A carreira policial ainda é predominantemente ocupada por homens, mas a taxa de cargos de instituições como a Polícia Civil ocupados por mulheres vem subindo consideravelmente nos últimos anos.

Essa realidade está diretamente relacionada à conquista da mulher por mais espaços no mercado de trabalho – postos que, em um passado não muito distante, eram praticamente restritos a homens.

Mesmo com mais liberdade para escolherem as carreiras com as quais mais se identificam, alguns estereótipos e preconceitos ainda desafiam as mulheres que atuam nesses ambientes.

Veja a série especial do Itapira News com matérias sobre o Dia da Mulher

“Às vezes as pessoas chegam na Delegacia ou olham uma viatura na rua e imaginam que irão encontrar um homem, de meia idade, cara fechada, bravo. E isso está começando a mudar com o número crescente de mulheres nos órgãos de Segurança Pública”, diz a delegada titular da DDM (Delegacia de Defesa da Mulher) de Itapira, Cintia Palma Rubim.

Dra. Cintia coordena a Delegacia de Defesa da Mulher em Itapira (Divulgação)

A diferença no tratamento por parte de algumas pessoas, entretanto, é bastante perceptível, de acordo com a investigadora Ligia Petri, do SIG (Serviço de Investigações Gerais) da Polícia Civil de Itapira.

“A diferença é nítida nas atitudes das pessoas por se tratar de mulher policial. O preconceito vem de muitos anos e ainda hoje somos vítimas de piadinhas e discriminação”, frisa a profissional com quatro anos de atuação na instituição.

De acordo com ela, infelizmente ainda hoje parte da população questiona a capacidade profissional de mulheres. “A capacidade profissional de uma mulher pode ser igual ou superior a de um homem. E nós não queremos tomar o lugar de ninguém, só queremos mostrar que também somos capazes”.

A delegada e a investigadora integram um contingente de cinco mulheres em uma equipe de 13 pessoas da Delegacia de Itapira – realidade considera bem equilibrada se comparada a outros órgãos do meio da Segurança Pública.

Lígia atua no Serviço de Investigações Gerais (Divulgação)
  • AVANÇOS

Apesar dos avanços da sociedade em questões de igualdade, os estereótipos remanescentes ainda permanecem. Datas como o Dia Internacional da Mulher, celebrado nesta segunda-feira (8), são importantes também para homenagear e reconhecer mulheres que se arriscam todos os dias em profissões que antes eram totalmente ocupadas por homens.

Para a delegada que já acumula cinco anos de carreira, a baixa ocupação de mulheres na polícia também se deve ao pouco interesse na área. “As dificuldades e desafios da carreira são iguais para ambos os sexos. O concurso é o mesmo e a prova física é a mesma, porém poucas mulheres se identificam com as funções do cargo”, afirma.

Lígia e Dra. Cintia durante operação na área central de Itapira, em junho do ano passado (Aquivo/ItapiraNews)

Mesmo em meio a todas dificuldades e desafios diários, as policiais atestam que a sociedade melhorou muito com relação a essa questão, mas frisam que ainda é preciso avançar mais. “Não queremos competir, queremos apenas os mesmos direitos. Mostrar que vivemos essas dificuldades e que, mesmo assim, não vamos recuar. Vamos avançar sempre”, finaliza Lígia.

Publicidade - Anuncie aqui