Paganini diz que atitude de médico foi “correta e adequada”

Médico teria dispensado pacientes de atendimento no Pronto Socorro devido à ausência de colega

Paganini buscou esclarecimentos com médico no Hospital Municipal (Divulgação)

Um vídeo publicado nas redes sociais e que mostra um médico do Pronto Socorro do Hospital Municipal de Itapira gerou polêmica e controvérsias. As imagens começaram a circular na manhã do último sábado (8) e rapidamente viralizaram na rede. No trecho gravado por uma pessoa que aguardava atendimento no local, na noite de sexta-feira (7), um médico avisa aos pacientes que somente serão atendidos casos emergenciais.

A decisão é atribuída à suposta ausência de outro médico plantonista. “É que eu sozinho não dou conta, infelizmente”, afirmou o médico ao “dispensar” as pessoas cujo quadro de saúde não inspirava cuidados mais sérios de acordo com a avaliação durante a triagem. A situação gerou protestos não só de quem estava no local, mas também motivou embates nas redes sociais.

No final da tarde de sábado, o prefeito José Natalino Paganini (PSDB) foi ao Hospital Municipal para “buscar explicações sobre o ocorrido”, de acordo com nota emitida pela Prefeitura. “Paganini decidiu ir pessoalmente ao Pronto Socorro para conversar com o médico porque o vídeo, que fora postado apenas parcialmente, dava a entender que uma situação anormal havia ocorrido no local e que teria havido desatenção do profissional de saúde. Na verdade, ao chegar ao Pronto Socorro, o prefeito constatou que a posição adotada pelo médico fora normal dentro do que o momento exigia”, destaca o texto.

A Prefeitura defendeu que as imagens parciais do pronunciamento do médico dão a entender que o profissional “havia decidido atender apenas parte dos pacientes, tendo em vista a ausência de um colega de trabalho que o auxiliaria, conforme previa a escala. Na verdade, o médico Fernando Tognollo explicou a Paganini que, ao se dar conta da ausência do companheiro de turno, pediu o apoio da equipe de enfermagem para fazer o pré-atendimento dos pacientes, diminuindo assim o tempo de espera de todos”, argumenta a administração.

Ainda segundo a Prefeitura, a posição adotada pelo médico foi “adequada” para administrar a situação. “Com o pré-atendimento da equipe de enfermagem (monitoramento de pressão e temperatura, entre outros procedimentos de atribuição desta equipe), ele pode dar continuidade normal ao atendimento de todos os que se encontravam no Pronto Socorro. Além disso, o médico Fernando Tognollo informou aos pacientes que continuaria no Hospital Municipal até o final da tarde de hoje para poder dar continuidade ao atendimento daqueles que eventualmente ainda precisassem de acompanhamento”, complementou a nota.

Para o prefeito, o profissional agiu corretamente e a situação “foi explorada politicamente de forma injusta tanto para com o médico como para o Hospital Municipal”. “É lamentável que isso tenha ocorrido, mas o mais importante é que não houve interrupção no atendimento e os pacientes receberam tratamento adequado”, disse Paganini. A Prefeitura não informou o nome do outro médico que não teria comparecido ao trabalho, nem detalhou o motivo de sua ausência.

REPERCUSSÃO

Trecho de vídeo foi publicado em redes sociais (Reprodução)

O assunto ganhou repercussão nas redes sociais. O vereador oposicionista Rafael Donizete Lopes (PROS), que também é médico do Hospital Municipal, informou que foi ao Pronto Socorro ainda na noite de sexta-feira para averiguar a situação depois de ter acesso às imagens. Na publicação da Prefeitura sobre o tema em sua página oficial, muitas pessoas se manifestaram sobre o assunto, com opiniões divididas sobreo tema. “As pessoas só procuram o Pronto Socorro quanto estão realmente precisando de atendimento. Ninguém vai lá quando está com um simples mal estar ou dorzinha qualquer. Como podemos ir ao Pronto Socorro e não ser atendido e voltar no outro dia? E ainda ouvir que isso foi uma ação correta do médico?”, questionou uma internauta.

Outras pessoas relataram demora de até quatro horas no atendimento em outros dias. O próprio vereador Rafael Lopes, que preside a Comissão de Saúde na Câmara Municipal, também comentou a postagem. “O senhor (prefeito) deveria reconhecer as falhas que ocorreram na noite de sexta-feira no Hospital Municipal de Itapira. Infelizmente, o senhor está se esquivando de sua responsabilidade. Posso falar com propriedade, pois estive pessoalmente lá”, postou. O comentário do oposicionista gerou ainda mais polêmica, ganhando resposta em contraponto até mesmo de servidor da Prefeitura.

Houve também quem saísse em defesa do médico que fez o comunicado. “Achei bem educado por parte desse médico que deu satisfação, pior aqueles que ficam conversando e não estão nem aí”, escreveu uma internauta. “O médico tomou a decisão corretamente a partir do momento q se viu sozinho p atender os pacientes, pedindo à equipe de enfermagem que fizesse a classificação de risco de atendimento”, escreveu outra. “Ele foi educado com a população, mas têm pessoas que amam armar barracos, são pessoas ignorantes, tem médicos que somem e não dão satisfação, pelos menos esse foi sensato”, diz outro comentário.