começou a sinalizar a etapa final do negócio. Há alguns meses, Dona Mafalda também parou de atuar na doceria. A pandemia trouxe ainda mais dificuldades, com a necessidade do isolamento da matriarca junto a outro filho.

Da equipe que no passado chegou a envolver quase uma dezena de pessoas, Maria Zanchetta era a única funcionária restante.

“Sempre foi nosso braço direito, é da família também. Precisamos dispensar os funcionários e ela permaneceu até agora, mas infelizmente também chegou a hora de findar essa história. Atuei minha vida inteira nesse negócio, fiz minha vida e criei meus filhos, vendemos muito. Mas, hoje, preciso descansar, cuidar da saúde. Resistimos até quando deu”, diz Laércio, em um tom sentimental de despedida, mas também de missão cumprida.

Dona Mafalda com o cantor Sérgio Reis, visita ilustre na doceria (Divulgação/Acervo familiar)

O encerramento das atividades também já vinha sendo pleiteado por seus próprios filhos, Rodrigo e Raquel. Há alguns anos o movimento já vinha caindo bastante. Foram muitos anos de muitas vendas, mas isso mudou.

“Eu não queria, pois tenho uma ligação muito afetiva, sempre fui apaixonado pelo negócio. Tivemos os anos de ouro nos anos 1990. Mas é preciso aceitar que acabou. Agradeço a todos nossos clientes e amigos que nos apoiaram durante tantos anos e todas as pessoas que de uma forma ou de outra fizeram parte dessa história. Muito obrigado”, finaliza.