Boretti alerta para problemas provocados por falta de vistoria cautelar (Itapira News)
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Adquirir um veículo usado exige não só paciência e calma durante as pesquisas para encontrar o melhor negócio, mas também muita atenção para acabar caindo em uma verdadeira cilada. E o número de situações em que os compradores acabam sendo lesados vem crescendo em Itapira, conforme alerta a Polícia Civil.

De acordo com o escrivão Anthony Chaim Boretti, 34, muitos dos problemas poderiam ser evitados caso os compradores se atentassem para um procedimento obrigatório e que deve ser feito antes de qualquer pagamento: a vistoria cautelar.

O serviço é pago e realizado por empresas credenciadas junto ao Detran (Departamento Estadual de Trânsito), sendo necessário para a transferência do veículo. É o documento originado a partir da vistoria que vai indica não só a situação de partes estruturais do veículo, mas também as condições de chassis, motor, autenticidade de documentação e da placa, bem como histórico do uso por proprietários anteriores, se há pendências de pagamento ou se ocorreu algum sinistro.

“O problema é que muita gente deixa para fazer essa vistoria depois de comprar o carro ou moto. Ou seja: a pessoa acaba adquirindo o veículo, faz o pagamento e depois vai fazer a vistoria para dar entrada na documentação no Detran. E aí podem ocorrer surpresas bem desagradáveis”, alerta o policial civil.

De acordo com Borretti, entre estas surpresas negativas figuram casos bastante frequentes de numerações do motor e de chassis que foram adulteradas e até situações em que se constata que o veículo é dublê ou mesmo produto de furto ou roubo.

“Aí a pessoa apresenta o veículo na Delegacia, ele é apreendido e enviado à perícia oficial. Isso ainda pode gerar um inquérito e o comprador, mesmo que tenha agido de boa fé, poderá responder por adulteração de sinal identificador do veículo, que é crime. No final das contas, acaba ficando sem o veículo, sem o dinheiro e com uma grande dor de cabeça” diz.

Outra situação bastante comum, ainda de acordo com Boretti, são aquelas em que o comprador adquire o veículo de um terceiro, que não o proprietário apontado no recibo. “A pessoa compra de um terceiro e paga o valor combinado. Aí, o proprietário real se nega a assinar o recibo alegando que ainda não recebeu o valor da outra pessoa, que vendeu o veículo. E aí começa o problema que vem parar na Delegacia. E em muitas vezes, a polícia também não pode fazer nada, pois se trata de desacordo comercial e vira questão judicial”.

Procedimento é obrigatório e pode evitar muita dor de cabeça (Ilustração)
  • MUITA ATENÇÃO

O policial civil reforça que os compradores devem se atentar para a obrigatoriedade da vistoria antes de fechar qualquer negócio e fazer pagamentos. “Por isso mesmo se chama vistoria cautelar. É questão de cautela, para resguardar o comprador. O vistoriador vai emitir um laudo aprovando ou reprovando o veículo, e isso é fundamental na negociação. Já tivemos casos até de veículo cujo motor foi trocado”, alerta.

De acordo com Boretti, o principal motivo é o desconhecimento das pessoas sobre o procedimento correto na compra e venda de veículos usados. Ele lembra ainda que é preciso muita atenção e cuidado ao comprar veículos pela internet, em sites e grupos de vendas, mesmo que aparentemente tudo esteja devidamente legalizado. “A vistoria antes da compra é indispensável. Caso dê algum problema, corre o risco ainda da pessoa que foi lesada acionar a Justiça e também ser responsabilizada se o Judiciário entender que não houve boa fé”, finaliza.