Lopes, na tribuna, acusa administração por omissão (Leo Santos)
Publicidade - Anuncie aqui também!
Lopes, na tribuna, acusa administração por omissão (Leo Santos)
Lopes, na tribuna, acusa administração por omissão (Leo Santos)
Publicidade - Anuncie aqui

A epidemia de dengue que assola o município voltou a pautar discussões acaloradas na Câmara Municipal, durante sessão legislativa de terça-feira (10).

Desta vez, o vereador oposicionista Rafael Donizete Lopes (PROS) usou a tribuna do plenário para acusar o governo municipal de omitir casos de morte decorrentes da doença transmitida pelo mosquito Aedes Aegypti.

Lopes fez menção à morte de um homem de 43 anos, falecido na noite do último dia 4 no Hospital Municipal, cuja declaração de óbito menciona a dengue entre as causas do óbito.

Familiares do falecido estavam presentes na sessão em sinal de protesto. O vereador acusou diretamente o prefeito José Natalino Paganini (PSDB) e a secretária municipal de Saúde, Rosa Ângela Iamarino, de omitirem as mortes supostamente causadas pela doença. “Pessoas estão indo para sete palmos debaixo da terra por incompetência e por omissão do prefeito e da secretária. Vamos falar a verdade para o povo”, disse.

O parlamentar, que também atua como médico ortopedista no Hospital Municipal, apresentou documentos que versam sobre os procedimentos a serem adotados em casos de mortes de pacientes contaminados com a doença. De fato, a OMS (Organização Mundial da Saúde) preconiza que os pacientes com ‘dengue e comorbidades que evoluírem para óbito durante o curso da doença, a causa principal do óbito deve ser considerada a dengue’.

O procedimento está previsto em documento disponibilizado pelo Sistema de Informações de Agravos de Notificação do Ministério da Saúde. Apesar das acusações de Lopes, em nota enviada recentemente ao Itapira News, a Secretaria Municipal de Saúde já havia negado qualquer morte decorrente da dengue.

O caso abordado pelo parlamentar é semelhante a outro óbito ocorrido no final de janeiro, cuja declaração também apontou dengue entre as causas da morte. Mesmo assim, a Prefeitura também negou que a doença tenha causado o óbito, afirmando que o fator preponderante foi pneumonia.

No caso citado por Lopes na tribuna da Câmara, a declaração de óbito cita quatro causas de mortes, nesta ordem: choque séptico, insuficiência respiratória, pneumonia e plaquetopenia/dengue.

“Se um paciente é esfaqueado e vai para o centro cirúrgico e morre na sala de operação, obrigatoriamente o médico tem que colocar no atestado de óbito que ele foi esfaqueado. Isso é causa básica. Ele não foi para o centro cirúrgico sem ter a causa básica. O paciente morre tendo uma causa precedente. E aqui (em Itapira) tanto a Secretaria Municipal de Saúde quanto o chefe do Executivo estão sendo omissos. Estão escondendo da população a verdade dos fatos. Não só em relação ao números (de casos da doença), mas em relação às pessoas que estão morrendo. A secretária de Saúde vai aos meios de comunicação falar que ninguém morreu de dengue. É mentira!”, afirmou o vereador.

REBATE

Parlamentares trocaram acusações durante sessão (Leo Santos)
Parlamentares trocaram acusações durante sessão (Leo Santos)

As declarações exaltadas de Lopes provocaram um desentendimento com o vereador Maurício Cassimiro de Lima (PSDB), líder do governo no Legislativo. Em dado momento, os dois bateram boca fora dos microfones e quase partiram para a agressão.

Lima também usou a tribuna para rebater as afirmações de Lopes, que ele disse ter motivação política. “Eu repudio o comportamento do vereador em fazer política com a morte de uma pessoa”, disse antes da discussão cujo áudio não foi transmitido pelo sistema da Câmara. “De qualquer maneira, deixo meu pesar à família. Estamos em um quadro de epidemia. Em momento algum podemos dizer que existiu ou não existiu (uma morte por dengue)”, afirmou o governista, em discurso que vai contra as afirmações da Secretaria de Saúde.

Outro integrante da bancada governista, Pedro Tadeu Stringuetti (PPS) – médico da Rede Básica de Saúde, também afastou a hipótese de morte por dengue na cidade. “Qualquer doença grave pode agir como coadjuvante no óbito por outra doença grave sem necessariamente agir de forma importante na causa da morte. Entenda-se”, resumiu.

Durante a sessão, manifestantes também registraram protestos depois de serem orientados a não interromper as sessões. Eles usaram fitas adesivas nas bocas e empunharam cartazes. A reportagem do Itapira News tentou obter uma resposta da Prefeitura sobre as acusações de Lopes, mas nenhum posicionamento foi fornecido até a publicação desta matéria.

Publicidade - Anuncie aqui