Marquezini foi retirado por guardas durante sessõs extraordinárias da Câmara (Paulo Bellini/ItapiraNews)

As sessões extraordinárias da Câmara Municipal, realizadas excepcionalmente nas dependências do Circolo-Ítalo Brasiliano ‘XV de Novembro di Itapira’ na tarde desta quinta-feira (23), foram marcadas por protestos e tumulto.

Apesar da presença de manifestantes que se posicionaram contra os planos da Prefeitura de contrair novas dívidas, os pedidos de autorização para novos empréstimos foram aprovados.

Mais cedo, o Itapira News noticiou que o prefeito José Natalino Paganini (PSDB) decidiu retirar a Câmara Municipal do recesso para que os pleitos fossem avaliados pelos parlamentares. As sessões foram transferidas para o prédio defronte à Praça Bernardino de Campos em razão de obras no plenário da Câmara.

Os projetos solicitaram aval para contratações de novos financiamentos junto ao Desenvolve SP, a agência de fomento paulista. Inicialmente, os projetos somavam R$ 2,7 milhões, mas após retirada de um dos textos e alterações de outros, as autorizações para os empréstimos e abertura de crédito suplementar fecharam em R$ 2,5 milhões.

Todas as aprovações contaram com os votos favoráveis dos vereadores da bancada da situação, mas em um deles – de R$ 650 mil – a bancada oposicionista não se atentou quando o mesmo foi colocado em votação e acabou votando também a favor. Coube ao vereador Mino Nicolai (PSL) se desculpar pela gafe.

  • PROTESTOS

Todo o andamento dos trabalhos foram marcados por protestos. Logo na entrada do Círcolo, o historiador João Marquezini, membro do PSOL (Partido Socialismo e Liberdade) e do Coletivo Se a Cidade Fosse Nossa, já bradava contra o governo e contra os governistas.

Antes disso, ele já havia publicado um vídeo nas redes sociais no qual afirmava que iria impedir que a sessão ocorresse e que também é “dono” do prédio do Circolo, do qual é “sócio patrimonial”. Também nas redes sociais, havia perguntado se a GCM (Guarda Civil Municipal) poderia retirar “perturbadores da ordem público” também de espaços privativos.

Sessão conturbada foi marcada por aprovação de empréstimos e tumulto (Paulo Bellini/ItapiraNews)

Lá em cima, no plenário improvisado no salão social do antigo Clube XV, outros manifestantes também demonstravam insatisfação com os empréstimos. Integrantes de grupos de oposição como André Siqueira e Alexandre Alberti também empunharam cartazes com mensagens contrárias à aprovação dos projetos.

O advogado Cristiano Florence também fez coro às críticas pela contratação de mais empréstimos pela administração pública. Do plenário improvisado era possível ouvir gritos de Marquezini afirmando que a aprovação dos textos representavam “roubos” dentro de sua “casa” e defronte à Igreja Matriz.

  • TUMULTO

O clima ficou mais pesado quando Marquezini subiu as escadas, pegou uma cadeira e se sentou diante da Mesa Diretora, entre as duas bancadas de vereadores. O presidente do Legislativo, vereador Luan Rostirolla (PRB), acionou a GCM (Guarda Civil Municipal), que já se encontrava no local, e ordenou a retirada do manifestante.

Com a aproximação dos guardas, Marquezini reagiu e se arremessou ao chão mais de uma vez. Depois, voltou a se sentar e insistiu para que pudesse acompanhar o restante da sessão. Afirmou que já havia feito seu protesto e que é “um político pacífico”.

Ainda assim, Rostirolla manteve a determinação para que ele fosse retirado do espaço, o que foi acatado pelos guardas. Momentos depois, o historiador fez um vídeo ao vivo no Facebook comentando o episódio.

“Quero pedir desculpas e dizer que o meu comportamento não é um comportamento o qual os nossos camaradas têm, do qual a gente se orgulha de ter, não é um comportamento do qual eu me orgulho de ter, eu não queria fazer esse papelão que fiz hoje, não é legal. (…) Não consigo mais lidar com essas questões que estão acontecendo, não tenho mais saco, saí eles me expulsaram, fui tirado à força”, disse.

Ainda no vídeo, Marquezini criticou novamente a contratação de novos empréstimos. “Já tem cinco empresas que pegaram dinheiro público e saíram da cidade, e hoje estavam fazendo mais um financiamento, e eu fui expulso, fui lá manifestar pacificamente. Eu declarei que só queria acompanhar o final da sessão, mas o presidente Luan determinou que me expulsassem de um prédio do qual eu sou dono”, continuou, afirmando ainda que esse caso foi “isolado”.

  • “PASSOU DOS LIMITES”, DIZ PRESIDENTE

Após ser retirado do prédio, Marquezini deixou o local. Garantiu que chegou a se desculpar com os guardas, compreendendo que estavam no exercício de suas funções. À reportagem, ele questionou o motivo de “tanta urgência para pegar esse dinheiro emprestado”. “Quem ganhou com as reformas da Casa da Cultura e do Museu de História Natural? Por isso (a Câmara) está de favor no Circolo, pois detonaram o patrimônio publico”, criticou.

Já Rostirolla, ao término da sessão, reforçou o posicionamento adotado. “O que venho propondo no meu mandato (na Presidência da Câmara) é justamente o que a esquerda (política) pede, que é abrir mais a Casa, deixar a Câmara mais aberta à população, contudo a Câmara continua tendo seu respeito e não vou permitir qualquer tipo de desrespeito aos vereadores, bem como à instituição legislativa”, disse.

O presidente afirmou ainda que não viu qualquer problema na presença dos demais manifestantes. “Isso é democracia, faz parte e são totalmente aceitáveis. Mas, desde a entrada ao Circolo, todos os vereadores da base governista foram ofendidos. Me chamou de vagabundo, Maurício (Cassimiro de Lima) foi chamado de ladrão. Ele passou totalmente do limite”.

Rostirolla confirmou ainda que pretende se reunir com o Departamento Jurídico da Câmara Municipal e também com os demais vereadores que eventualmente tenham se sentido ofendido para avaliar a possibilidade de medidas jurídicas contra Marquezini. A reportagem pediu à Prefeitura um posicionamento sobre os questionamentos dele e sobre as críticas dos demais manifestantes e aguarda resposta.

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