Reunião não agradou interventoras da Uipa
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Reunião não agradou interventoras da Uipa
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Uma reunião para receber novos associados e marcar a data de eleição da diretoria da Uipa (União Internacional Protetora dos Animais) de Itapira terminou com saldo muito polêmico. O encontro, ocorrido na Casa da Cultura ‘João Torrecillas Filho’, na tarde do dia 26, acabou revelando uma crise no relacionamento entre a administração municipal e quatro dos cinco componentes da comissão interventora à frente da instituição desde dezembro.

O estopim para a animosidade seria o fato do prefeito José Natalino Paganini (PSDB) ter descumprido um acordo com parte da comissão. Tal acordo, segundo a interventora Vivian Maria Guerreiro, 24, estabeleceu que a reunião seria agendada para um sábado, na parte da manhã, favorecendo assim todos aqueles que tivessem interesse em fazer parte do quadro social da Uipa de Itapira.

Diferentemente disso, a Prefeitura marcou o encontro para uma quinta-feira, com início às 17h00, o que impediu que muita gente pudesse participar – incluindo a maioria da comissão interventora, que foi representada apenas pelo secretário municipal de Agricultura e Meio Ambiente, José Alair de Oliveira – membro do poder público no grupo. Além de Vivian, as demais interventoras – Ana Carolina Moisés dos Santos, Regiane Formigari e Maria Aparecida de Souza – também não conseguiram marcar presença.

O grupo que atualmente administra a Uipa foi representado, na ocasião, por um funcionário e cinco voluntários. A pauta do encontro foi dirigida por Oliveira e pelo advogado Victor Belli de Carvalho, procurador da Secretaria Municipal de Negócios Jurídicos e Cidadania. Foram recebidas 26 associações, que agora também representam o número de pessoas aptas a votar na eleição que ficou agendada para o dia 14 de julho, no mesmo endereço, às 17h30. O pleito tem por objetivo findar o processo de intervenção municipal na instituição, decretado em dezembro passado mediante irregularidades detectadas na sede da Uipa, no Jardim Raquel.

Na reunião também ficou decidido que somente as pessoas que assinaram a lista de presença poderão se candidatar à diretoria da entidade, o que revoltou as quatro mulheres que compõem o grupo interventor, com trabalho elogiado à frente da instituição. “Foi uma manobra pra tirar as pessoas que estão cobrando as obrigações da Prefeitura e evitar questionamentos. O prefeito havia dado a palavra de que a reunião seria feita em uma manhã de sábado para que todos os interessados pudessem participar, mas isso não foi cumprido. Tentamos diversas vezes mudar, entramos em contato com a Prefeitura, mas nem retorno nós tivemos”, criticou Vivian.

Oliveira e Carvalho dirigiram encontro polêmico
Oliveira e Carvalho dirigiram encontro polêmico

Segundo declarações dadas ao jornal Tribuna de Itapira, o grupo do qual ela faz parte tem “pelo menos 60 pessoas que querem se tornar associadas da Uipa e que não conseguiram ir à reunião devido ao horário e dia que ela foi marcada”. “Entre elas, pessoas que querem fazer parte da diretoria. A Regiane (médica veterinária integrante da comissão) tinha oito cirurgias para fazer, eu trabalho em Campinas, as outras pessoas tinham compromissos, trabalham e estudam. Questionei o Vitor (procurador jurídico) sobre o motivo de marcar a reunião neste dia e ele disse que a Prefeitura queria evitar que fosse muita gente. Nós, pelo contrário, achamos que quanto mais gente melhor. Não temos problema algum em falar com a população”, completou a interventora.

Uma das voluntárias da Uipa presente na reunião, Taís Boretti, 19, chegou a questionar o motivo de a reunião ter sido marcada em dia diferente do acordado com o prefeito. O secretário de Agricultura limitou-se a responder que o encontro foi agendado e anunciado e que “data é data e horário é horário”.

Ela também afirmou que, antes da reunião começar, o procurar jurídico da Prefeitura disse que poderia ser discutida a possibilidade de que um novo encontro fosse agendado para que os ausentes pudessem se associar. “Mas, na hora da reunião, ficou decidido que não teria outra data, que somente os presentes poderiam se associar e votar. A reunião foi direcionada, não nos querem mais na direção da Uipa porque nós realmente batemos de frente”.

José Alair de Oliveira argumentou que não foi comunicado sobre o acordo feito entre os demais membros da comissão interventora e o prefeito. “Essa reunião foi feita de acordo com a Secretaria de Negócios Jurídicos. Esse acordo não foi passado para o representante da Prefeitura na comissão, que sou eu. Então estipulamos esse dia e horário, pois também temos que ver o lado dos funcionários da Prefeitura que não podem trabalhar aos sábados. Então, a maioria vence”, declarou. Segundo o procurador jurídico da Prefeitura, o prefeito foi cientificado sobre a ocorrência da reunião na quinta.

Na reunião também ficou definido que as chapas concorrentes deverão ser apresentadas no mesmo dia da eleição, sendo formadas por quatro pessoas, que ocuparão cargos de presidente, vice-presidente, tesoureiro e secretário. O grupo eleito deverá formar outras divisões, como diretoria executiva e conselho. Desde a intervenção, decretada no dia 3 de dezembro do ano passado, um processo administrativo tenta apurar as responsabilidades pelas irregularidades na Uipa. Segundo a Prefeitura, o caso ainda está sendo analisado.

REPERCUSSÃO NEGATIVA

Intervenção foi decretada em dezembro pela Prefeitura (Divulgação)
Intervenção foi decretada em dezembro pela Prefeitura (Divulgação)

Os fatos ocorridos em torno do assunto ganharam não só contornos polêmicos como também repercutiram de forma muito negativa nas redes sociais. A página oficial da Uipa de Itapira no Facebook divulgou um comunicado com duras críticas à forma com que o assunto foi conduzido. “Indignação é a palavra de hoje. Foi feita a reunião para cadastramento de associados e estamos revoltados com as decisões tomadas. O único membro da comissão interventora que participou foi o senhor José Alair, que nunca nos ajudou a desenvolver nenhuma atividade na Uipa e hoje tomou decisões sem consultar os demais membros da comissão interventora ou os voluntários que ajudam a Uipa”, publicaram os responsáveis pelo canal.

O texto reforçou que Paganini descumpriu o acordo, também direcionando críticas ao chefe do Executivo. “Ressaltamos que, em uma reunião prévia realizada maio com o prefeito José Natalino Paganini e com o José Alair, nós pedimos que esta reunião fosse num sábado e que tivesse ampla divulgação. Eles nos deram a palavra que assim seria, mas percebemos, da pior maneira, que a palavra não é suficiente para algumas pessoas e o fio do bigode não vale mais nada. Imediatamente comunicamos a Prefeitura que não estávamos de acordo com a data e horário agendado, eles nem se deram ao trabalho de nos retornar”, continuou o comunicado, que recebeu inúmeros comentários de internautas desaprovando o ato da municipalidade.

O comunicado também questionou sobre “quem irá assumir a gestão da UIPA e qual o interesse por trás disso tudo?”, além de protestar com a seguinte frase: “politicagem com cachorro abandonado e mau tratado (sic) não!”. O grupo estuda tomar medidas até mesmo na esfera judicial. “Tem gente até querendo fazer manifestações, e eu estou segurando por enquanto, pra tentar reverter juridicamente”, ressaltou Vivian. Paganini não foi à reunião. As interventoras descontentes com a Prefeitura também criticaram a Prefeitura, afirmando que além da liberação da verba mensal à instituição (que totaliza R$ 70 mil ao ano).

Vivian rebateu, por exemplo, declarações do secretário de Agricultura e Meio Ambiente de que a administração municipal ofereceu todo o suporte necessário às atividades da Uipa, principalmente no tocante à manutenção, com cessão de funcionários para realizar serviços de roçagem e reparos diversos na sede da instituição. “É mentira”, disparou Vivian. “Inclusive, tivemos que pedir até roçadeira emprestada, pois nem isso (roçar) a Sama (Secretaria Municipal de Agricultura e Meio Ambiente) não fez. Aliás, fez somente em janeiro, depois nunca mais. Cansei de mandar ofício e email pedindo os serviços, mas nem retorno foi dado. O Paganini e o ‘Zé Alair’ foram à Uipa somente no dia da intervenção e nunca mais voltaram. O prefeito também prometeu que iria colocar um funcionário da Prefeitura na Uipa, e não cumpriu. A única coisa que a Prefeitura fez foi tirar gestão anterior, nos colocar e continuar liberando a verba. A diferença é que agora o dinheiro é usado por pessoas honestas. Não fizeram mais nada”, criticou.

Para a interventora, a forma com que a Prefeitura conduziu o assunto representa realmente uma “tentativa” de tirar as pessoas que integram a comissão interventora da gestão da Uipa. “Estamos cobrando muito as obrigações da Prefeitura e estamos questionando os motivos pelo qual a Uipa chegou à situação em que estava quando teve a intervenção, já que havia fiscalização da própria Prefeitura. Pra mim, o que acontecia era uma troca de favores. A Prefeitura não cobrava muito da Uipa e as pessoas que estavam lá não cobravam nada da Prefeitura. Nós cobramos, inclusive, posicionamentos da polícia sobre o que devem fazer em casos de maus tratos de animais, já que é crime previsto em lei”, enfatizou. À reportagem, o veterinário Rodrigo Bertini, do Centro de Controle de Zoonoses, assegurou que as vistorias eram pré-agendadas e feitas regularmente, e que a situação piorou após a morte de uma das responsáveis pela instituição na antiga gestão. A assessoria de comunicação da Prefeitura não se posicionou sobre o assunto.

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