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Uma ‘vacina anti-cocaína’ desenvolvida por pesquisadores brasileiros deverá ser testada em humanos em 2018. A previsão é que os procedimentos tenham início entre junho e julho. O projeto é do Departamento de Saúde Mental da UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais). A droga já foi testada em roedores e apresentou resultados satisfatórios. Na prática, a vacina pretende criar anticorpos capazes de reduzir o efeito de prazer e euforia provocado pelo uso da cocaína.

De acordo com Frederico Garcia, do Departamento de Saúde Mental da UFMG, outros quatro grupos no mundo trabalham em estudos semelhantes – três nos EUA e um na Coreia do Sul. Porém, a droga brasileira possui um diferencial. “As outras pesquisas desenvolveram moléculas proteicas, enquanto nós conseguimos sintetizar a V4N2  e a V8N2 em laboratório, ou seja, elas são mais específicas, estáveis e fáceis de produzir em larga escala”, garante.

Segundo o pesquisador, o mecanismo farmacológico surgiu a partir da observação de que alguns usuários apresentam anticorpos que inibem os efeitos da cocaína mesmo sem que haja estimulação imunológica. “Esses anticorpos podem se ligar às moléculas de droga e, com isso, impedir que elas entrem no cérebro e produzam o efeito de prazer”, explica.

Antes do início dos testes em humanos, algumas etapas ainda precisam ser superadas pelos pesquisadores. Uma delas corresponde ao estudo da biossegurança da molécula em animais, atendendo à determinação da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) como forma de assegurar que a substância não produz efeitos nocivos a pelo menos duas espécies de animais.

Depois disso, ainda deverão ser realizados estudos clínicos para assegurar a biossegurança em humanos e garantir que eventuais efeitos colaterais fiquem dentro dos parâmetros estabelecidos internacionalmente. Se tudo correr bem, nos testes, os pesquisadores esperam desenvolver também moléculas semelhantes para combater os efeitos da nicotina e da maconha.

Apesar dos potenciais benefícios, Garcia ressalta que uma vacina anticocaína não deve ser vista como solução única para o complexo problema das drogas. “Em um campo em que ainda não existem medicamentos para tratar as pessoas, ela aparece como recurso que poderá ser associado ao tratamento psicológico e outras medidas”, diz. A vacina poderá ter efeito especialmente positivo para alguns grupos, como as mulheres grávidas que nem sempre conseguem interromper o uso da droga durante a gestação.

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