Boca tenta retomar a vida de forma mais digna após anos duros (Paulo Bellini/ItapiraNews)
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Uma ação solidária desencadeada por um grupo de amigos teve seu ápice na manhã desta sexta-feira (17) em Itapira, com a entrega de um carrinho de hot-dog para o autônomo Anderson José Ferreira, 50, popularmente conhecido como ‘Boca’.

Após sete anos cumprindo pena no presídio de Iperó (SP), o conhecido engraxate tenta retomar a vida de forma honesta. A condenação ocorreu após uma acusação de agressão sexual – ele nega o ato de violência e diz que foi injustiçado.

Com as ‘contas pagas’ junto à Justiça, contudo, agora ele afirma que “só quer olhar para a frente” e comprovar que não é “uma pessoa ruim”. O plano inicial era vender espetos na área central de Itapira.

Ganhou uma churrasqueira portátil, correu atrás da documentação, mas não conseguiu o alvará para atuar no espaço em que desejava, na Praça Sarkis, próxima ao Fórum da Comarca.

O autônomo então mudou o foco. Ao encontrar um antigo conhecido, o biomédico Francisco de Assis Azevedo Marella, contou sua história, tudo o que tinha ocorrido com seus planos de retomar sua vida de forma digna.

Sempre sensível às causas sociais, e crente de que todos merecem uma nova chance para reconstruir suas vidas, Marella criou um grupo no aplicativo de mensagens instantâneas WhatsApp, reuniu amigos e conhecidos e solicitou ajuda.

Cada um contribuiu como possível. Alguns doaram R$ 10,00, outros um pouco mais, até R$ 50,00. O montante chegou a R$ 550,00. Com R$ 400,00 foi possível comprar o carrinho, usado, mas em bom estado.

O restante foi entregue ao ‘Boca’ para aquisição dos insumos – salsicha, molhos, pães e complementos. Ao todo, 27 pessoas fizeram doações que contribuíram para dar esse ’empurrãozinho’ ao autônomo. Ele também ganhou um botijão de gás.

  • TRABALHO

‘Boca’ conta que durante o período de reclusão aproveitou para fazer cursos. Na prisão, aprendeu a ler e escrever melhor, e também participou de oficinas de artesanato. Ao sair, conseguiu um local para morar, ganhou um telefone celular e procurou ajuda dos antigos conhecidos para vencer as etapas burocráticas relacionadas ao seu desejo de vender o tradicional cachorro-quente.

Garante que conseguiu toda a documentação necessária à atividade junto aos órgãos públicos e também já se cadastrou para atuar como ambulante nos eventos municipais. Além disso, também segue com trabalhos de engraxate e de pintura, além de outros pequenos serviços.

“A partir da próxima semana já estarei na Feira Noturna do Mercadão, toda quarta-feira. Vou fazer um teste, se der certo e começar a vender, pretendo ficar. É meu recomeço, preciso ganhar a vida. Não fiz o que me acusaram, eu nem estaria aqui, pois aí seria um crime hediondo”, diz.

“Era um tempo de coisa errada, de loucura, mas invadiram minha casa dizendo que eu fiz algo que não fiz. Briguei com todo mundo e paguei um preço alto. Mas não guardo mágoa, não quero regredir, quero trabalhar e ser alguém na vida, tirar minha carteira de motorista e provar que posso ser alguém melhor”, completa. Quem desejar ajudar o ‘Boca’ nessa nossa fase de sua vida pode manter contato pelo telefone (19) 9.8447-0862.