Um levantamento inédito feito pela Euromonitor mostra que o volume de vendas de cerveja no Brasil em 2020 foi o maior dos últimos seis anos, atingindo a marca de 13,3 bilhões de litros.

O ‘recorde’ só fica atrás de 2014, quando o país sediou a Copa do Mundo. O novo marco está diretamente relacionado à pandemia e às medidas de isolamento e restrições, com fechamento de bares e migração do consumo para dentro de casa.

Dados da Kantar, consultoria especializada em pesquisas de mercado e consumo, revelam que o consumo nas residências também bateu recorde histórico: o percentual de brasileiros com mais de 18 anos que bebeu cerveja em casa saltou de 64,6% em 2019 para 68,6% em 2020.

A projeção do consumo para este ano é de 13,67 bilhões de litros. Mesmo sem o carnaval, o primeiro trimestre já surpreendeu com resultado superior em relação ao mesmo período no primeiro ano da pandemia.

De acordo com a Euromonitor, o volume de vendas de cerveja no país teve um crescimento anual de 5,3% em 2020, vindo de um avanço de 3,5% em 2019.

Quando se fala em faturamento do setor, o crescimento foi ainda maior, passando de 9,9% na comparação com 2019. As vendas de cerveja no varejo totalizaram em 2020 um mercado de R$ 184,5 bilhões, impulsionado pela maior penetração das chamadas cervejas premium, que são mais caras.

O aumento aconteceu em um ano com queda de 4,1% no PIB (Produto Interno Bruto) e no qual s famílias precisaram consumir menos em razão da crise gerada pela pandemia, com consequente queda na renda.

O Brasil, inclusive, foi o único entre os cinco maiores mercados cervejeiros do mundo a ter crescimento positivo em 2020, tanto em faturamento quanto em volume de vendas.

Depois da cerveja, as bebidas alcóolicas mais vendidas ano passado no país foram a cachaça (398,8 milhões de litros) e o vinho (380 milhões de litros).

Atualmente, o Brasil representa o terceiro maior mercado consumidor de cerveja, atrás somente da China e dos Estados Unidos – ambos os países registraram redução nas vendas em 2020.

  • EXPLICAÇÃO

Analista da Euromonitor, Rodrigo Mattos atribui o aumento nas vendas de bebidas alcóolicas em meio à pandemia a um comportamento que busca relaxamento e algum tipo de prazer.

“A gente bebeu para esquecer. Estávamos num momento de alta ansiedade, de não conseguir ter o lazer que a gente tinha, de uma demanda reprimida por uma experiência que a gente não conseguia ter mais, que é uma experiência fora do lar, e as pessoas tentaram fazer uma mímica dessa experiência dentro de casa”, disse ao portal G1.

“Às vezes não parece ser uma coisa muito óbvia associar bem-estar com bebida, mas o brasileiro acabou tendo essa solução”, acrescenta. Entre as marcas mais consumidas, a Brahma (21,9%) e a Skol (21,5%) seguem no topo, seguidas de Antarctica (10,5%), Itaipava (8,4%) e Nova Schin (6,8%).

Para o resultado de 2021, a previsão é que o consumo de cerveja continuará a crescer, mas em ritmo menor em razão das incertezas em relação ao controle da pandemia, avanço da vacinação contra o coronavírus e ritmo de recuperação da economia.

Apesar da migração do consumo para dentro de casa, os dados da Euromonitor mostram que as vendas em bares e restaurantes ainda representaram no ano passado 57,5% do volume total no país. Em 2019, a participação do segmento foi de 62%.

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