Lidiane criou técnica acolhedora (Divulgação)

Uma enfermeira brasileira teve uma ideia simples e muito acolhedora. Ela criou a ‘técnica da mãozinha’ para levar conforto físico e psicológico e melhorar a circulação sanguínea de pacientes internados.

Lidiane Melo, de 36 anos, trabalha na UTI (Unidade de Terapia Intensiva) de um hospital no Rio de Janeiro. Ela passou a utilizar duas luvas cirúrgicas com água quente, amarradas como se fossem bexigas, que ficam entrelaçadas com a mão do paciente.

Além de ajudar na melhoria da circulação, a técnica também ajuda a confortar as pessoas que se sentem sozinhas no leito. Ela conta que a ideia surgiu num momento de desespero, durante um plantão tenso no ano passado.

Vários pacientes davam entrada na emergência do hospital onde Lidiane trabalha na Ilha do Governador, Zona Norte do Rio, e ela não conseguia medir a saturação de oxigênio no sangue de um paciente.

“A mão dele estava muito fria. Enrolei em algodão ortopédico e atadura, que é uma prática prevista na enfermagem, mas não funcionou. A circulação não melhorava. Pensei em molhar a mão dele com água morna, mas por causa do risco de contaminação, a ideia não era boa. Pensei mais um pouco e coloquei a água morna dentro das luvas cirúrgicas e envolvi na mão dele”, conta Lidiane Melo.

A ideia inusitada deu certo. Em três minutos, o processo conhecido como perfusão – entrega do sangue nos tecidos do corpo – apresentou melhora significativa. Ela mediu a saturação do oxigênio e encaminhou o devido tratamento.

Embora tenha começado a usar a técnica ainda em 2020, somente neste mês ela encontrou uma foto no celular e resolveu postar nas redes sociais. A postagem viralizou e ela recebeu centenas de elogios e agradecimentos por sua dedicação.

  • ‘MÃO DE DEUS’

Lidiane conta que já aplicou técnica da mãozinha diversas vezes, como em num plantão no qual uma senhora ficou muito agitada quando soube que precisaria ser intubada. Ela não deixava a equipe fazer a sedação e dizia que não poderia morrer, que tinha filhas e netas e cuidava da família.

“Depois de uma conversa, ela pediu para eu segurar a mão dela. Disse que não podia, que tinha outros pacientes para atender, mas que ia fazer uma coisa. Fiz a mãozinha, ela se acalmou. Disse que parecia que eu estava segurando a mão dela, e eu disse que não era a minha, que era para ela pensar que era a mão de Deus, que ia ajudá-la a sair dali”, lembra a enfermeira, emocionada.

A paciente se curou, teve alta e Lidiane não parou mais de aplicar a ‘técnica da mãozinha’ ou a ‘mão de Deus’. “Sou muito apaixonada pelo que faço. É cansativo, desesperador às vezes perder 20 pacientes em um plantão de 12 horas, mas não sei fazer outra coisa. O dia que não for para me sensibilizar ou chorar com a dor do outro, paro de trabalhar na hora”, finaliza.

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