Vivian é uma das interventoras e destaca melhorias (Leo Santos)
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Condições ruins da Uipa motivaram intervenção, em dezembro (Divulgação)
Condições ruins da Uipa motivaram intervenção, em dezembro (Divulgação)
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A intervenção da Uipa (União Internacional Protetora dos Animais) de Itapira entrou em seu último mês de validade, conforme prazo estabelecido via decreto assinado pelo prefeito José Natalino Paganini (PSDB).

O ato foi desencadeado em dezembro do ano passado, depois de uma vistoria feita por representantes da Vigilância Sanitária, do Serviço de Controle de Zoonoses e das Secretarias Municipais de Agricultura e Meio Ambiente, de Negócios Jurídicos e de Defesa Social às instalações da entidade, na Rua Celencina Caldas Sarkis, proximidades da Praça da Árvore, no Jardim Raquel.

Com base em relatório que apontou diversas irregularidades e falta de condições de higiene no local, a administração decretou intervenção de seis meses, nomeando uma comissão interventora e destituindo a diretoria que até então coordenava as atividades da Uipa local.

Conforme estabelecido no decreto do prefeito, a intervenção finda no dia 04 de junho. Apesar de um dos artigos do documento permitir a prorrogação da medida por mais seis meses, e assim sucessivamente; até agora a comissão interventora não sabe se permanecerá frente aos trabalhos. “Ainda não temos esse tipo de direcionamento. Em minha opinião, a intervenção não deve ser prorrogada, mas sim uma diretoria deve ser eleita para gerir as ações da Uipa. Com uma diretoria, fica mais fácil traçar um plano de ação e criar objetivos, além de consolidar um grupo de pessoas com o mesmo foco”, considerou uma das interventoras, a engenheira ambiental Vivian Maria Guerreiro, 24.

Ao lado dela, fazem parte da comissão as voluntárias Ana Carolina Moisés dos Santos, Regiane Formigari e Maria Aparecida de Souza, além de José Alair de Oliveira, diretor da Sama (Secretaria de Agricultura e Meio Ambiente).

Vivian é uma das interventoras e destaca melhorias (Leo Santos)
Vivian é uma das interventoras e destaca melhorias (Leo Santos)

De acordo com Vivian, com a proximidade do término da intervenção inicial o sentimento é de “muito já foi feito, mas ainda há muito trabalho a ser feito”. “Pudemos ajudar muitos animais de rua e, principalmente, melhorar a qualidade de vida dos animais acolhidos pela Uipa. Hoje temos cerca de 130 cães e a maioria está saudável, e os doentes estão sendo tratados. Infelizmente, ficou claro que a demanda é muito maior que os limites da entidade. Os pedidos de socorro são diários e muitas vezes não temos como agir”, disse. Segundo ela, dentro do contexto atual é tarefa difícil ampliar a atuação da Uipa, “devido a fatores limitantes como recursos financeiros, infraestrutura nos canis e na parte clínica”. “E necessário buscar outras formas de se obter recursos, principalmente financeiros”, avaliou.

Para Vivian, apesar de todas as dificuldades enfrentadas desde dezembro, a melhoria nas condições gerais da Uipa é notável. “Tanto fisicamente, quanto com relação aos animais”, enfatiza. “Em dezembro, após o estabelecimento da comissão, a primeira ação que fizemos foi um mutirão de limpeza e contamos com o apoio de aproximadamente 15 pessoas. Na ocasião, muitas pessoas passaram mal devido à sujeira, ratos, baratas, pombos e escorpiões que havia no local”, lembrou a voluntária. “Tivemos que descartar quase R$ 8 mil em medicamentos que estavam vencidos ou impróprios para o uso. O mobiliário de escritório também teve que ser descartado”, continuou a engenheira. De acordo com ela, toda a mobília do escritório e de apoio aos funcionários foi reposta mediante doações. Hoje, a Uipa conta com três funcionários que atuam diariamente no local, nas áreas de limpeza, alimentação dos cães manutenção geral da entidade. “Conseguimos armários novos, geladeira, fogão e muitos medicamentos. A Uipa ainda tem muitas necessidades, mas os medicamentos são controlados e utilizados sempre que possível, estabelecemos procedimentos de limpeza e de cuidados com os animais”, salientou.

Dos 130 cães abrigados atualmente na Uipa, mais de 40 são fêmeas, que foram castradas. Em 25 delas, o procedimento teve o apoio do Clube Amor de Quatro Patas, que também atua na defesa animal. A maioria dos cães abrigados na Uipa está disponível para adoção.

CAIXA

Estrutura da Uipa precisa de mais investimentos (Leo Santos)
Estrutura da Uipa precisa de mais investimentos (Leo Santos)

A Uipa recebe subvenção econômica de R$ 70 mil por ano, o que representa pouco mais de 5,8 mil ao mês. Durante o período da intervenção, a comissão optou por contratar os três funcionários para atuarem na Uipa, além de uma veterinária. Tudo subsidiado pela verba, que também é empregada nos consumos fixos, como energia elétrica, matérias de limpeza, rações e medicamentos.

Uma empresa da cidade também doa 400 quilos de ração por mês à Uipa. Apesar de parecer muito, não é suficiente. “O consumo de ração é de aproximadamente 50 quilos por dia, o que representa perto de 1,5 tonelada ao mês. A diferença é complementada com doações e campanhas de arrecadação, mas muitas vezes temos que comprar ração”, explicou Vivian. “Boa parte dos recursos públicos foi investida nos animais resgatados, pois a grande maioria dos que chegam à Uipa requer tratamentos ou procedimentos cirúrgicos caros, que são pagos com essa verba”.

De acordo com Vivian, a comissão tenta conseguir a classificação da Uipa como entidade de utilidade pública estadual. “Desta forma, é possível a realização de projetos para pleitear recursos estaduais. Acredito que, a partir disso, conseguiremos mais recursos financeiros para investir na Uipa. E este é um dos motivos que corrobora para a importância da eleição de uma diretoria, que poderá pleitear estes recursos e gerenciá-los da melhor forma possível. É interessante também a busca de empresas que desejam apoiar o trabalho da Uipa na proteção dos animais”, destacou a interventora.

Durante o período de intervenção, a comissão também visitou outras entidades de proteção animal nas cidades de Campinas-SP e Serra Negra-SP, para buscar orientações sobre procedimentos diversos. “Uma delas é que determinados cargos devem ser contratados, e não somente contar com a ação voluntária, como no caso da limpeza, contabilidade e assistência veterinária”, frisou Vivian.