Delegada titular da Delegacia de Defesa da Mulher, Gilmara, durante entrevista ao Itapira News (Paulo Bellini/ItapiraNews)
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“Eu matei a menina e enterrei o corpo”. Foi com essa frase que o pedreiro Gabriel Tiago Poletini, de 39 anos, confessou o assassinato de sua sobrinha, uma adolescente de apenas 14 anos, encontrada morta na tarde da última terça-feira (21) em Itapira.

Foi ele próprio quem levou as equipes da Polícia Civil ao local no qual o corpo foi localizado, em meio a um canavial, depois de ser detido para prestar esclarecimentos na Delegacia.

A princípio, ele estava sendo ouvido como testemunha, já que teria sido a última pessoa a estar com a adolescente na data do desaparecimento, na segunda-feira (20). O boletim de ocorrência foi registrado por volta do meio-dia de terça-feira.

Equipes periciaram local em que corpo foi encontrado (Paulo Bellini/ItapiraNews)

Logo em seguida, a DDM (Delegacia de Defesa da Mulher) recebeu uma informação sobre um suposto comportamento estranho do tio da garota no mesmo dia em que ela desapareceu.

Investigadores então foram até a casa dele, na região do Bairro dos Pires. Inicialmente, ele disse que não sabia o que poderia ter acontecido com a menina.

“Primeiro recebemos a mãe dela, chorando, dizendo que a filha estava desaparecida. Ela disse que a menina tinha ido passar o fim de semana na casa dos tios e não havia voltado. A tia também não estava em casa e disse que não sabia o que tinha acontecido, assim como seu esposo”, disse a delegada Gilmara Natália Batista dos Santos, titular da DDM.

A polícia acredita que, de fato, a tia – irmã da mãe da vítima – não sabia de nada. Seu marido e tio da menina chegou a ir com ela na casa da mãe da adolescente, demonstrando preocupação com o suposto desaparecimento.

Diante das versões, Poletini foi levado à Delegacia de Polícia para prestar esclarecimentos diretamente à delegada. Seu veículo, um Ford/Del Rey, também foi apreendido para ser periciado.

Corpo da adolescente foi enterrado em meio a um canavial (Paulo Bellini/ItapiraNews)
  • CONFISSÃO

Já diante da titular da DDM, bastaram poucas perguntas para que o pedreiro passasse da condição de testemunha à de réu confesso.

“Até este momento ele se negava a contar a verdade e dizia que não sabia de nada. Ele disse que a sobrinha chegou na sua casa no sábado e no domingo a família fez um passeio a um shopping. Disse que na segunda-feira a deixou em casa e saiu para trabalhar”, contou a delegada.

Questionado então sobre o que teria ocorrido depois disso, Poletini acabou confessando o crime. “Eu matei a menina e enterrei o corpo”, disse o assassino diante da delegada. De acordo com ele, ele disse que se sentiu ofendido quando a menina teria o chamado de “corno”.

Ainda no depoimento, ele contou que entrou em luta corporal com a vítima, momento em que se apoderou de uma faca e desferiu dois golpes, atingindo a região do tórax.

A menina morreu ainda no chão da sala. Ele a colocou no porta-malas do carro, limpou a casa e saiu para enterrá-la em meio ao canavial, em uma cova rasa e embrulhada em um plástico.

Pedreiro de 39 anos confessou o crime ao ser levado à Delegacia (Paulo Bellini/ItapiraNews)

O homem foi indiciado pelo crime de homicídio duplamente qualificado por motivo fútil e que impossibilitou a defesa da vítima, além de ocultação de cadáver. No momento em que o corpo era desenterrado, segundo investigadores, ele chorou.

“Foi muito difícil dar a notícia à mãe dela. A tia também estava muito perturbada, não suspeitava do marido com quem convivia há 20 anos. A princípio, as informações são de que ele não demonstrava ter esse perfil, não havia brigas.

  • PRISÃO

Ainda no final da noite de terça-feira, Justiça decretou a prisão temporária do assassino por 30 dias. O corpo da adolescente foi levado ao IML (Instituto Médico-Legal) de Mogi Guaçu para exames e a liberação para o sepultamento deve acontecer ainda nesta quarta-feira (22).

Segundo a delegada, o homem nega que tenha também cometido algum tipo de abuso contra a garota, mas ainda é preciso aguardas os laudos dos exames necroscópicos, que incluem também a coleta de DNA para confronto. “Neste momento trabalhamos com a situação do homicídio, mas ainda não descartamos nada”, finalizou Gilmara.

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