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Mantuan falou sobre demissão de casal
Mantuan falou sobre demissão de casal

O Saae (Serviço Autônomo de Água e Esgotos) anunciou a demissão, a bem do serviço público, a ex-diretora administrativa Gizelda Maria Tofanello Giório Fróes, e seu marido, Alessandro Rodrigues Fróes, leiturista que ocupou cargo de chefe do setor comercial.

Os dois são acusados de participar de um esquema de desvio de dinheiro público entre os anos de 2008 e 2013. A demissão atende sugestão contida no relatório do PAD (Processo Administrativo Disciplinar) aberto para investigar possíveis irregularidades na autarquia.

O procedimento foi concluído e apontou que um rombo na casa dos R$ 2 milhões. O documento afirma que Gizelda e Alessandro se beneficiaram diretamente do suposto desvio. A demissão a bem do serviço público foi divulgada no Jornal Oficial de Itapira em sua edição de sexta-feira (19). Os dois servidores eram funcionários de carreira e foram comunicados da decisão no dia anterior.

Eles negam a participação em qualquer irregularidades e  afirmam que vão recorrer à Justiça. Os procedimentos investigativos no Saae também revelaram a presença, no caixa do Saae, de dois cheques pessoais do prefeito José Natalino Paganini (PSDB), de R$ 10 mil cada.

Os valores teriam sido destinados, em forma de patrocínio, à Sociedade Esportiva Itapirense, mas acabaram sendo trocados na autarquia. O MP (Ministério Público) investiga o caso. Gizelda trabalhava havia 20 anos no Saae e era concursada, originalmente, no cargo de atendente comercial. Já o marido era leiturista há 11 anos.

Eles são acusados de enriquecimento ilícito, prejuízo ao erário público e de cometerem ações que atentam contra os princípios da administração pública, além do crime de peculato (praticado por servidor contra a administração pública).

O suposto desvio no Saae chegou a ser denunciado pelo próprio prefeito, em julho deste ano. Na ocasião, ele também confirmou que dois cheques seus tinham ido parar no caixa da autarquia. A própria Gizelda foi quem formulou a denúncia sobre os cheques ao MP, e afirma que o prefeito os trocou no Saae, pessoalmente, em julho de 2013. Paganini nega. O PAD não oferta conclusão sobre o caso dos cheques, já que o assunto é investigado em outro procedimento da mesma natureza.

O relatório final do PAD, assinado pelo presidente do Saae José Armando Mantuan, mostra que o sigilo bancário do casal foi quebrado com autorização judicial, revelando movimentação incompatível com os rendimentos que obtinham no Saae. “A diferença entre os vencimentos líquidos e os débitos (das contas) é de R$ 359.497,84. E o total de depósitos não justificados é de R$ 211.136,52”, descreve o texto. “A indiciada se beneficiou diretamente com os desvios de dinheiro do caixa, o que ficou comprovado pelos depósitos bancários nas suas contas e cuja origem atribui aos seus rendimentos de servidor público, desconsiderando que quem tem uma fonte de renda pública, e exclusivamente esta, não pode ostentar a movimentação financeira como está provado’, detalha o documento.

O PAD somou 18 volumes. O vice-prefeito Antônio Eduardo Boretti (PCdoB), afastado da administração, também é alvo de ação já Justiça, bem como de um processo de cassação conduzido pela Câmara Municipal. Ele também é responsabilizado pelos desvios, já que presidia a autarquia no período em que os crimes supostamente ocorreram.

O processo e seu relatório final serão encaminhados ao MP. “Vamos esperar o outro PAD (dos cheques) para depois mover uma única ação civil pública que daí vai envolver inclusive ex-presidentes, que hoje é o vice-prefeito (Boretti). O próximo passo é propor ao MP que entre com uma ação de peculato (contra os ex-servidores), pedindo a restituição dos cofres no valor dessa ordem”, comentou Mantuan durante entrevista coletiva na manhã de sexta-feira.

OUTRO LADO

Ao Jornal Tribuna de Itapira do domingo (21), os agora ex-servidores do Saae refutaram as acusações. “Não concordamos com essa decisão. Este fato não é real. A quebra do sigilo bancário mostra que tudo está compatível com o Imposto de Renda e com o que a gente ganha. Acho que nem leram a nossa defesa”, garantiu Gizelda. “Esta é uma decisão política, todo mundo no Saae sabe a verdade. Nós nunca tivemos um problema no Saae. Apresentei que depósitos eram empréstimos. Na quebra de sigilo nada foi comprovado”, reforçou Alessandro, afirmando ainda que o “processo começou ao contrário” e que “eles já tinham a demissão na cabeça”, classificando todo o caso como “perseguição”.

O advogado do casal, Luiz Eugênio Barducco, também falou sobre a demissão e afirmou que o PAD possui uma série de falhas. “A gente deve buscar uma medida judicial. A eles (acusados) só cabe este caminho”, argumentou.

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