Estudantes deixaram a escola com pintura facial que simulava hematomas
Publicidade - Anuncie aqui também!
Estudantes deixaram a escola com pintura facial que simulava hematomas
Estudantes deixaram a escola com pintura facial que simulava hematomas
Publicidade - Anuncie aqui

A ocupação da Escola Estadual Elvira Santos de Oliveira (ESO), em Itapira, foi encerrada às 21h40 desta terça-feira (1º).

A unidade localizada na Santa Cruz havia sido ocupada por um grupo de estudantes na manhã do último sábado (28), em protesto contra a reorganização escolar responsável pelo fechamento de 93 escolas e pela transferência de 311 mil estudantes em todo o Estado.

No final da tarde desta terça, professores, diretores e pais de alunos se reuniram na escola para tentar convencer os estudantes a encerrarem a manifestação. A decisão de liberar as dependências da escola, contudo, só foi tomada no início da noite, depois que os alunos começaram a receber ameaças de invasão e depredação da unidade.

Segundo apurado pela reportagem, as ameaças já vinham ocorrendo ao longo do dia. A reunião de pais, professores e diretores começou às 18h00 e reuniu perto de 100 pessoas na unidade. Durante o ato, a diretora da ESO, Benedita Célia Monfredini Andrade, circulou um abaixo assinado entre os pais e fez um apelo pela desocupação da escola. “Estamos impossibilitados de trabalhar e enquanto houver ocupação não poderemos fechar o ano letivo. A reorganização não vai voltar atrás (sic)”, disse.

Diretora Célia abre porta da escola após desocupação
Diretora Célia abre porta da escola após desocupação

Alunos que ocupavam a escola e outras pessoas que os apoiavam – entre elas professores de outras escolas – também discursaram e defenderam a necessidade do movimento que visa pressionar o governador Geraldo Alckmin (PSDB) para que suspenda o processo de reorganização.

A reunião também concentrou bate-boca e até um princípio de tumulto entre populares e alunos, mas outras pessoas interferiram e evitaram uma possível briga. Antes do ato organizado pela direção da escola, porém, os estudantes começaram a receber mensagens em tons de ameaça. Algumas delas afirmavam que a escola seria invadida por pessoas portando bombas e armas. Logo após o final da reunião, quando os alunos ainda estavam em frente à escola, uma bomba foi jogada no pátio atrás do prédio.

Alguns alunos da ocupação correram atrás do suspeito de lançar a bomba, que foi apresentado a policiais militares que acompanharam parte da movimentação, mas ele não foi detido. A orientação, como não houve danos ou vítimas, foi para que os estudantes registrassem boletim de ocorrência do fato. Diante do temor de que a escola fosse realmente invadida durante a noite, os alunos se reuniram em assembleia que durou cerca de duas horas, decidindo pela desocupação do prédio.

Reunião, à tarde, foi marcada por confusão
Reunião, à tarde, foi marcada por confusão

A diretora foi informada da decisão, sendo solicitada a comparecer na escola para receber a chave e vistoriar as condições da unidade. Outros professores também foram ao local. A reportagem do Itapira News também acompanhou a liberação da unidade. Na saída, os alunos apareceram com os rostos pintados, simulando terem sido agredidos. A intervenção artística foi proposta e feita com auxílio de artistas teatrais que apoiaram o movimento dos estudantes. Eles deixaram a unidade cantando um trecho da música da banda Charlie Brown Jr que diz que “o jovem no Brasil nunca é levado a sério”. A mesma mensagem foi deixada nos quadros-negros de várias salas de aula.

Uma declaração sobre os motivos da desocupação e condições da unidade no ato da devolução foi lida e assinada pela diretora da escola, que disse desconhecer as ameaças recebidas pelos alunos. “Não queríamos que fosse dessa maneira, queríamos que fizessem a desocupação por justiça aos outros alunos. Por ameaça, não queríamos que isso acontecesse e, inclusive, desconhecíamos isso, foram eles próprios [os alunos] que nos informaram, mas eles tomaram a decisão certa”, disse Célia.

Ela considerou que a desocupação da escola representava uma “alegria muito grande e uma sensação de alívio” e confirmou que a unidade já voltará a funcionar normalmente a partir desta quarta-feira (2). De acordo com ela, o ano letivo, que seria fechado no dia 21, deverá ser estendido em dois dias, terminando no dia 23 de dezembro. As ocupações em Itapira continuam nas escolas Prefeito Antônio Caio, no São Vicente, e Professor Pedro Ferreira Cintra, na Vila Izaura. A escola Professor Cândido de Moura, no Jardim Raquel, também chegou a ser ocupada na semana passada, mas os estudantes desistiram da manifestação na tarde do mesmo dia alegando supostas pressões externas.