Deputado estadual Barros Munhoz falou sobre resultado das eleições em Itapira (Paulo Bellini/ItapiraNews)
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“Eu entendo como um puxão de orelha da população, e eu aceito isso”. Foi com essa frase que o deputado estadual José Antônio Barros Munhoz (PSB) comentou o resultado das eleições 2020 em Itapira.

Ao ver derrotado nas urnas o candidato Newton Santana (PSDB), ele fez uma espécie de mea-culpa e afirmou que sua atuação política pode ter “mais atrapalhado” que ajudado na campanha do aliado.

Santana foi a aposta do grupo governista para a sucessão do atual prefeito José Natalino Paganini (PSDB) e recebeu 14.427 votos, contra 19.488 que conduziram Toninho Bellini (PSD) ao terceiro mandato como prefeito de Itapira a partir de 2021.

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“Paguei um preço alto com minha intenção de melhorar a cidade, e achei que isso melhoraria também a situação política do grupo, o que lamentavelmente não aconteceu. Em grande parte, talvez por eu ter exagerado na dose. Muitas vezes fui contundente demais, às vezes até hostil. Paguei um preço caro por ter que assumir grande parte da condução das demandas da Prefeitura”, declarou o parlamentar em entrevista exclusiva ao Itapira News.

Considerado o guru do grupo político que governou Itapira desde 2013, ele sempre foi apontado como uma espécie de “prefeito paralelo” durante os dois últimos mandatos. Afirmou ter consciência de que a população não aceita esse tipo de situação, mas considerou que não tinha outra opção diante do que classificou como “compromissos assumidos”.

“Talvez o que mais tenha influenciado foi a minha atuação junto à Prefeitura, considerada até mesmo como uma ingerência. Eu sempre soube que isso era desgastante para mim, mas eu tinha um compromisso maior com a população. A segunda eleição do Paganini foi muito difícil e eu sabia que tinha que me comprometer, o povo acreditava em mim e eu prometi que estaria ao lado do prefeito para que Itapira tivesse uma boa administração. Mas eu tenho a consciência muito tranquila, sei que fiz o que me comprometi a fazer que era ajudar o prefeito Paganini e ajudar Itapira”, disse.

Munhoz durante voto no último domingo: esperança da vitória esbarrou em “desgaste e desejo de mudança” (Paulo Bellini/ItapiraNews)
  • REPÚDIO

Para o ex-prefeito e atual deputado, a vitória de Bellini com uma expressiva diferença de votos – mais de cinco mil – soa como um recado muito claro da população.

“Entendo como um puxão de orelhas, aceito isso e lamentou. Muita gente aprovou tudo o que fiz de dois anos para cá, participando ativamente das coisas da Prefeitura e colocando a casa em ordem, pois era um cenário muito problemático. Mas, também teve muita gente que não achou essa atuação adequada. Ficou um grande confronto, e entre dizer que eu ajudei ou atrapalhei, prefiro dizer que atrapalhei”, cravou.

Munhoz teceu elogios à atuação de Newton Santana, a quem classificou como um “candidato excelente” e que “brotou do povo”, sem necessidade direta de indicação. “Newton foi um grande candidato, mas pesaram o desgaste do grupo e o desejo de mudança”, avaliou.

Questionado se o alto número de obras em um curto espaço de tempo teria também despertado uma conotação de obras eleitoreiras, ele considerou que essa impressão realmente pode ter colaborado para o resultado das urnas. Foram mais de 120, conforme divulgado pela própria Prefeitura e bradado pelo grupo governista durante a campanha.

“Sem dúvida ficou essa impressão, mas é verdade também que o Paganini não teve condição de fazer tudo isso antes. As pessoas que nunca fazem nada acham que é fácil realizar as coisas. É como a antiga estrada vicinal de Itapira a Mogi Guaçu, há 40 anos eu luto pelas melhorias tão sonhadas por todos, e agora que está em vias realmente de acontecer”, comparou.

Deputado afirma que concorrerá à reeleição para deputado em 2022 (Paulo Bellini/ItapiraNews)
  • MORTE POLÍTICA?

O deputado também comentou a polêmica envolvendo uma declaração de que Itapira somente perdia para Paris em termos de iluminação pública e disse acreditar que isso não teve peso decisivo na derrota do seu grupo.

“Besteira, forçação de barra. Usaram isso de todas as formas, virou gozação, mas qualquer pessoa sabe que Paris é chamada de Cidade Luz e eu fiz uma brincadeira com isso por Itapira estar muito bem iluminada. Isso não afetou absolutamente nada”, justificou.

Ele também disse que não está morto politicamente – “como muitos estão dizendo” – e já fez questão de anunciar sua candidatura à reeleição para tentar o sétimo mandato na Alesp (Assembleia Legislativa de São Paulo).

“Se eu estiver morto, é a décima vez, pois sempre dizem isso. E se estiver, já estou ressuscitando. Serei o relator de um importante projeto do Governo do Estado, relacionado ao ICMS Ecológico, e estou com ótima relação junto ao governador João Doria.

O deputado disse ainda que “tem a consciência muito serena” e que segue “extremamente grato ao povo de Itapira. “Entendo o que aconteceu, sei que forcei a barra, mas o meu compromisso maior não era ganhar a eleição, e sim cumprir o que achava que tinha que cumprir”, finalizou.

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