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Beth Manoel e Maurício Lima são protagonistas de polêmica (Divulgação)
Beth Manoel e Maurício Lima são protagonistas de polêmica (Divulgação)
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Em reunião ocorrida no final da tarde da última sexta-feira (6), a cúpula itapirense do PSDB (Partido da Social Democracia Brasileira) tentou restabelecer a relação amistosa com a vereadora Beth Manoel, eleita pela sigla, em outubro passado, como a candidata mais votada da história de Itapira.

A polêmica envolvendo a tucana e o grupo governista foi desencadeada por ocasião da eleição da Mesa Diretora da Câmara Municipal, no dia 1º. Apesar de o partido ter fechado questão no apoio à candidatura de Maurício Cassimiro de Lima (PSDB) para a Presidência do Legislativo, Beth Manoel não acatou à decisão e fez valer seu direito de também concorrer à vaga.

O caso evidenciou o primeiro racha do grupo situacionista logo após a sessão de posse dos eleitos. Antes disso, o PSDB local já havia circulado comunicado em que alertava a vereadora de que poderia ter seu mandato cassado e ser expulsa da agremiação por infidelidade partidária.

Os últimos dias foram de muita animosidade exposta principalmente nas redes sociais. Beth recebeu grande apoio de eleitores e amigos, mas também foi alvo de críticas pesadas principalmente de correligionários do grupo governista. Até mesmo o prefeito José Natalino Paganini (PSDB) compartilhou, em seu perfil no Facebook, postagens referentes ao que o grupo tratou como “traição”. Postagens patrocinadas em páginas ligadas ao grupo governista também alardearam o caso e acusaram Beth de ter se aliado à oposição.

Declarações do deputado estadual José Antônio Barros Munhoz (PSDB) – líder político da situação – também ‘colocaram’ a vereadora pra fora do grupo governista. Beth rebateu dizendo que o parlamentar teria gritado e a ameaçado. Embora tenha disputado a eleição para a Presidência da Câmara, ela acabou não sendo eleita, com Lima se tornando presidente da Casa com o apoio dos demais governistas. Beth teve o apoio dos oposicionistas, menos de César da Farmácia (PSD), que se absteve – ato que evitou que a tucana fosse conduzida à Presidência.

Enquanto o grupo situacionista acusou a vereadora de ter fechado acordo com a oposição, o grupo oposicionista também acusou César de ter traído a confiança da bancada – embora ele tenha dado declarações de que não prometeu voto à tucana, não tendo sido sequer procurado por ela antes da votação. A reunião na Câmara foi o primeiro encontro formal de Beth Manoel com os integrantes do diretório. Participaram, além da vereadora e do agora presidente da Câmara, o prefeito José Natalino Paganini, o presidente local do PSDB José Alair de Oliveira, o vereador Carlos Alberto Sartori (PSDB) e outras lideranças da sigla em nível municipal. A advogada de Beth, Maíra Calidone Recchia Bayod, também acompanhou as conversas.

De acordo com Maurício Lima, o objetivo do encontro foi “harmonizar” a relação entre o partido, os agentes políticos eleitos pela sigla e a vereadora que, ao menos por enquanto, permanece filiada ao PSDB. “Basicamente, foi uma reunião que envolveu a maior parte da Executiva do PSDB em Itapira para nos harmonizarmos com a Beth, dizendo que não há nenhum tipo de perseguição em virtude dos últimos acontecimentos. Nós fazemos gosto dela no nosso partido”, disse o tucano.

A reunião não pode ser acompanhada pela imprensa. Somente nos cinco minutos iniciais, a partir das 17h00, foi permitido registrar fotos. “Não queremos nenhum tipo de divergência na bancada. A Beth foi eleita conosco, tendo todo o amparo partidário necessário, nos deu sua votação e expressividade, sempre fez parte da base. Claro que a bancada gostaria de ter saído unificada (na eleição da Mesa Diretora), mas no fim não existiu nenhum tipo de prejuízo ao partido, que ainda ficou com a maioria na Mesa”, argumentou.

Apesar das ameaças de expulsão e da “humilhação” que Beth diz ter sofrido mediante toda a polêmica, o novo presidente da Câmara disse acreditar que ela permanecerá alinhada ao grupo governista. Ele negou que a reunião tenha sido uma manobra para evitar que a bancada perca um integrante e, consequentemente, tenha menos poder de voto nas sessões legislativas. Também disse que a reunião não foi uma forma de amenizar o estrago causado à imagem do grupo.

PSDB DIZ QUE NÃO VAI PUNIR VEREADORA

Logo após o término da reunião, o PSDB de Itapira confirmou que não pretende punir a vereadora Beth Manoel por ela não ter seguido a decisão de que o grupo tivesse somente um candidato à Presidência da Câmara. A sigla também se apressou em desmentir o evidente racha na bancada – classificando tudo como “boato”. “Mesmo assentindo que Beth Manoel se opôs à escolha feita pelo grupo, o partido reconhece e valoriza a importância da vereadora como aliada e diz que espera contar com a colaboração dela para governar Itapira pelos próximos quatro anos”, destacou nota enviada ao Itapira News.

A nota também enfatiza que o grupo levou em conta “a enorme pressão popular” que a vereadora sentiu por ter sido a mais votada, fato que, no entendimento do partido, teria levado à população a entender que ela deveria ser a presidente. “O grupo do PSDB local entendeu que foi essa e não qualquer outra a razão da posição tomada pela nobre vereadora: satisfazer o entendimento e a vontade da maioria dos seus eleitores. Até porque, ela não foi a mais votada apenas desta última eleição, mas de toda a história política de Itapira”. A reportagem fez contato com a defesa de Beth Manoel, que afirmou que ela não iria se manifestar sobre a reunião neste momento. Contudo, Maíra Recchia afirmou que entrou com ação judicial para requerer, à Justiça Eleitoral, autorização para se desfiliar do PSDB por justa causa, mediante alegação de grave discriminação pessoal e política.