Delegado seccional durante coletiva de imprensa após prisão da mãe de Ísis Helena (Arquivo/ItapiraNews)

O delegado seccional José Antônio Carlos de Souza comentou a morte da detenta Jennifer Natália Pedro, mãe da bebê Ísis Helena, que cumpria pena sob a acusação da morte da filha.

Responsável pela Delegacia Seccional de Mogi Guaçu, que coordenou e concluiu as investigações do caso, ele disse à reportagem do Guaçu Agora que considera um “triste final” para a jovem.

Ela foi encontrada em sua cela na Penitenciária Feminina de Tremembé (SP) na tarde da última segunda-feira (22). A polícia registrou a morte como suicídio consumado, mas investiga outras hipóteses.

“Lamento muito o final dessa criatura. Esperava que a mesma fosse submetida ao julgamento, cumprisse de acordo com sua responsabilidade e trilhasse um caminho de luz. Afinal, indistintamente todo ser humano, merece sempre uma segunda, terceira chance, pois do contrário as penas impostas pela lei do homem não fariam sentido, o objetivo é sempre a recuperação para reinserção na sociedade”, comentou o delegado seccional.

Em abril de 2020, após prender Jennifer e dar as investigações como concluídas, o delegado disse que o caso foi um dos “mais pesados” de sua extensa carreira na Polícia Civil. “Já tivemos outros casos pesados, como perda de colegas de profissão, mas a parte emocional, por envolver uma criança, a frieza da mãe, é uma cosia que mexe muito com a gente”, disse na época.

Ao receber a notícia da morte de Jennifer, a quem havia classificado como “fria e calculista”, Souza disse que é “um triste final para aquela que deu causa em um dos mais tristes capítulos por mim e toda sociedade vivenciados” e desejou que o “Criador conforte o coração de seus familiares, em especial a mãe”.

  • O CASO

Jennifer respondia por homicídio doloso, falsa comunicação de crime e ocultação de cadáver. Sua filha, a bebê Ísis Helena, de um ano e 10 meses, desapareceu no dia 2 março de 2020 da casa em que vivia na Rua Espanha, em Itapira.

Imediatamente, as autoridades começaram a se movimentar e diversas frentes de buscas foram mobilizadas. Os trabalhos atraíram ao município forças policiais de outras cidades, incluindo corporações especializadas em buscas com cães farejadores.

Jennifer foi presa e morreu em penitenciária (Reprodução)

Rapidamente o caso ganhou repercussão nacional e passou a gerar muita comoção. À medida em que os dias avançavam, o desespero e a angústia aumentavam. Informações desencontradas, muitas delas falsas, e diversas polêmicas marcaram as investigações.

A coordenação dos trabalhos policiais foi assumida pela Delegacia Seccional de Mogi Guaçu. No dia 17 de abril, Jennifer foi presa e acabou confessando que a filha havia morrido e que o corpo da bebê estava enterrado em uma área de mata próximo ao Rio do Peixe, em Itapira. Equipes novamente foram mobilizadas e conseguiram localizar os restos mortais.

Desde então, ela estava recolhida na Penitenciária Feminina de Tremembé (SP). Em dezembro de 2020 ela voltou a Itapira para a primeira audiência de instrução do caso.  No início de fevereiro, a Justiça decidiu que Jennifer seria levada a júri popular, mas o julgamento ainda não estava marcado.

Publicidade - Anuncie aqui