Vó Zelita (centro), de 93 anos, representou todos os assistidos pelo SOS (Paulo Bellini/ItapiraNews)
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Uma das mais tradicionais entidades em atividade no município, o SOS (Serviço de Obras Sociais) comemorou 60 anos de fundação na quinta-feira (23). Diretores, funcionários, idosos assistidos e convidados participaram de uma cerimônia no período da tarde, na sede localizada à Rua Allan Kardec, na Vila Izaura.

Desde 2018 a instituição expandiu a atuação para o campo socioassistencial, mas ainda enfrenta dificuldades financeiras e clama pela colaboração direta da comunidade itapirense, principalmente empresas, para a manutenção dos projetos desenvolvidos.

“Nos dias atuais o SOS trabalha com garantias dos direitos. Deixou para trás aquele sistema assistencialista, que somente entregava cestas básicas”, detalha a coordenadora da entidade, Juliane Marisa Franco Gerolin. Ela lembra que muitos documentos se perderam pela ação do tempo, mas calcula que nesses 60 anos já foram prestados em torno de 75 mil atendimentos em Itapira.

Os relatos históricos destacam que o SOS nasceu em 1964, apoiado na premissa de oferecer caridade aos necessitados, como a distribuição de alimentos. Hoje a atuação, totalmente regulamentada e direcionada à proteção social básica, está concentrada nos idosos que residem nos bairros ao entorno da sede.

“Trabalhamos com a prevenção. Os idosos vêm para as oficinas e são assistidos no contexto das garantias dos direitos, potencialização e empoderamento. Mostramos que todos têm capacidade”, completa Juliane, reforçando a articulação direta com a rede municipal. “Somos um braço do município para encaminhar esses idosos dentro do que necessitam e auxiliar na garantia de seus direitos”, frisa.

A sede abriga oficinas de artesanato, como crochê e pintura, e o serviço de convivência e fortalecimento de vínculos, com atividades cognitivas, informativas e muitas orientações sobre variadas abordagens.

Sempre das 14h00 às 16h00, às segundas-feiras os 45 participantes – divididos em grupos de 15 – são envolvidos em momentos de movimento corporal. De terça a quinta o espaço é ocupado pelo serviço de convivência e às sextas, a equipe se reúne para planejamento e discussão de casos. Nos atendimentos em domicílio, em parceria com o município, são em torno de 65 assistidos, com foco nos encaminhamentos.

A instituição possui uma equipe com sete funcionários, entre assistentes sociais, psicóloga, educadores, coordenação e administrativo. Rotineiramente também presta apoio na distribuição de cestas básicas às famílias via encaminhamento pelo Cras (Centro de Referência de Assistência Social) e outras situações.

Festa contou com a presença dos idosos que participam das atividades (Paulo Bellini/ItapiraNews)
  • DIFICULDADES

O SOS cresceu muito com o passar dos anos e a ajuda da comunidade é essencial para a manutenção dos serviços prestados. A visibilidade foi ampliada, principalmente com a ajuda da Secretaria Municipal de Promoção Social, mas as dificuldades financeiras são recorrentes.

“Temos uma dificuldade muito grande para manter o RH (Recursos Humanos) dos serviços de convivência. Precisamos de muita doação em espécie”, adverte Juliane, apontando para um déficit de R$ 7 mil/mês. “O Conselho do Idoso custeia o serviço a domicílio, mas nós temos outras responsabilidades no SOS, como por exemplo, os profissionais que atuam diretamente na entidade”, salienta.

Há alguns anos a instituição passou por uma grave crise financeira, mas várias empresas ajudaram na reestruturação. O plano agora é iniciar as reformas e migrar para o espaço mais amplo ao lado da sede atual. “Nosso apelo é direcionado às empresas e comunidade em geral. O terceiro setor depende de doações. Estamos no limite, mas estamos na luta”, concluiu a coordenadora.

A diretoria do SOS tem na presidência Fernando Monteiro Amorim. Na solenidade festiva de quinta-feira, uma homenagem foi prestada para Sílvia Conrado Bachin, que participou da diretoria por 30 anos. “Por meio da pessoa da Silvia nós homenageamos todos os diretores que passaram pelo SOS”, enfatizou Juliane. Já os idosos foram homenageados na pessoa de Vó Zelita, de 93 anos, a mais experiente da instituição.

  • HISTÓRIA

O SOS de Itapira foi inspirado na entidade criada anos antes em Poços de Caldas (MG). A fundação no município foi consumada em 23 de maio de 1964, na antiga sede da Sociedade Beneficente Operária, ocasião em que a primeira diretoria foi empossada. Seis décadas depois, um dos únicos membros fundadores ainda vivo é o professor Silas Bravo Nogueira. O primeiro presidente foi Hélio Audi.

O estatuto elaborado há 60 anos apontava para a necessidade de ‘resolver definitivamente o problema da mendicância em nossa cidade’. Até mesmo uma campanha foi iniciada na rádio e jornais, pedindo à população para não dar esmolas aos moradores de rua e pedintes. Entre as diversas obras sociais coordenadas pela SOS está a extinta ‘Vila das Viúvas’, um local muito conhecido na Vila Bazani.

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