Pacheco falou a jornalistas, funcionários e colaboradores da Santa Casa: renovação
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Pacheco falou a jornalistas, funcionários e colaboradores da Santa Casa: renovação
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Uma Oscip (Organização da Sociedade Civil de Interesse Público), formada por empresários e demais cidadãos, será responsável por administrar a Santa Casa de Misericórdia de Itapira.

A notícia foi oficializada na sexta-feira (13), durante entrevista coletiva na sede do hospital. O anúncio foi feito a jornalistas e a cerca de 50 funcionários da Santa Casa pelo diretor-presidente da empresa Cristália Produtos Químicos e Farmacêuticos, Ogari de Castro Pacheco, que lidera a iniciativa tida como um tipo de socorro emergencial ao hospital, que há tempos atravessa séria crise financeira e administrativa.

Na ocasião, também foi revelado o nome da Oscip: ‘Irmã Angélica’. A denominação, que teve a aprovação unânime dos presentes, faz menção à freira, já falecida, que durante anos integrou a Irmandade da Santa Casa.

De acordo com Pacheco, caso essa intervenção não ocorresse, a Santa Casa poderia fechar suas portas antes mesmo do Natal. As tratativas começaram em agosto e culminaram na alteração do estatuto do hospital, durante assembleia realizada na noite de terça-feira (10). As alterações no dispositivo legal permitem a entrada da Oscip para administrar a Santa Casa.

Pacheco considerou a situação da instituição como “caótica e terrível”, e afirmou que, inicialmente, o plano de recuperação já prevê a injeção de R$ 3 milhões no caixa da Santa Casa. O aporte financeiro se refere a R$ 1 milhão garantidos pelo Governo do Estado, com apoio do deputado estadual Barros Munhoz, e outros R$ 2 milhões a título de disponibilização como garantia para empréstimos bancários, oriundos das famílias Pacheco e Stevanatto.

Os problemas detectados por meio de uma consultoria, conforme relatório distribuído à imprensa durante a coletiva, representariam o encerramento das atividades dentro de pouco tempo.

As pendências financeiras da Santa Casa somam mais de R$ 1 milhão só com folha de pagamento e 13º salário, além R$ 1,39 milhão de dívidas com fornecedores, sem contar outros compromissos, aponta o documento. “A Santa Casa está vivendo como alguém que não tem grana e que vai fazer compra com o cartão. Já viu que assim não dá. Aliás, se colocar R$ 3 milhões aqui hoje, na conta da Santa Casa, e a gente virar as costas e for embora, daqui a pouco não tem mais nada. Qualquer real que caia nesta conta hoje o credor toma”, explicou.

Anúncio oficial de entrada da Oscip foi feito na sexta-feira (13)
Anúncio oficial de entrada da Oscip foi feito na sexta-feira (13)

“A Santa Casa deve aproximadamente R$ 1,4 milhão a fornecedores. Daqui para frente vamos comprar à vista. O que está para trás nós vamos negociar. Tenho certeza de que os fornecedores vão aceitar e vão ser sensíveis a essa argumentação. Porque se não aceitarem, a gente até paga, mas também não compra mais. A Santa Casa paga alguma coisa em torno de R$ 100 mil de juros por mês. Nós vamos acabar com esse negócio porque a Santa Casa não faz R$ 100 mil de renda para pagar banco. Temos que diminuir isso drasticamente. Vamos negociar com os bancos. E para negociar com os bancos, vamos exercer um pouco da influência que a gente, como grupo empresarial, tem para conseguir a compreensão e cooperação para reduzir. Essas duas medidas tiram o desafogo imediato”, acentuou.

Ainda de acordo com Pacheco, as primeiras providências se referem a aplicar um novo modelo de gestão do hospital, totalmente profissional, bem como melhorar o atendimento, as condições de trabalho e pagar os salários atrasados dos funcionários – que chegaram a ameaçar entrar em greve, recentemente. “Não há mais espaço para uma administração que não seja profissionalizada. Se não fizer isso, não sai do buraco. Acho que a Santa Casa tem que ser tratada como empresa. Ela não visa lucro para distribuição de dividendos. Ela visa lucro para poder reinvestir em instalações, em equipamentos, etc. E para administrar como empresa você tem que ter uma administração profissional”, definiu Pacheco.

Irmã Odila, uma das mais antigas freitas da Irmandade, acompanha anúncio de Pacheco
Irmã Odila, uma das mais antigas freitas da Irmandade, acompanha anúncio de Pacheco

Os salários referentes a novembro e a primeira parcela do 13º dos quase 170 funcionários serão quitados nesta segunda-feira (16).  Já o pagamento da segunda parcela do benefício será alvo de discussão junto aos funcionários. “Vamos sentar pra conversar. Acho que todo mundo tem que colaborar”, relatou.

Na coletiva, ele também frisou que todos os colaboradores serão agraciados com uma cesta natalina. Além do diretor do Cristália, a mesa principal do evento foi composta pela vice-presidente da empresa, Kátia Stevanatto – parceira na iniciativa; pela atual provedora da Santa Casa, Maria de Lourdes Levatti Piva e pelo médico, Newton Santana, integrante do corpo clínico do hospital. A provedora agradeceu publicamente o empenho de Pacheco e de Kátia, bem como dos demais envolvidos na Oscip para

Pacheco foi enfático ao afirmar que a criação e entrada da Oscip na Santa Casa não possui relação com a empresa a qual dirige. Também disse que o hospital terá um novo administrador a partir de janeiro, em consonância com o novo modelo de administração. Salientou que os nomes dos componentes da Oscip serão revelados em breve, mas destacou que a comissão não é composta por nenhuma pessoa que mantenha ligação profissional ou corporativa com o hospital. A Oscip também não possui fins lucrativos, com seus membros não recebendo remuneração alguma pela atuação.

Depois que a Santa Casa for reorganizada e estiver com as contas em dia e funcionando perfeitamente, é provável que a mesma comece a atender novos convênios médicos, bem como retome o atendimento via SUS (Sistema Único de Saúde). Para aumentar imediatamente a renda, Pacheco também revelou que o Laboratório Cristália firmará um convênio com a Santa Casa, para que os exames admissionais e demissionais do Cristália sejam feitos no hospital.

O empresário fez questão de frisar que suas palavras estavam sendo gravadas, com a intenção de evitar boatos. “Não sou eu que vou administrar a Santa Casa, não vai ser a Dra. Kátia (Stevanatto) que vai administrar a Santa Casa. Nós vamos dar retaguarda para um profissional (a ser contratado)”, esclareceu. “Existe um esforço do cidadão Ogari com a Katia (Stevanatto), em fazer parte de um movimento para recuperar a Santa Casa, de dar condições dignas de atendimento à população itapirense. E é isso que vamos tentar fazer. Para isso vamos tentar mobilizar as forças da cidade”, continuou.

Entrada de Oscip, segundo Pacheco, evita fechamento de hospital
Entrada de Oscip, segundo Pacheco, evita fechamento de hospital

Com as mudanças, a Mesa Diretora da Santa Casa não estará mais à frente da administração da Santa Casa. A função foi delegada à Oscip, que será composta por 16 membros e estará constituída em um prazo de 10 dias. Pacheco disse que, para compor a organização, foram elencados 50 nomes que representam os mais diferentes segmentos da sociedade. Essas pessoas estão sendo consultadas e convidadas. Do total de membros, 11 serão voltados à administração, e outros cinco atuarão como conselheiros fiscais.

“Depois que ficou pronta a análise da situação da Santa Casa é que demos início à formação da Oscip. Eu não posso ter conflito de interesses aqui dentro (da organização). Não tem funcionário (da Santa Casa) na Oscip. O camarada não pode ser diretor dele mesmo. E assim sucessivamente. O indivíduo que representa um convênio, não posso ter (na organização). Ele não pode ser diretor e prestar serviço para ele mesmo”, reiterou.

Além das ações emergenciais, Pacheco destacou que um dos objetivos é receber o apoio da população itapirense, em uma etapa futura. A prioridade é sanar os problemas, para mostrar a todos que as mudanças foram feitas e, quando a situação for positiva, pedir ajuda dos cidadãos.

“Não sentimos coragem de pedir um centavo para qualquer habitante de Itapira antes de mudar as coisas. Antes de pedir vamos mostrar que está mudando. E vamos pedir para todo mundo. Começa com os empresários até a população. Muita gente nasceu aqui, quantas vidas foram salvas aqui. Quantos de vocês tiveram parentes, filhos que foram tratados aqui e que devem, de alguma forma, no mínimo algum carinho à Santa Casa. Então é um chamamento à população”, classificou.