Paulo reclama de falta de atendimento para filha em creche Paulo Bellini/ItapiraNews)
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A ausência de atendimento em período integral nos CEIs (Centros de Educação Infantil) – as populares creches, em Itapira, vem gerando descontentamento em pais que dependem do serviço.

A suspensão do esquema normal de funcionamento ocorreu ainda em março de 2020, em razão das medidas de contenção da pandemia do novo coronavírus.

Porém, a impossibilidade de deixar a filha de três anos na creche acabou refletindo em grandes dificuldades para alguns pais, como ilustra o casal Paulo José de Campos Bueno, 39, e Sara Helena Silva Cóvulo, 40.

A filha deles, Helena, frequentava a creche ‘Vereador Francisco Rovaris’, no Braz Cavenaghi, em período integral, das 7h00 às 17h00. Nos primeiros oito meses de pandemia eles utilizaram todas as reservas para custear uma babá em meio período, enquanto o pai trabalhava na área química.

Depois disso, quando ele retornou ao ofício em tempo integral, a criança passou a ficar com a avó materna, de 67 anos, que já cuida também de outro neto que possui deficiência e precisa de cuidados especiais.

O acúmulo de tarefas acabou gerando um grande cansaço físico e mental na idosa. “Ela também mora em um sítio, e isso dificulta ainda mais as coisas, além de não ser o ambiente mais adequado para uma criança com essa idade”, relata o pai da menina.

Paulo com a filha Helena: falta de creche gera reclamação (Paulo Bellini/ItapiraNews)

Sara, por sua vez, nunca parou de trabalhar, já que atua como enfermeira na linha de frente do combate à pandemia. Outro filho do casa, João Gustavo Cóvulo Rocha, de 11 anos, conseguiu retornar à Escola Estadual ‘Benedito Flores de Azevedo’ em agosto.

“Entregamos o documento que comprova que a Sara trabalha na área da saúde, que é um serviço essencial, e conseguimos que ele frequentasse a escola no período normal”, diz Paulo.

O mesmo ainda não ocorreu com Helana. Além dos contratempos em razão da mudança, os pais temem que a ausência do convívio social com outras crianças e das atividades da creche resultem em atrasos no desenvolvimento da menina.

De acordo com Sara, eles já recorreram a diversos órgãos públicos na tentativa de obter uma solução para o impasse, mas dizem não ter tido qualquer posicionamento.

“Não temos respostas, já perdi as esperanças. Sou enfermeira, não parei de trabalhar durante toda a pandemia e não tenho onde deixar minha filha, quero saber porque o sistema integral ainda não voltou, eu imploro por ajuda”, desabafou.

  • O OUTRO LADO

A reportagem do Itapira News manteve contato com a secretária municipal de Educação, Regina de Santana Lago Gracini, que solicitou o encaminhamento da demanda à assessoria de imprensa da Prefeitura. Posteriormente, o órgão encaminhou a resposta.

Em nota, a Secretaria Municipal de Educação informou que o pai da criança compareceu à sede da pasta e foi atendida pela secretária e por uma supervisora pedagógica.

Durante a reunião, ele foi orientado a respeito de todos os critérios e protocolos de segurança que permitirem o retorno gradual das atividades.

“A Secretaria compreende as dificuldades e se solidariza com o Sr. Paulo Bueno e a Sra. Sara Cóvulo, bem como com todos os pais e responsáveis dos 1.123 alunos dos Centros de Educação Infantil que hoje enfrentam dificuldades diante desse modelo de atendimento”, diz a nota.

“Porém, a pasta pede encarecidamente paciência e apoio de todos, pois não tem medido esforços para restabelecer os atendimentos nas Unidades Escolares seguindo todos os protocolos que garantem a segurança das crianças e dos servidores, mantendo sempre a qualidade do atendimento prestado”.

Matéria atualizada 01/10/2021 às 10h25 para inclusão de posicionamento da Secretaria de Educação
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