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via Agência Brasil

O principal risco para idosos que enfrentam temperaturas muito elevadas que ocorrem em quase todo o Brasil está relacionado à desidratação, conforme alerta feito pelo vice-presidente da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia (SBGG), Leonardo Brando de Oliva.

Para se ter uma ideia, na última terça-feira (14) o Rio de Janeiro registrou sensação térmica de 58,5ºC.

“O idoso já é mais suscetível à desidratação do que as pessoas de outras faixas etárias, tanto pela diminuição da quantidade de água no corpo, mas também por redução de alguns mecanismos que protegem da desidratação”, afirmou Oliva.

“Nesse caso, o principal é o mecanismo da sede”, completou. O que faz as pessoas buscarem se hidratar é a sede. Só que, no caso dos mais velhos, esse mecanismo do sistema nervoso central envelhece à medida em que o envelhecimento avança.

Por isso, há a tendência de os idosos não sentirem sede, mesmo precisando de líquidos. “Se torna mais difícil buscar a hidratação, como aceitar a hidratação quando a gente a oferece”, explicou o médico.

Há idosos, por exemplo, que se negam a beber água. Isso ocorre porque eles não têm sede. “Eles não têm um mecanismo que os jovens possuem, que sinaliza que é preciso se hidratar”, acentuou.

Além disso, também envelhece no corpo humano, à medida que o tempo passa, o sistema de regulação da temperatura corporal.

“A gente tem mecanismos que aumentam a capacidade de trocar a temperatura com o calor, isto é, ceder a nossa temperatura. Isso se dá, principalmente, pela sudorese. Quando estamos com febre e tomamos um antitérmico até a febre baixar, a gente sua muito. Esse é um dos mecanismos que temos para trocar calor, ceder calor para o ambiente. E esse mecanismo da sudorese também pode estar prejudicado nos mais idosos”, sinalizou o especialista.

  • Vasodilatação

Do mesmo modo, pode haver prejuízo na capacidade de o ser humano se vasodilatar para trocar calor. Esse mecanismo também pode estar prejudicado nos mais velhos. Ou seja, além de buscar menos a hidratação, há mais dificuldade de liberar o calor do corpo para o ambiente, ou seja, diminuir a temperatura do corpo.

Segundo o médico, isso pode fazer com que o nosso sistema funcione mal. É preciso que haja uma temperatura regulada para que todos os órgãos e sistemas funcionem bem. Então, no momento em que a temperatura aumenta, há a chance de alguma coisa não funcionar bem e o idoso acabar adoecendo.

Quando alguém está exposto a extremos de calor, Oliva chamou a atenção que se deve estar atento, em primeiro lugar, à hidratação. “Não pode esperar a sede vir. É preciso ofertar líquidos o tempo todo, mas líquidos com sabor. Não só água, mas uma água saborizada, água de coco, suco leve, chá gelado. São líquidos que podem facilitar a aceitação”, opinou.

  • Temperatura

O segundo ponto é prestar atenção em relação à exposição ao Sol. Deve-se evitar ficar exposto ao Sol, principalmente no período [de mais calor] entre 10h00 e 16h00. Não se deve realizar atividades ao ar livre nesse horário, especialmente atividade física onde se produz calor no corpo.

“Deve-se procurar um ambiente mais fresco para que a temperatura do nosso corpo não aumente”, sugeriu o médico.

Em relação ao traje, ele disse que os idosos devem usar roupas mais leves e adequadas para a temperatura. “Essas são medidas que a gente pode fazer para evitar consequências ruins do calor extremo”, avaliou.

A seguir, o médico disse que, como o idoso não sente sede, uma forma de perceber se há desidratação ou não é na urina, tanto em termos de quantidade como de cor. “A urina que vai ficando escura é um sinal de desidratação e a gente precisa ter atenção com esse idoso que está com urina de coloração mais escurecida, para oferecer mais líquidos para ele”, finalizou.

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