Trabalhadores da Usina seguem em greve
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Trabalhadores da Usina seguem em greve
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A agência regional do Ministério do Trabalho e Emprego, em Mogi Mirim, abrigou uma reunião entre representantes do GVO (Grupo Virgolino de Oliveira) e do Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias de Alimentação de Itapira.

O encontro, abrigado na tarde de segunda-feira (29), durou cerca de duas horas e serviu para oficializar a situação da empresa junto ao órgão do Governo Federal. Na pauta da reunião, assuntos inerentes principalmente à situação dos trabalhadores da Usina Nossa Senhora Aparecida, que seguem com as atividades paralisadas desde o último dia 18.

Pela entidade sindical, participaram o presidente José Emílio Contessoto e o advogado Edson Luiz Neto, enquanto que o GVO foi representado pelo advogado Fernando Elias de Carvalho e pelo supervisor de Recursos Humanos Sérgio Aparecido Puzzi.

Contessoto disse que o encontro, ao menos por enquanto, não muda nada na realidade dos trabalhadores. “Foi uma mesa redonda para colocar toda a situação perante o Ministério do Trabalho, mas tudo ainda depende das determinações da Justiça, pois todos os bens do GVO estão bloqueados”, comentou.

O auditor fiscal da agência do Ministério do Trabalho em Mogi Mirim, Antônio Carlos Avancini, confirmou as informações e acrescentou que até o final do recesso judiciário, em 7 de janeiro, tudo deve continuar como está. Contudo, agora, o Ministério procederá com ações de fiscalização junto ao GVO para fazer cumprir o pagamento de direitos trabalhistas e verbas rescisórias, que somam uma dívida milionária na empresa que enfrenta grave crise financeira. “O Ministério do Trabalho ainda não tinha sido procurado pelo Sindicato. Agora, com a denúncia oficializada na mesa redonda, a empresa vai sofrer um processo fiscalizatório para que os devidos pagamentos sejam feitos”, informou.

De acordo com ele, os acionistas do GVO estão com os bens bloqueados por determinação da Vara do Trabalho de Catanduva (SP) – ação motivada pelo processo movido por diversos sindicatos da categoria. Ao todo, o GVO concentra perto de 6.150 funcionários em suas quatro unidades (Itapira, Ariranha/Catanduva, José Bonifácio e Monções).

Avancini afirmou ainda que diversas outras questões foram debatidas no encontro, como por exemplo, a reclamação de que carteiras de trabalho estavam retidas na Usina Nossa Senhora Aparecida. “Quanto a este assunto, as carteiras estão disponíveis para que os trabalhadores as retirem”, avisou.

Outro tema debatido foi uma denúncia feita pelo sindicato de que terceiros contratados pelo GVO estariam movimentando açúcar e álcool na Usina, que nega as informações. “Quanto à greve, a Usina diz que não a reconhece e afirma que os funcionários estão em férias, enquanto que o sindicato diz que a maioria deliberou pela greve em assembleia na porta da empresa. São questões que serão apuradas”, destacou o auditor.

Caso as determinações originadas a partir da fiscalização do Ministério Público não sejam cumpridas, o GVO poderá receber multas pesadas. De fato, o movimento grevista foi aprovado pela maior parte dos aproximadamente 100 trabalhadores presentes em assembleia no dia 18, defronte à portaria da Usina. No mesmo dia, eles promoveram um protesto na Praça Bernardino de Campos, no Centro, bloqueando parte do trânsito por cerca de 40 minutos.

Já no dia 23, o GVO pagou somente parte dos direitos dos funcionários e ex-funcionários com salários e verbas em atraso. O bloqueio de um montante pela Justiça serviu para que um rateio fosse feito entre os trabalhadores, com cada um recebendo R$ 500,00. Desde a deflagração da greve, a reportagem tenta um posicionamento do GVO, que não retorna aos contatos.