Contrários à reorganização escolar, alunos ocuparam escolas em Itapira
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Estudantes protestam em Itapira contra reorganização da rede de ensino
Estudantes protestam em Itapira contra reorganização da rede de ensino
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O MP-SP (Ministério Público de São Paulo) pode ajuizar uma ação judicial sobre o processo de reorganização escolar na rede paulista, que vai fechar 93 escolas no Estado e transferir 311 mil alunos.

Em nota, o promotor João Paulo Faustinone e Silva, do Grupo Especial de Educação, informou que está analisando decreto publicado na terça-feira, 1º, que autoriza a transferência de professores para a implementar a reforma, bem como as informações colhidas no inquérito civil instaurado para apurar as mudanças.

Silva diz que tomou a decisão ao constatar que o governo estadual vai levar adiante o projeto. O promotor manifesta preocupação com as notícias de uso da força nas escolas ocupadas por estudantes que são contra a reorganização e diz que “analisa medidas que possam garantir solução para o conflito, evitando consequências mais gravosas”.

Ontem, a Apeoesp (Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo) informou que 213 unidades estavam tomadas por alunos para evitar o fechamento das escolas. A Secretaria Estadual de Educação disse que o número é de 194 unidades ocupadas. Anteontem, estudantes que protestaram contra a reorganização bloquearam a Avenida 9 de Julho, no centro da capital, durante três horas. A Polícia Militar informou que “usou da força” para liberar a via, lançando bombas de efeito moral e gás lacrimogênio.

Quatro pessoas foram detidas – dois adolescentes e um casal. As acusações contra eles foram depredação, resistência e desacato. Eles foram liberados durante a madrugada. Na manhã de ontem, 2, novo protesto interditou a Avenida Doutor Arnaldo, também em São Paulo. Os alunos reclamaram da truculência da polícia durante o ato. “A gente estava muito pacífico, muito tranquilo. Os policiais vieram e pegaram a cadeira em que a gente estava sentado. Depois foi piorando, porque ninguém queria sair. Falaram que não podia bloquear tudo”, disse Willian Dias de Andrade Silva, estudante da Escola Romeu de Moraes. Segundo os alunos, quando um contingente maior de policiais chegou, partiu para a agressão com cassetetes.

O secretário de Segurança Pública de São Paulo, Alexandre de Moraes, defendeu a atuação da Polícia Militar para conter os estudantes. Para Moraes, a ação foi legítima e não houve excesso das autoridades. Segundo o secretário, os alunos se negaram a desobstruir as ruas. “As manifestações aconteceram com 20 a 40 alunos que se negaram a realizar o que a Constituição determina que é a livre manifestação e passeatas, desde que haja comunicação prévia, exatamente para que o Poder Público possa garantir a segurança dos manifestantes e dos demais”, afirmou Moraes.