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Construção modular é pioneira na cidade
Construção modular é pioneira na cidade
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Uma construção iniciada há cerca de um mês vem chamando a atenção de quem passa pela Avenida Brasil, mais precisamente no trecho conhecido por ‘Morro do Parque’. A edificação usa contêineres – estrutura metálica (contentor) utilizado no transporte de cargas.

A curiosa edificação inspirada em casas modulares servirá como escritório administrativo e técnico da empresa JF Telecon. O conceito já vinha sendo pesquisado há dois anos pelo empresário José Roberto Junqueira de Lima, 49. “Vi pela primeira vez uma construção assim em Santos, há dois anos. Desde então comecei a pesquisar e desenvolvi o projeto”, comentou.

Primeiro chegaram dois contêineres de 12 metros de comprimento. Depois, mais um, com a metade do tamanho, 6 metros. E, depois, outro, com esta mesma medida. Todos possuem 2,40 metros de largura e 2,48 de altura. Com uso de guindaste, os dois contêineres maiores foram acondicionados sobre uma base de baldrame, feita depois que uma parede de rochas foi erguida para recuperar o terreno que era muito acidentado, quase um barranco.

Também foram construídas algumas vigas de sustentação, uma vez que parte das estruturas permanece fora da base. Entre os dois contêineres de baixo serão criados um jardim e um deck, que também será instalado na parte de cima, entre os outros dois contêineres menores, colocados transversalmente sobre os maiores.

Junqueira Lima desenvolveu o projeto inovador
Junqueira Lima desenvolveu o projeto inovador

Os ambientes são divididos com o chamado dry-wall (parede seca, em tradução literal, que remete a placas de reboco fixadas em perfis metálicos que substituem paredes tradicionais). No interior de cada contêiner também estão sendo instalados revestimentos térmicos e acústicos, bem como todos os dispositivos elétricos e hidráulicos existentes em uma construção comum de alvenaria. Os contêineres inferiores serão interligados aos superiores por meio de escadas espirais.

O projeto é pioneiro na cidade. Em diversos lugares do mundo, porém, existem até condomínios de alto padrão que utilizam contêineres. O custo, segundo Lima, tende a ser até 40% menor com relação a uma construção em alvenaria nos mesmos moldes. Mesmo com toda a tecnologia empregada. A expectativa é de que a obra seja concluída em até dois meses.

A iniciativa acabou virando atração. Segundo o proprietário, diversas pessoas já entraram em contato para obter mais informações, entre eles arquitetos e engenheiros. O mestre de obras responsável pela construção, Everton Aparecido Ferraz, 36 anos, trabalha pela primeira vez em um projeto com uso de contêineres. “É um aprendizado, um desafio profissional”, enfatizou.

Ferraz, Lima, Franciele e Rodrigo na parte inferior da obra
Ferraz, Lima, Franciele e Rodrigo na parte inferior da obra

Os contêineres foram fabricados em Hong Kong e na China. Depois de viajarem muitos anos em navios cargueiros, estavam alojados em um dos terminais do Porto Marítimo de Santos e acabaram adquiridos pelo empresário, que prefere não revelar o valor pago pelas estruturas. De acordo com ele, a empreitada une o útil ao agradável ao economizar e ser ecologicamente correta. “Sustentabilidade é nome disso”, disse. “Além de ser mais rápido e mais barato, também gera muito pouco resíduo. Pretendo também aproveitar a luz solar e a água da chuva, captando em cisterna”, frisou.

Acompanhado do filho, o supervisor técnico Rodrigo Junqueira de Lima, 28, e da funcionária Franciele Fuini, 21, o empresário disse reconhecer que a obra tende a servir de modelo para futuros empreendimentos, mas afirma que essa nunca foi sua intenção. “Eu não tinha essa expectativa. Faz dois anos que pesquiso e que gostaria de fazer. Mas, só agora é que estou tomando essa dimensão”.