Grupo de moradores se reuniu para reclamar de obras inacabadas na Vila Ilze
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A promessa de soluções para os constantes problemas de alagamentos em ruas e residências e a decepção pelo que consideram “descaso” com a população.

É dessa forma que um grupo de moradores da Vila Ilze, mais precisamente nas adjacências das ruas Itália, Inglaterra e Alemanha, traduzem a situação vivenciada há quase cinco meses, quando obras de construção de novas galerias de águas pluviais foram iniciadas na região.

Sem conclusão até agora – o pavimento das vias segue totalmente danificado e aguardando recapeamento – as obras também deram mostras de que não foram suficientes para resolver o drama de quem vive na área: as casas novamente foram invadidas pela enxurrada durante a forte chuva ocorrida na sexta-feira passada, dia 8 de novembro.

Morador da Rua Alemanha diz que alagamentos são frequentes

“Alagou minha casa de novo. Em oito meses, foi a quinta vez. Além dessas galerias, fizeram bueiros na minha rua, mas não adiantou nada. Já perdi guarda-roupa e sofá. Basta vir uma chuva mais forte e a água sobe na rua e entra nas casas. Virou um pesadelo”, lamenta o operador de produção Ederson Wesley dos Santos, 28, residente na Rua Alemanha com a esposa e dois filhos, crianças de 13 e de 5 anos.

“Decepção mesmo. Quando começaram a mexer aí na rua a gente esperava que ia melhorar. Mas, pelo jeito, não resolveu nada e deixaram aí desse jeito. Moro há mais de 40 anos aqui e sempre foi assim, já perdi bastante coisa. Até muro já caiu no fundo da minha casa. O sentimento é de decepção mesmo”, diz a aposentada Olga Pavioti Oliveira, que mora na Rua Inglaterra.

Seu vizinho, Sebastião Lopes, 68, concorda. “Moramos aqui há 40 anos e sofrendo com isso. Choveu pesado, entra água nas caras, a rua vira um rio. Já fiz de tudo, mexi no portão, construí muretas, mas nada resolve. A água vem e entra mesmo”.

  • HISTÓRICO

As obras no local começaram na primeira quinzena de junho, com previsão de conclusão para o início de julho, segundo a Secretaria Municipal de Serviços Públicos. Na época, a Prefeitura informou que a construção de uma nova galeria de águas pluviais iria resolver os problemas dos alagamentos que ocorrem no bairro em épocas de chuvas fortes.

A obra, contudo, não foi concluída no prazo previsto e passou a se estender mais que o esperado. No dia 31 de julho, quase uma tragédia: um servidor público municipal de 72 anos ficou soterrado quando parte da cratera aberta na rua cedeu. Ele foi socorrido com várias fraturas e ferimentos e, felizmente, sobreviveu.

Obras começaram em junho na Vila Ilze

Os trabalhos foram paralisados após o acidente e, depois, retomados. Agora, as ruas com o pavimento danificado geram um cenário de extremos: em dias de sol, muita poeira. Em dias de chuva, um lamaçal.

“O pior é que tem uns pontos que estão afundando cada vez mais. Na última chuva veio até uma máquina da Prefeitura para colocar mais terra em uma valeta que estava se abrindo. E também já teve motociclista que caiu e até pedestre. Agora com a chegada da época das chuvas a gente fica ainda mais apreensivo”, diz outra moradora do bairro, Maria Ângela Basiloni da Cruz.

Os moradores dizem ainda que o caminhão da Defesa Civil passa constantemente pelo local para jogar água e tentar amenizar a poeira, mas os efeitos não são duradouros. “Parece que quando mais mexe, pior fica. Os bueiros em frente à minha casa já estão todos entupidos por causa da terra e pedra. Parece até má vontade ou incompetência mesmo. A impressão é que esqueceram do bairro”, lamenta o aposentado André Valdomiro, 50.

Construção de bueiros não amenizou problemas, dizem moradores

Moradora há 50 anos na Rua Itália, a aposentada Maria Morgado Marconi, 81, diz que está tendo problemas de saúde em razão da poeira. “Fiquei duas semanas doente. Idoso e criança sofre muito. É ruim demais, a gente se sente muito mal”. Para Ângela Maria Grei, 52, que reside na esquina em que ocorreu o acidente na cratera, a situação representa “descaso”. “Até minha calçada foi danificada, quebrou tudo, ninguém voltou para falar nada, não consertaram até agora, chega a ser revoltante mesmo”, disse.

  • OUTRO LADO

Em nota enviada ao Itapira News, a Prefeitura disse que a construção da galeria está concluída e o que resta a ser feito é a pavimentação dos trechos, serviço que “ocorrerá nos próximos dias”.

“Conforme informa a Secretaria de Planejamento e Obras, a ordem de serviço já foi dada à empresa vencedora da licitação e o prazo para que ela inicie a obra é dia 25 deste mês”, diz o texto.

Já sobre os problemas de alagamento, a Prefeitura diz que “o único caso comunicado oficialmente à Defesa Civil ocorreu na sexta-feira, dia 8, durante a forte chuva no período da tarde” e que “na oportunidade não foram relatadas invasões de água às casas e sim problemas relacionados ao solo sem pavimentação que cedeu em alguns trechos e formou buracos”.

A nota ainda diz que a Defesa Civil esteve no local e fez a sinalização com placas e fitas e que não recebeu nenhum comunicado sobre novas ocorrências. “A Secretaria de Serviços Púbicos também realizou os reparos necessários. Resta agora a pavimentação”.