Sistema Cantareira continua com nível muito baixo (Divulgação/Sabesp)
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Sistema Cantareira continua com nível muito baixo (Divulgação/Sabesp)
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A nova queda no nível do Sistema Cantareira, mostra que a atual situação dos reservatórios é um problema que se acumulou nos últimos anos, pois mesmo com as precipitações dentro da média para abril, os mananciais hoje atingiram um novo recorde e estão com apenas 11,7% da capacidade máxima de armazenamento de água.

Até o momento choveu 84mm na região, sendo que o normal para este mês é um volume de chuva em torno dos 89mm. Para melhorar a situação é preciso que as chuvas atinjam as nascentes dos rios que alimentam todo o Sistema Cantareira, incluindo a região do Sul de Minas Gerais e a divisa com São Paulo.

Para efeito de estudo, a Somar analisou o histórico de chuvas em quatro cidades que pertencem a essa região. São elas: Extrema-MG, Itapeva-MG, Monte Verde-MG e Joanópolis-SP. Por conta da geografia e da posição dos reservatórios, esses municípios estão em áreas cuja chuva alimenta todo o Sistema de reservatórios. “Para as quatro localidades, nota-se uma tendência de declínio no volume de precipitação a partir do último trimestre de 2009. Logo em seguida, a partir de 2010, o nível dos Reservatórios do Sistema Cantareira começou a declinar”, explica o meteorologista da Somar, Willians Bini.

Em dezembro de 2009 o nível dos reservatórios do Sistema Cantareira era de 95% e um ano depois, no mesmo período de 2010, o volume armazenado já era de 75%. No fim de 2013, os mananciais estavam com apenas 27% da capacidade máxima.

O Sistema Cantareira foi construído com base no volume de chuva que caia na região entre os anos de 1935 e 1969. As represas foram projetadas para abastecer a cidade de São Paulo e cidades vizinhas, que juntas já tinham uma população de quase cinco milhões de habitantes. A capacidade inicial de produção era de 22 mil litros de água por segundo. Porém, naquela época o volume de chuva anual era menor do que foi observado nas duas décadas seguintes. No começo da década de 1990 o sistema já tinha uma capacidade de 33 mil litros de água por segundo e quando a Sabesp percebeu que o acumulado de chuva por ano era maior do que o esperado, passaram a produção para 36 mil litros de água por segundo.

Porém, o que faz o acumulado de chuva aumentar ou diminuir entre um período e outro é um ciclo climático de longo prazo chamado Oscilação Decadal do Pacífico (ODP), que tem duração aproximada entre 20 e 30 anos. Na época em que o Sistema Cantareira foi criado, a atmosfera passava por um ciclo climático “frio” da ODP, com um menor volume de chuvas anuais. A partir de meados de 1970 iniciou-se a fase “quente”, que se estendeu até o início dos anos 2000 e que contribuiu para um período de mais chuvas. Paralelo a essas mudanças de ciclos no clima, a população do Estado de São Paulo e o consumo de água também aumentaram.

A estação chuvosa já está no fim, a partir de agora os volumes de chuva serão cada vez menores e as precipitações serão mais passageiras e isoladas, isso quer dizer, que o clima não irá reverter o cenário, por enquanto. Somente quando as chuvas mais volumosas voltarem, a partir de outubro, que a população começará a sentir uma mudança no nível dos reservatórios. No momento, o melhor mesmo é economizar água.