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A ausência dos grupos de congada durante a Procissão de São Benedito, ato que encerrou oficialmente a programação religiosa da Festa de Maio, não passou nem um pouco despercebida da população.

Desde a noite da última sexta-feira (13) uma polêmica se instalou em torno do assunto, inclusive com postagens em redes sociais e muitas críticas e lamentações.

Nem a Congada Minera de Itapira e nem as congadas convidadas acompanharam o trajeto como costuma ocorrer tradicionalmente, mesmo estando à disposição no Largo de São Benedito.

A informação apurada junto aos grupos foi de que o cronograma planejado pela organização não teria levado em consideração a participação das congadas, que não constaram na lista com a ordem das participações  da procissão.

“Quando começaram a organizar a procissão, foram chamando todos os grupos, organizando quem ia na frente, quem ia em seguida, mas ninguém falava das congadas. Fui perguntar e disseram que seria o padre quem iria decidir, que era pra gente esperar”, contou Eva Regina Franco Martins, filha do chefe da Congada Mineira, Arnaldo Franco.

“Ficamos esperando e nada acontecia, ninguém chamava. Fui perguntar para outra pessoa da paróquia e a resposta foi de que o padre estava organizando onde a gente ia entrar. Nisso, a procissão já estava saindo e as outras congadas também perguntavam onde iam entrar”, completou.

De acordo com ela, uma pessoa chegou a dizer que os grupos tinham sido “esquecidos” na organização da ordem da procissão e que a informação era para que entrassem atrás.

“Mas aí todo mundo estava bem magoado, ficamos muito tristes. Não esperavámos passar por isso. Nos sentimos ignorados, as outras congadas disseram que iam embora, só ficou a gente de Itapira e a congada de Mogi Guaçu. Nosso pai não merece isso, decidimos não ir. Esperamos que na próxima festa esse erro seja reparado e agradecemos todos que nos apoiaram”, disse.

Nas redes sociais, assim como durante a própria procissão, muitas pessoas questionaram a ausência dos tradicionais grupos. Algumas postagens relacionaram o episódio a uma suposta ação intencional para que os grupos não participassem o ato litúrgico.

Em nota enviada na manhã deste sábado (14) ao Itapira News, o padre Andre Ricardo Panassolo se mostrou bastante chateado com os desdobramentos do caso e disse que “se houve falhas, não foram propositais”. E mesmo assim pediu desculpas aos congadeiros e às pessoas que eventualmente tenham se sentido ofendidas.

“Uma festa tão grande requer ser preparada com grande tempo. Não tivemos tal tempo. Também vale a pena lembrar que se trata da minha primeira experiência com essa festa. Seria desumano cobrar tanto de quem, sequer teve tempo de pensar em tantos e todos os detalhes. Até mesmo o que foi pensado, não foi possível ser executado, já que somos poucos, todos voluntários, que fazemos um trabalho mais criticado do que reconhecido”, disse.

O pároco também fez publicar nas redes da paróquia o texto no qual lembra que as congadas foram “recebidas com todo afeto e alegria” pela manhã na Igreja de São Benedito e que em nenhum momento lhes foi tirado o direito de “manifestar sua bonita fé”.

“Rezamos por elas (congadas) na missa e foram mencionadas tanto na entrada quanto na homilia, pela sua alegria e lição que trazem no canto e na dança. Quem viu pela manhã, fui às lágrimas. O som da voz, dos passos e da dança trouxe ao meu coração a alegria que havia conhecido só de falar, mas ainda não experimentada”, continuou o pároco.

Ele lamentou que algumas publicações tenham contido o que chamou de “inverdades desprovidas de conhecimento” e disse não querer que ninguém se sinta “esquecido ou humilhado”.

“Quem é dessa paróquia, sabe o quanto prezo pelo meu rebanho. Falhas acontecem até com quem se esforça para não errar. Se ficaram feridas, quero curá-las com meu pedido de perdão e minhas orações. Ressalto: não foi proposital”, afirmou.


A nota do pafre está disponível abaixo, na íntegra:

Se houve falhas, não foram propositais. Mesmo assim, peço desculpas. Uma festa tão grande requer ser preparada com grande tempo. Não tivemos tal tempo. Também vale a pena lembrar que se trata da minha primeira experiência com essa festa. Seria desumano cobrar tanto de quem, sequer teve tempo de pensar em tantos e todos os detalhes.

Até mesmo o que foi pensado, não foi possível ser executado, já que somos poucos, todos voluntários, que fazemos um trabalho mais criticado do que reconhecido. Pela manhã, as congadas foram recebidas com todo afeto e alegria. Mesmo atrasando o horário da Santa Missa, de nenhuma foi tirado seu direito de manifestar sua bonita fé.

Rezamos por elas na missa e foram mencionadas tanto na entrada quanto na homilia, pela sua alegria e lição que trazem no canto e na dança. Quem viu pela manhã, fui às lágrimas. O som da voz, dos passos e da dança trouxe ao meu coração a alegria que havia conhecido só de falar, mas ainda não experimentada.

Não posso me responsabilizar pelas inverdades ditas, desprovidas de conhecimento e caridade. Quem é dessa paróquia, sabe o quanto prezo pelo meu rebanho. Falhas acontecem até com quem se esforça para não errar.

Não quero que ninguém se sinta esquecido ou humilhado, porque nada foi dito que diminuísse a grandeza de sua fé e cultura. Também que não se veja como esquecido. Não há como pensar em tudo com tão pouco tempo. Se ficaram feridas, quero curá-las com meu pedido de perdão e minhas orações.

Ressalto: não foi proposital. Qualquer ser consciente de suas próprias limitações há de compreender as alheias, visto tê-las também. Fica também meu perdão dado aos que falam sem conhecimento das causas e do meu esforço, ainda que não satisfatório, para essa paróquia, nesses dois anos em que a pandemia obrigou inclusive a fechar as portas.

Às congadas, meu carinho. Vocês me ajudaram a experimentar o Céu pela manhã e minhas desculpas se não pude devolver o que me ofereceram logo cedo. Em oração pelos que se sentiram ofendidos e aos que me ofendem também. Deus abençoe a todos!


 

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