Empresa farmacêutica norte-americana MSD, uma das líderes globais no segmento, trabalhará em conjunto nas pesquisas (Ilustração)
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Em acordo pioneiro, o Instituto Butantan, vinculado à Secretaria de Estado da Saúde, contará com colaboração tecnológica e em pesquisa clínica no desenvolvimento de vacinas contra a dengue.

A parceria foi firmada na última semana com a empresa farmacêutica norte-americana Merck & Co. Inc., conhecida fora dos Estados Unidos e Canadá por MSD, uma das líderes globais no setor.Vale destacar que, por meio da iniciativa, o Instituto Butantan poderá receber até US$ 101 milhões dólares, a serem investidos em pesquisa e na produção de vacinas.

Isso permitirá às instituições o compartilhamento de informações sobre pesquisas clínicas e que as entidades aperfeiçoem os programas contra a doença. “A novidade prova que o Butantan atingiu um nível de excelência internacional no desenvolvimento de vacinas de interesse mundial. Essa é a primeira transferência com esse perfil feita entre um instituto brasileiro e uma empresa farmacêutica global no desenvolvimento de uma vacina”, celebra o diretor do Instituto Butantan, Dimas Tadeu Covas.

As doses em desenvolvimento pelas duas instituições buscam proteger contra os quatro tipos da dengue. A troca de conhecimentos entre ambas as partes deve agilizar o processo de avaliação de eficácia e segurança das formulações imunobiológicas, pois a prevalência de tipos da doença é diferente no Brasil e no território norte-americano. Assim, os estudos podem ser complementares.

  • Fabricação

Por estar em um estágio mais adiantado do desenvolvimento de sua vacina, o Instituto Butantan receberá um pagamento antecipado de US$ 26 milhões por parte da MSD e poderá receber ainda mais US$ 75 milhões com a conquista de marcos relacionados ao desenvolvimento e à comercialização da vacina experimental da MSD, além de royalties sobre as vendas. O Instituto Butantan continuará responsável pela fabricação e comercialização de sua vacina no Brasil.

“A colaboração com o Butantan demonstra o compromisso das partes em fazer o máximo para desenvolver novas vacinas e ajudar a proteger as populações em risco contra a dengue, especialmente aquelas que vivem em países em desenvolvimento”, explica o presidente global de pesquisa clínica da MSD, Roger Perlmutter.

A vacina desenvolvida no Instituto Butantan é uma grande aposta da saúde em nível mundial. A imunização, desenvolvida para prevenir os quatro subtipos do vírus da dengue (1, 2, 3 e 4), deverá ser indicada para pessoas de 2 a 59 anos, além de ser aplicada também para aqueles que não tiveram a doença anteriormente. A vacina está na 3ª fase do estudo clínico, na qual é testada em humanos.

Assim que a etapa for concluída, haverá um pedido de registro à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Somente após esse passo, a dose poderá ser disponibilizada à população. A fase 3 do estudo clínico começou em 2016 e está sendo realizada em 14 centros de pesquisa clínica, distribuídos em cinco regiões do País e envolverá, até o final, cerca de 17 mil voluntários.